O Japão é aqui

Confesse: quando estoura uma crise como a provocada pelo nocaute do iene japonês e as bolsas despencam qual é a primeira idéia que ocorre a você, leitor? O que é que eu tenho a ver com isso? — essa é uma das coisas que provavelmente passam pela sua cabeça, ou não? Pois bem, confusões financeiras criadas do outro lado do mundo têm repercussão grande na vida de cada um que vive deste lado do planeta. Em outubro do ano passado, quebraram países da Ásia exóticos como a Malásia e a Tailândia, economias pequenas cujo PIB cabe no bolso da camisa da economia brasileira, e o efeito foi devastador. No Brasil, a chamada crise asiática obrigou o governo a baixar um pacote que, para proteger o real contra os especuladores internacionais, dobrou os juros da noite para o dia e a tomar várias outras medidas restritivas.

Brasileiros que nunca viram uma cédula de iene e nunca apostaram um tostão na bolsa perderam o emprego. Empresários de vários setores tiveram de arquivar planos de investimento. As vendas de muitos setores caíram. Antes no alto das pesquisas de intenção de voto, o presidente Fernando Henrique Cardoso acabou alcançado por Luís Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais divulgadas em maio, em parte como uma das vítimas do tremor oriental.

O fato é que o mundo está hoje todo interligado. Um terremoto financeiro na Rússia agita os operadores de Nova York. Um rombo na Indonésia deixa o Brasil mais vulnerável. E o soluço do Japão mexe com todo o mundo. A globalização começou no momento em que o primeiro homem saiu de sua palhoça para ir bisbilhotar na aldeia vizinha. Mas só agora, neste fim de milênio, o mundo se tornou uma aldeia única. Como as coisas se interligam nessa aldeia e como a vida de cada um acaba afetada por esse fenômeno é o tema da reportagem que está na página 118 desta edição.




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