Ancelmo Gois

Educação
A tragédia é maior

O sistema de ensino superior brasileiro precisa expandir-se rapidamente. Costuma-se dizer que apenas 11% da população entre 18 e 24 anos cursa alguma faculdade — um número baixo se comparado até com vizinhos mais pobres. Só que o IBGE andou refazendo essa conta e descobriu que o problema é ainda maior. São apenas 6% os estudantes universitários. O número cresce para 9% da população se incluídos os maiores de 25 anos.

Filantropia
O xou da Xuxa

Em dez anos, Xuxa tirou do bolso cerca de 7 milhões de reais para gastar com obras sociais — a média é 700.000 por ano. Com certeza, é mais do que destina aos pobres a maioria dos sócios do Clube Harmonia ou do Country Club, só para citar dois clubes de ricaços em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Eleição
Passando o chapéu

Kati Almeida Braga, da casa bancária Icatu, também está recolhendo dádivas para a campanha da reeleição do presidente.

FHC na cabeça

Na eleição de 1994, o Plano Real estava novinho em folha, a economia deslizava num crescimento de 6% ao ano e o desemprego era de apenas 5% — um céu bem mais azul do que o atual. Ainda assim, se a eleição fosse hoje, Fernando Henrique seria reeleito com 5 a 6 pontos porcentuais a mais do que da outra vez. A conta é do cientista político Marcos Coimbra (Vox Populi).

Palanque tucano

Está de volta a Ação Empresarial — que reúne os pesos pesados da elite econômica brasileira e que atuou forte durante a Constituinte. O movimento vem espalhando por todo o país um texto de onze páginas conclamando o empresariado a engajar-se numa campanha pelo "bom astral" e para mostrar que o "Brasil melhorou". Não faz explicitamente propaganda da reeleição. Também nem era preciso.

Remédio
O castigo que vem de fora

A alemã Schering está só esperando a poeira das "pílulas de farinha" baixar para afastar parte da diretoria de sua filial brasileira. A matriz de Berlim acha que a filial não cometeu crime, mas agiu de forma atrapalhada.

Fisco
Penúria

A Receita Federal, que arrecada mais de 100 bilhões de reais por ano, está sem um tostão para tocar a máquina no dia-a-dia.

Privatização
Mão amiga

A privatização à brasileira sempre precisa de um empurrãozinho do Estado. Durante o leilão da Telebrás, o Banco do Brasil foi solicitado a abrir linha de crédito de l bilhão de reais para eventuais necessidades de caixa da Telefónica de España. Acabou não sendo necessário.

A viúva economizou

Mesmo depois de privatizada, a Cosipa continua produzindo mais prejuízo do que chapa de aço. Desde 1993, quando o contribuinte se livrou do abacaxi, o prejuízo acumulado beira 500 milhões de reais — além de uma dívida pendurada de 2,1 bilhões.

Cerveja
Caso de polícia

Sumiu em uma das fábricas da Antarctica quase 1 milhão de dúzias de cerveja.

Pessoal
O repouso do guerreiro

Até outro dia o empresário Jorge Paulo Lemann, 59 anos, trabalhava dez horas por dia e andava num carro Gol. Agora, com a venda do Banco Garantia, ele resolveu curtir um pouco mais a vida. Comprou um jatinho de 30 milhões de reais. Tá certo.

Empresas
Negócio suspenso

A Arapuã vinha negociando com a empresa americana TCW. A família Simeira Jacob não gostou da proposta. Os gringos ficaram de apresentar outra.

Sonegação
Bom pagador

O Leão do imposto de renda aplicou uma multa de 400.000 reais no contribuinte Emerson Fittipaldi. Ligeiro que nem um carro da Fórmula Indy, o piloto pagou o que devia e não chiou.

Ásia
A crise chegou aqui

A Varig vai suspender a linha de Bangcoc — aquela que trouxe o finado PC, lembra-se?

Suco de laranja


Foto: Rubens Guerra

Todo santo dia desembarca empresário estrangeiro à cata de negócios no Brasil. A rota inversa também existe, embora bem menor. Cerca de 40% do mercado de esmagamento de laranjas na Flórida já está nas mãos de brasileiros. Na penumbra, os empresários José Cutrale e Carlos Fischer, os dois maiores produtores de laranja do Brasil, investiram na conquista da América algo como 100 milhões de dólares.

Memória
Roda da fortuna

Na semana passada, o BBA completou dez anos de vida. O dinheiro para começar o negócio veio do sócio estrangeiro, o Bank Austria Creditanstalt. De lá para cá, o patrimônio do banco pulou de 20 para 640 milhões de dólares. Na decolagem, o ex-presidente do BC Persio Arida (o "A" do BBA), saltou fora. Deixou de ganhar uns 100 milhões.

Livro
Dissonante

Pronto novo livro de Celso Furtado, depois de um jejum de seis anos. Em O Capitalismo Global o economista de 78 anos brada os perigos da globalização.

Espaço
Dinheiro da passagem

O Brasil pode ser obrigado a se retirar do clube dos quinze grandes que vão construir uma cidade-satélite no espaço. O ministro Paulo Paiva ainda não reservou dinheiro para que o país pague a primeira prestação da estação de pesquisa espacial.

A ministra da Administração, Cláudia Costin, que acabou com a obrigação que 600.000 aposentados e pensionistas tinham de se apresentar uma vez por ano para provar que estavam vivos.

O Congresso Nacional, que aprovou lei punindo com prisão de até quinze anos a fraude em medicamentos.

Wanderley Luxemburgo, escolhido como o novo técnico da seleção brasileira.

O governo federal, que cedeu às pressões das empresas e editou medida provisória suspendendo por até dez anos as 11.000 multas aplicadas neste ano a quem poluiu o meio ambiente.

O candidato ao governo de São Paulo pelo PPB, Paulo Maluf, que na falta de uma proposta repetiu o velho bordão de que é preciso acabar com os "direitos humanos dos bandidos".

Fernando Collor, que teve sua candidatura a presidente cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral.


Colaborou Julio Cesar de Barros




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