Celular com 50% de desconto
Mais empresas vão disputar o mercado
de telefonia
móvel. Quem ganha com isso é o consumidor
Maurício Oliveira
Paschoal Rodrigues
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Os consumidores que se acostumaram a brigar por um telefone
vão assistir a uma nova guerra a dos telefones
brigando por consumidores. A Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) anunciou na semana passada um serviço que
vai mudar o dia-a-dia do brasileiro: a operação
de três novas faixas de freqüência de telefonia
móvel. No mundo da engenharia das comunicações,
elas são chamadas de bandas, identificadas por letras.
Atualmente, funcionam no país duas freqüências
de transmissão na telefonia, as bandas A e B. Entrarão
em operação as bandas C, D e E. Isso significa
que, dentro de exatamente um ano, novas empresas estarão
na disputa pelos clientes. Na prática, essa simples
medida vai trazer-lhe inúmeras vantagens. Em vez
de escolher entre duas operadoras como ocorre hoje, ele
passará a ter cinco opções quando for
utilizar um celular. Especialistas da área apostam
que a maior concorrência causará queda imediata
nas tarifas. A redução pode alcançar
50% já no primeiro ano. Isso porque as empresas que
estão instaladas no país prometem fazer de
tudo para preservar a fatia que conquistaram no mercado:
elas planejam promoções e prometem melhorar
a qualidade de atendimento nos próximos meses.
Outra novidade será um barateamento ainda maior
nos preços dos celulares. "As novas operadoras certamente
vão entrar com tecnologia mais apurada, o que pressupõe
serviços diversificados e atraentes", diz o presidente
da Anatel, Renato Guerreiro. A principal vantagem das novas
faixas, em comparação às bandas A e
B, é a velocidade de transmissão de informações.
Imagens e dados poderão ser transmitidos num volume
dez vezes maior. Na prática, é o primeiro
passo para que o Brasil tenha acesso a uma novidade surpreendente:
o celular multimídia. Esse aparelho não se
limitará a fazer ligações telefônicas.
Com uma pequena tela embutida, ele pode transmitir voz,
dados e o principal: imagens. Uma das grandes inovações
do multimídia é dar acesso pleno à
internet. Será possível, por exemplo, fazer
uma pesquisa na rede ou transferir dinheiro da conta enquanto
a fila do supermercado não anda. O desenvolvimento
dessa tecnologia está tão avançado
que as empresas do setor prevêem o lançamento
comercial para 2005. No primeiro estágio, já
no ano que vem, os brasileiros poderão enviar ou
receber e-mails pelo celular ou descarregar arquivos de
texto.
É
uma evolução fantástica para um aparelho
tão jovem. Em menos de duas décadas, os primeiros
modelos analógicos, grandes e com baixa qualidade
de som, terão se transformado em máquinas
polivalentes que pouco farão lembrar um simples telefone.
E o interessante é que, ao mesmo tempo em que a tecnologia
melhorou, os celulares passaram a ficar cada vez mais acessíveis.
Hoje, quem deseja adquirir uma linha no Brasil não
enfrenta fila de espera. Em apenas um ano, o número
de usuários no país saltou de 10 milhões
para os atuais 18 milhões. E as estimativas do governo
indicam que o ritmo de crescimento deve manter-se nos próximos
anos. Em 2005, 58 milhões de brasileiros terão
seu aparelho. É quase inacreditável que nesse
mesmo país, há apenas duas décadas,
ter um simples telefone convencional era um investimento
caríssimo, pago em longas prestações
e só entregue depois de dois ou três anos.
Para que todos esses avanços sejam possíveis
no Brasil, a Anatel escolheu com cuidado o padrão
a ser adotado no país pelas bandas C, D e E. Optou
por um sistema desenvolvido na Europa, o GSM, já
utilizado por 250 milhões de pessoas em dezenas de
países. A adoção desse padrão
será a segunda grande evolução dentro
do mercado de telefonia brasileiro. A primeira deu-se há
três anos, quando o sistema analógico da banda
A recebeu a companhia do sistema digital da banda B. Agora,
além da digitalização, vem a maior
quantidade de dados. "É o que há de melhor
em tecnologia de telefonia móvel", garante o superintendente
de serviços privados da Anatel, Santos Gouvêa.
O governo aposta tanto nas vantagens do novo sistema que
estima a adesão de 1 milhão de pessoas só
no primeiro ano. "A tendência é que as empresas
e os usuários das bandas A e B migrem gradativamente
para as novas faixas", prevê Renato Guerreiro.
Essa revolução começa a ser escrita
no mês que vem, quando será aberta a licitação
para as empresas interessadas em explorar a banda C no país.
A exemplo do que ocorre com a telefonia fixa, os Estados
foram agrupados em três grandes regiões. Cada
uma terá sua prestadora na banda C. As vencedoras
serão anunciadas em outubro do ano que vem e terão
de oferecer as primeiras linhas em julho. O mesmo processo
será iniciado nos primeiros meses de 2001 para as
bandas D e E. As prestadoras que conquistarem uma concessão
se comprometem a cobrir pelo menos 80% da área de
todas as capitais e das cidades com mais de 500.000
habitantes num período de dois anos. Quem ganhar
o leilão terá direito a explorar o serviço
durante quinze anos, com mais quinze de renovação.
Para vencer uma das nove licitações de telefonia
móvel que o governo lança a partir do mês
que vem, não basta à empresa interessada fazer
a melhor oferta em dinheiro pela concessão. Ela terá
de apresentar um plano de tarifas. Os valores propostos
só poderão ser reajustados depois de doze
meses. Esse "congelamento" vai facilitar a vida do consumidor
na hora de comparar os preços estabelecidos pelas
operadoras. Quando fizer uma ligação, o usuário
escolherá a operadora por meio de um código
numérico a ser incluído no DDD, a exemplo
do que já ocorre com as ligações interurbanas
e internacionais em telefones convencionais. Prevê-se
que a disputa pelas novas fatias do mercado envolverá
as maiores multinacionais do setor, inclusive as que ainda
não atuam por aqui. Além de modernizar as
telecomunicações, o processo de instalação
das três bandas deverá movimentar no país
19 bilhões de reais. Lucra o governo e ganha o consumidor.