Tiros na fronteira
Força Aérea colombiana destrói
aviões
brasileiros que trocariam armas por drogas
Ricardo Villela
Ricardo Mazalan/AP
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| Tropa de guerrilheiros das Farc:
armas fornecidas por traficantes do Brasil |
Um incidente ocorrido dias atrás no meio da selva amazônica
revela que o Brasil entrou definitivamente na rota pesada
do tráfico de drogas. No sábado 8, o ministro da Defesa
da Colômbia, Luis Fernando Ramírez, e o comandante da Força
Aérea, general Héctor Velasco, reuniram a imprensa de seu
país para comunicar que dois aviões tinham sido destruídos
a tiros de canhão depois de pousar no Estado de Vaupés,
próximo à fronteira com o Brasil. Ambos carregavam armas
destinadas à guerrilha. Desde fevereiro, já são sete os
aviões brasileiros destruídos em pistas de pouso clandestinas
na Colômbia. Todos eram usados na troca de armas por drogas
na fronteira entre os dois países. Cada fuzil AR 15 ou AK
47 vindo do Brasil vale 2 quilos de cocaína. "Os aviões
chegam carregados de armas e saem repletos de drogas", disse
o ministro da Defesa colombiano. "A comunidade internacional
deve estabelecer controles mais rigorosos para evitar o
tráfico até a Colômbia de armas e componentes químicos utilizados
na confecção das drogas."
A crítica do ministro colombiano, feita em tom genérico,
mira o governo brasileiro. Os dois aviões monomotores viajaram
mais de 2 000 quilômetros, na sexta 7, entre o sul do Pará
e a Colômbia. Autoridades brasileiras e colombianas acreditam
que eles tenham decolado de alguma fazenda entre Marabá
e Tucumã levando armas anteriormente trazidas do Suriname.
Durante todo o vôo, em que atravessaram os Estados do Pará
e do Amazonas, os aviões não foram percebidos por nenhum
dos cinco radares brasileiros instalados na região. Só foram
notados quando entraram na Colômbia, mas logo depois conseguiram
escapar. No dia seguinte, caças da Força Aérea colombiana
encontraram os aviões novamente, dessa vez pousados numa
pista clandestina, e os destruíram a tiros de canhões aéreos.

Suicídio – O ataque
a aviões de narcotraficantes por caças colombianos tem ocorrido
com freqüência no país vizinho. Como o grupo guerrilheiro
Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) domina
uma vasta extensão do território, só resta às tropas do
governo o ataque aéreo. Entrar em áreas das Farc está fora
de questão. Seria suicídio. Em geral, os caças esperam que
os aviões pousem e os passageiros saiam para iniciar o ataque.
O uso da fronteira brasileira por traficantes ligados à
guerrilha é recente. Até alguns anos atrás, a rota preferida
passava pelo Mar do Caribe e entrava na Colômbia pelo litoral.
Com a ajuda dos Estados Unidos, foram implantados radares
na costa colombiana e os traficantes passaram a transportar
as armas pela fronteira com a Venezuela. Um acordo bilateral
incrementou o monitoramento nessa área e os traficantes
precisaram encontrar um novo caminho. Como Peru e Equador
têm uma boa fiscalização a partir das bases americanas instaladas
em seu território, só restou o Brasil. As autoridades brasileiras
esperam que com a finalização do Sistema de Vigilância da
Amazônia (Sivam), em 2002, o Brasil deixe de ser uma boa
alternativa.