Doce, bonito e diferente lar
Os surpreendentes móveis e objetos
para incrementar a casa
Aida Veiga
André Fortes
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| House Garden: objetos de sonho e
salto no faturamento |
É só dar uma olhada em volta: a sua casa,
quase com certeza, passou por mudanças visíveis
nos últimos anos. Ou abrir a porta e olhar mais adiante.
Provavelmente verá na vizinhança uma loja
de objetos de decoração. Há dez anos,
pontos comerciais desse tipo somavam 20.000
em todo o país. Hoje, chegam a 40.000.
Shopping centers de decoração deixaram de
ser exclusividade do eixo Rio-São Paulo e se espalharam
por Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Salvador,
Recife, Fortaleza, Niterói. Em junho, em São
Paulo apenas, inauguraram-se cinco mostras do setor, a maior
delas a Casa Cor, exibição que atualmente
se realiza em outras onze capitais ao longo do ano, com
público estimado em 300.000
pessoas. O mercado de decoração movimentou
no ano passado 4,8 bilhões de reais, mais que o dobro
do volume de 1998, segundo levantamento feito pela Associação
Brasileira de Arquitetos de Interiores e Decoradores (ABD).
"O que era visto como um luxo para poucos ganhou conceito
de qualidade de vida" , diz Carolina Szabó, presidente
da ABD. "O brasileiro está descobrindo o prazer de
investir para tornar sua casa mais bonita e aconchegante."
O prazer muitas vezes esbarra nas limitações
orçamentárias, mas é evidente que o
padrão de consumo nessa área deu um salto.
A geração de consumidores mais informados
e interessados em novidades começou a ser nutrida
com a abertura às importações lembram-se
dela? , que encheu as prateleiras e o chão das
lojas de novidades, caras e baratas, nos últimos
dez anos. Na equação entrou também
o brasileiríssimo binômio violência-trânsito,
que fechou as pessoas no recesso do lar e reabilitou o costume
de receber amigos. Por fim, houve uma mudança de
comportamento: a casa que se montava uma vez na vida, e
no máximo ia recebendo acréscimos, deu lugar
a um ambiente mutante, sujeito a modas e tendências.
Desde uma simples almofada até objetos de sonho assinados
por designers famosos, como os exibidos em lojas do padrão
da House Garden (aumento de 40% em seu faturamento nos últimos
três anos), todo mundo quer mudar alguma coisa em
casa. De 100 famílias entrevistadas numa pesquisa
da ABD, 62 confirmaram que investem muito mais em decoração
que seus pais.
Uma das conseqüências desse surto decorativo
é a introdução de peças e até
ambientes inteiros que não existiam antes (veja
quadro). Quem experimentou uma cama americana,
daquelas de colchão duplo, consegue dormir em outra?
O banheiro do casal, por sua vez, tem de ser duplo: duas
pias, dois sanitários, dois chuveiros. "É
exigência universal: 99% dos meus clientes pedem banheiros
separados", assegura o arquiteto paulista João Armentano.
A exceção é a banheira de hidromassagem,
indispensável, mas ainda uma só. Já
o bar, presente em toda sala de respeito até alguns
anos atrás, sumiu. Outro sinal da nova era é
o fato de cada cômodo da casa ter uma televisão,
e todas elas se fundirem no inevitável home theater.
Na cozinha, antigamente composta de pia, fogão e
geladeira, agora têm lugar cativo o microondas, o
freezer e a lavadora. E a tal "ilha", mistura de mesa fixa
com pia bem no meio do ambiente, que não tem grande
utilidade, mas dá um charme danado. "Todo mundo quer
cozinhar e adora gastar em eletrodomésticos", atesta
a decoradora Brunete Fraccaroli, de São Paulo. Todos
também têm computador, e um dos desafios do
decorador é acomodar a tralha da forma mais discreta
possível. "Procuro esconder ao máximo. E adoraria
se todos tivessem um Macintosh, que é muito mais
bonito", suspira o carioca Chicô Gouveia.
O boom da decoração se reflete no número
de profissionais do ramo. Dez anos atrás, havia no
Brasil 4.000 decoradores boa
parte senhoras da sociedade que entravam no negócio
quase amadoristicamente. Hoje são 10.000
profissionais registrados e a partir do ano que vem só
poderá decorar quem tiver no mínimo diploma
de curso técnico, com carga de 800 horas. A própria
indústria se transformou, depois de um período
de sufoco, em que correu para alcançar preço
e qualidade das importações. A Tok & Stok,
maior cadeia de decoração do país,
com dezessete lojas, pôs-se a campo para reverter
a fama de vender produtos bonitinhos, sim, mas frágeis.
"Reconheço que, em determinado momento, perdemos
o controle de nossa qualidade", diz o presidente da rede,
Regis Dubrule. Depois de se reestruturar e investir em designers,
a empresa voltou a crescer. Seis de suas lojas foram inauguradas
nos últimos dois anos, mais quatro estão previstas
para até o fim de 2001 e o faturamento deve atingir
200 milhões de reais neste ano. A Imaginarium, que
produz e comercializa objetos de decoração
por meio de franquias, até o fim deste semestre terá
sob sua marca 52 lojas, das quais um terço abriu
as portas nos últimos dois anos. Nascida em Teresópolis,
cidade serrana do Estado do Rio de Janeiro, a Imaginarium
fabrica 70% de seus produtos, que poderiam ser enquadrados
na categoria quinquilharias charmosas. Faturou no ano passado
16 milhões de reais, o dobro em relação
a 1997.
Como viver
sem eles?
A lista de itens obrigatórios numa casa moderna
cresceu e se modificou nos últimos anos. Ao
mesmo tempo, os espaços diminuíram,
e encaixar tudo virou um quebra-cabeça. Bom
para os decoradores, cada vez mais solicitados. "O
que era frescura virou necessidade, e aproveitar espaços
é essencial", prega o carioca Chicô Gouveia.
Fotos Divulgação
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Fotos Divulgação
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Banheira com
massagem: única área comum do
banheiro
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Cama americana:
depois da primeira vez, todo mundo quer |
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Home theater: a televisão
sai do armário
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O canto do computador:
desafio na hora de decorar |
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