Rainha madrasta

Quando soube da morte de Diana, a sogra
preocupou-se com as jóias, afirma livro

Qual foi a primeira reação da rainha da Inglaterra, Elizabeth II, ao receber a notícia da morte trágica da princesa Diana? Preocupou-se em saber se na hora do acidente a ex-mulher do príncipe herdeiro estava usando alguma das jóias da família real. Essa é, pelo menos, a história que o jornalista americano Christopher Andersen garante ter ouvido de fontes bem informadas. O lançamento do livro O Dia em que Diana Morreu, na semana passada, é o mais provocativo na erupção de revelações sobre os bastidores da morte de Diana, que completa um ano no próximo dia 31. A credibilidade das afirmações certamente pode ser questionada ("Pura fantasia a ser tratada com o desprezo que merece", disse uma porta-voz do Palácio de Buckingham), mas o mal já está feito: a rainha novamente aparece como a sogra insensível. A frieza da família real nos primeiros momentos da morte da nora problemática — um fato real, cujo sintoma mais evidente foi a hesitação em homenagear a morta com a bandeira a meio pau — já causou bastante dano à popularidade dos Windsor.

A versão de Andersen é a seguinte: logo que soube da morte, a rainha enviou o cônsul-geral da Inglaterra em Paris, Keith Moss, ao hospital onde o corpo de Diana ainda esperava para ser removido. Moss teria abordado uma incrédula enfermeira, presumivelmente a informante de Andersen, perguntando: "Onde estão as jóias? A rainha quer saber". Não havia jóia nenhuma (pelo acordo de divórcio com o príncipe Charles, Diana ficaria com as jóias de valor histórico recebidas de presente da família real, durante o casamento, até a sua morte; ela, no entanto, já pouco as usava). Naquele momento, um lençol cobria o corpo nu de Diana e seus pertences já tinham sido enviados para Londres, por iniciativa de Mohamed Al Fayed, pai de Dodi, o namorado que morreu a seu lado no acidente de carro no Túnel de L'Alma.

Andersen fez fama com livros sobre a vida alheia, como a de Jacqueline Kennedy Onassis, Michael Jackson e Madonna, cheios de detalhes picantes. Em sua nova investida, baseada em fatos ou fantasias, não foi muito difícil pintar a rainha como a grande vilã. O príncipe Charles, descrito por Andersen como à beira de um desmaio depois de ver o corpo da ex-mulher, os filhos William e Harry e até a odiada namorada do herdeiro do trono, Camilla Parker-Bowles, recebem tratamento cordial. Elizabeth II, com frieza de madrasta de contos de fada, teria tentado impedir Charles de viajar até a França para acompanhar a repatriação do corpo. Relatos mais confiáveis, colocados no livro Death of a Princess (Morte de uma Princesa), escrito por dois jornalistas da revista Time, Thomas Sancton e Scott MacLeod, indicam que Charles soube da tragédia às 4h30 da manhã do dia 31, por meio de um secretário da rainha. O príncipe decidiu que embarcaria para a França num avião da Royal Air Force, sem consultar a mãe.

Mordomo fiel — Sancton e MacLeod fazem uma descrição mais banal, e talvez por isso mais comovente, da reação de Charles depois de ver o corpo alquebrado de Diana. Ele saiu do quarto com os olhos vermelhos e, ao agradecer aos médicos que haviam tentado salvá-la, tropeçou no francês com um impróprio "mes félicitations" (meus parabéns). Os jornalistas da Time também afirmam que naquela noite Dodi ia pedir Diana em casamento. Andersen repete a informação, mas acrescenta que a princesa iria recusar, com receio da reação dos filhos. Ambos os livros coincidem em vários pontos na descrição do comportamento do fiel mordomo da princesa, Paul Burrell. Foi ele quem providenciou um caixão com uma abertura de vidro pela qual o rosto de Diana, praticamente intocado pelo acidente, podia ser admirado. Ele também levou uma maleta com maquiagem, entregue aos agentes funerários, e um longo negro para vestir a princesa. Pôs entre as mãos de Diana um rosário que ela havia ganho de Madre Teresa de Calcutá e, junto de seu corpo, fotos dos dois filhos e do pai, o falecido conde John Spencer. Segundo Andersen, enquanto Elizabeth mantinha toda a família real na Escócia, o mordomo passou quase uma semana em vigília ao lado do corpo, até o dia do enterro.

É natural que às vésperas do aniversário de sua morte Diana ocupe como nunca a imaginação popular. E que, nessa onda, também pulule todo tipo de oportunista literário. A célebre máxima do cineasta John Ford, "Quando a lenda supera a realidade, publique-se a lenda", vem sendo cumprida à risca no caso de Diana. No mês passado, membros da cúpula da Igreja Anglicana pediram que Diana não seja "canonizada" por seus admiradores mais exaltados. Há poucas chances de que sejam ouvidos.

O ninho de amor em Paris

Pouca coisa sobre a vida de Diana está a salvo dos bisbilhoteiros — mas nunca se saberá com certeza se ela pretendia ou não casar com Dodi Fayed. Isso apesar de o pai de Dodi, Mohamed Al Fayed, fazer o que pode para provar que viviam uma linda história de amor. A mais recente iniciativa nesse sentido foi permitir fotografias do apartamento de Dodi em Paris. O ambiente foi preservado, garante, do modo que o casal deixou. Diana e Dodi passaram nesses aposentos luxuosos seus últimos momentos (duas horas e meia) de intimidade antes de sair para jantar no Hotel Ritz. Morreram quando voltavam para o apartamento.




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