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Pesadelo mirim
Meninos de
7 e 8 anos matam menina de 11
A descoberta do
corpo maltratado de uma menina de 11 anos, dia 28 de
julho, apesar de triste, não foi o bastante para virar
manchete em Chicago, uma cidade com fama de violenta. O
que tornou estarrecedor o assassinato da pequena Ryan
Harris foi a identificação, na semana passada, dos
assassinos: dois meninos, de 7 e 8 anos. Para roubar sua
bicicleta, eles a desacordaram com uma pedrada. Depois,
"brincaram" com o corpo inerte, colocando a
própria calcinha de Ryan em sua boca, o que provocou a
morte por asfixia. O legista também encontrou indícios
de violência sexual praticada com um objeto.
Inicialmente interrogados como testemunhas, os meninos
acabaram confessando o crime. Na quinta-feira, obrigado a
decidir o que fazer com réus com menos de 1,30 metro de
altura, o juiz mandou-os aguardar o julgamento em casa.
Para garantir que não porão o pé na rua, serão
monitorados por braceletes eletrônicos presos aos
pulsos.
É bem possível
que nem sequer tenham inteira consciência do que está
ocorrendo. Ficar de castigo em casa é uma punição que
as crianças conhecem muito bem. Os dois meninos
cujos nomes são mantidos em sigilo passaram a
audiência desenhando, como faria qualquer criança num
compromisso de adultos. O mais velho até exibiu seu
desenho (uma casa) para a avó no tribunal. Ambos vêm de
famílias estáveis, nenhum deles era considerado
problemático. Depois do crime, o menor foi brincar com o
cachorrinho e o maior assistiu a desenhos animados na
televisão. Se condenados, ficarão num reformatório
até os 21 anos. Crimes cometidos por crianças estão se
disseminando nos Estados Unidos, com destaque para os
tiroteios aleatórios em escolas. A diferença neste caso
é que os meninos são os acusados de assassinato mais
jovens da História do país.
Acorrentados
O código penal americano varia de Estado
para Estado. Em alguns, mais severos, a partir dos 13
anos o menor infrator pode ser julgado e condenado como
adulto. No caso dos meninos assassinos de Chicago, vai-se
discutir se têm maturidade para entender o que fizeram.
A maioria dos psicólogos acredita que é exatamente
nessa idade que as crianças começam a separar o certo
do errado. Também já sabem o que é a morte, embora
não tenham consciência de sua irreversibilidade. A
punição de menores infratores pode ser quase tão
chocante quanto o próprio crime. Na semana passada,
foram exibidas as imagens torturantes de dois garotos
Mitchell Johnson, de 14 anos, e Andrew Golden, de
12 chegando acorrentados como animais a um
tribunal americano. Em março, por motivos obscuros, eles
atacaram a tiros a própria escola e mataram quatro
colegas e uma professora. A sentença levou em conta a
idade. Ficarão confinados numa instituição para
menores delinqüentes até completar 18 anos.

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