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Estados Unidos prometem vingança, mas falta
descobrir quem atacou suas embaixadas na África

O presidente Bill Clinton tinha dois problemas danados na semana passada: convencer os americanos de que sexo oral não é sexo (uma das possíveis linhas de "defesa" em seu depoimento desta segunda-feira sobre o relacionamento com a ex-estagiária Monica Lewinsky) e descobrir os mandantes dos atentados contra as embaixadas no Quênia e na Tanzânia. Apesar do grotesco da primeira situação, talvez o bem-falante Clinton se saísse melhor dela. Com todos os serviços de informações mobilizados e centenas de especialistas enviados para vasculhar os destroços nos países africanos, o governo americano não tinha até o fim da semana resposta para a pergunta: quem fez isso? Exceto pelas prisões arbitrárias conduzidas pela polícia local, não havia nenhum indício seguro sobre quem despachou os dois carros-bombas que explodiram simultaneamente diante das embaixadas americanas em Nairóbi (248 mortos, doze deles americanos, e 5.000 feridos) e Dar Es Salaam (dez mortos, nenhum americano) na manhã de sexta-feira 7. Os Estados Unidos até oferecem recompensa de 2 milhões de dólares por um boa dica. A pista mais segura, paradoxalmente, é a própria falta de reivindicação. Quem, neste mundo, está disposto a causar o maior estrago possível aos Estados Unidos (ainda que o resultado seja principalmente carnificina entre africanos), sem ao menos explicar seus motivos?

Na falta de respostas concretas, as suspeitas apontavam para Osama bin Laden, um milionário saudita que fez fortuna na construção civil e criou, do próprio bolso, uma rede mundial de terrorismo. A organização — que atende pela inusitada denominação de Frente Internacional da Guerra Santa Islâmica contra os Judeus e os Cruzados — foi anunciada oficialmente pelo próprio Laden em Peshawar, no Paquistão, em junho. O objetivo: "matar os americanos e seus aliados, civis e militares" e obrigar os Estados Unidos a retirar seus soldados da Arábia Saudita. O serviço secreto dos EUA acha que Laden é o homem por trás de dois atentados que mataram 23 americanos na Arábia Saudita.

Programa próprio — Não há nada de risível neste saudita, cuja fortuna é estimada em 300 milhões de dólares. Ele é o mais notório dos chamados "afegães", muçulmanos de diversas procedências, principalmente do Egito, Arábia Saudita e África do Norte, que aderiram ao combate às forças soviéticas no Afeganistão, na década de 80. Depois da retirada do Exército Vermelho, a maioria foi fomentar rebeliões fundamentalistas em seus próprios países. Laden, que chegou a comandar 10.000 voluntários árabes, ficou por lá mesmo. No emaranhado dos interesses ditados pela lógica da Guerra Fria, a ironia é que Laden foi treinado pela própria CIA. Os vínculos indiretos não estão inteiramente rompidos, pois o saudita conta com a cobertura do Paquistão, o aliado de Washington na região. Acusado pelos Estados Unidos de patrocinar o terrorismo, neste caso o Irã está do lado contrário: é inimigo do Taliban, a milícia fundamentalista que protege Laden e está vencendo a guerra no Afeganistão.

Suspeitar automaticamente de que grandes atentados terroristas tenham origem no Oriente Médio passou a ser não só preconceituoso como tolo desde que um americano da gema explodiu um edifício público em Oklahoma, com 168 mortos. A idéia, porém, de que exista um milionário radical, com seu próprio programa terrorista, disposto a detonar americanos mundo afora, é de arrepiar. Na cerimônia da chegada dos corpos dos americanos mortos na África, o presidente Clinton jurou vingança e chorou. Talvez não sejam suas últimas lágrimas.




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