Futuro frágil
Pesquisa internacional revela que médicos
e pacientes não sabem tratar a osteoporose
Karina Pastore
Marcelo Tinoco
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Osteoporose é uma doença grave e sem cura.
Mas há uma década a medicina já dispõe
de armas eficientes no combate a esse mal que enfraquece
os ossos e atinge sobretudo as mulheres na pós-menopausa.
São os equipamentos moderníssimos que flagram
a enfermidade ainda em estágio inicial e os remédios
de última geração, capazes de prevenir
e até conter o avanço da perda de massa óssea.
Era de esperar que, com tal arsenal à disposição,
a moléstia estivesse sob controle. Não está.
Há 200 milhões de enfermos no mundo, 10 milhões
deles no Brasil. Coordenado pela Fundação
Internacional de Osteoporose e apresentado recentemente
no congresso mundial sobre a doença, em Chicago,
nos Estados Unidos, o maior e mais abrangente estudo já
feito sobre o mal concluiu que, se não houver mudanças
na estratégia de combate, o problema tende a adquirir
proporções epidêmicas. Com o envelhecimento
da população, um fenômeno típico
dos países ricos que também ocorre no Brasil,
maior será a incidência. Além disso,
os pacientes não sabem como se cuidar e os médicos,
muitas vezes, adotam condutas equivocadas.
Os especialistas entrevistaram 559 mulheres de 60 anos,
em média, e 1.071 médicos
de onze países, entre os quais o Brasil, para preparar
o estudo "Quão Frágil É o Futuro da
Mulher?". A pesquisa durou três meses e desvendou
um cenário sombrio. Oito de cada dez doentes nunca
imaginaram que um dia poderiam vir a sofrer de osteoporose.
As características e os fatores de risco da doença
estão bem estabelecidos. Esqueleto fraco é
um mal tipicamente feminino há quatro vezes mais
pacientes mulheres do que homens. Depois da menopausa, quando
os ovários deixam de produzir o hormônio estrógeno,
as células responsáveis por adensar os ossos
perdem um de seus mais importantes combustíveis.
E passam a funcionar em ritmo mais lento. Na osteoporose,
prevalece a ação das células de corrosão.
Aos poucos os ossos enfraquecem, tornam-se porosos e podem
partir-se em um espirro ou abraço. A imagem à
esquerda retrata o estrago que a doença, deixada
ao próprio curso, pode causar à coluna vertebral
de uma mulher em vinte anos.
Infográfico Wander Mendes
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Apesar dos 10 milhões de pessoas acometidas pela
osteoporose no país, apenas 5% das brasileiras incluíram
a doença numa lista das preocupações
básicas de saúde. Nossas mulheres estão
entre aquelas que revelam maior desconhecimento dos efeitos
devastadores do mal a longo prazo. Ignoram que metade das
doentes com mais de 50 anos sofrerá uma fratura no
decorrer da vida. A quebradeira é um perigo. Requer
hospitalização e, não raro, cirurgia.
Muitas pacientes terminam presas a cadeira de rodas ou muletas.
Em alguns países da Europa, a doença é
a principal causa de internação entre senhoras
com mais de 45 anos. O estudo traz revelações
surpreendentes. Cerca de 90% dos médicos brasileiros
afirmaram que a candidata ideal para terapias preventivas
é aquela paciente que já sofreu uma fratura.
É tarde demais. "Nesses casos, a doença já
está estabelecida", diz a reumatologista Vera Szejnfeld,
da Universidade Federal de São Paulo. O correto é
a mulher submeter-se a exames logo no início da menopausa.
A terapia mais antiga contra a osteoporose é a
reposição hormonal. É também
a mais eficiente, mas entre seus riscos está o câncer
de mama. Para evitar o perigo, nos anos 90 criou-se uma
nova classe de drogas, os bisfosfonatos. Agindo apenas sobre
as células ósseas, os remédios impedem
a corrosão do osso. Há dois anos, o laboratório
Eli Lilly lançou o Evista. A droga imita a ação
do hormônio estrógeno sem atuar nos tecidos
da mama e do útero, o que reduz a ameaça de
tumores malignos. Há mais novidades. No final de
agosto, chega o Actonel, do Aventis Pharma. Um bisfosfonato,
o novo remédio promete causar menos efeitos colaterais
que seus antecessores. Quão frágil é
o futuro da mulher? No caso da osteoporose, com tantos recursos
disponíveis, não tem por que ser quebradiço.
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