Operação secreta
Depois dos seios, mulheres vão ao
vale
do silicone para aumentar o bumbum
Bel Moherdaui
Claudio Rossi
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| A modelo Nana pós-cirurgia:
300 mililitros de cada lado |
Os seios se valorizaram, é certo, mas na terra do
culto ao tchan não podia ser diferente: na surdina,
sem contar para ninguém, as mulheres estão
descobrindo, e colocando em uso, a cirurgia plástica
que aplica próteses de silicone para aumentar as
nádegas. Os médicos calculam que o número
de pacientes da operação para empinar o derrière
quintuplicou desde que a cirurgia começou a ser feita
no Brasil na década de 80. "Há cinco anos,
eu atendia três consultas por mês. Hoje coloco
prótese de silicone no glúteo de oito pacientes
a cada mês", contabiliza o cirurgião plástico
Raul Gonzalez, de São Paulo. Que ninguém se
iluda: a prótese aumenta e arrebita, mas n&adilde;o
ergue o que a idade e a gravidade fizeram desabar. "Pelo
grande volume de silicone colocado, toda a região
se distende um pouco. Assim, se a flacidez for incipiente,
ela melhora. Mas, se for muita, é necessária
outra técnica de correção", explica
o cirurgião paulista Luiz Carlos Martins, presidente
da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica
Estética, que em 1994 fazia dez cirurgias do gênero
por ano e hoje realiza dez por mês. Por outra técnica
entenda-se lipoescultura e lifting (retirada de gordura
e pele), que são mais invasivas e deixam cicatrizes
maiores, mas despontam como a única opção
para quem passou dos 40 anos.
A
plástica para aumentar o glúteo consiste na
colocação de duas próteses de silicone
ovais ou arredondadas, uma em cada protuberância dorsal,
a partir de uma incisão vertical de 5 a 7 centímetros
feita dentro do sulco entre as nádegas, de forma
a camuflar a cicatriz. As técnicas mais comuns situam
a prótese dentro ou logo atrás do chamado
músculo máximo, o mais externo da região
(veja quadro). O tamanho ideal depende das proporções
do corpo de cada pessoa e é recomendado pelo cirurgião.
As pacientes em geral acatam a sugestão, embora uma
ou outra insista em extrapolar. "Bumbum bonito é
aquele que tem formas arredondadas, não importa a
posição em que a mulher esteja", ensina Gonzalez.
"Outro mundo" Enquanto a prótese
de mama contém, em média, 180 mililitros de
silicone, a de nádegas tem um volume-padrão
de 270 (quase uma xícara e meia de chá), mas
pode chegar a 420 mililitros, dependendo da técnica
usada e das proporções da receptora. E de
suas ambições, é claro. O silicone
é mais espesso que o da prótese de mama, e
a película externa que o envolve, mais resistente.
"A prótese de mama tem a consistência macia
de uma glândula mamária. Já a do glúteo
tem consistência de músculo", diz o cirurgião
plástico Nicola Menichelli Netto, de São Paulo.
E como é viver com duas bolsas de considerável
tamanho numa área sempre tão solicitada, seja
em movimento, seja em estado estático? Dizem as usuárias
que, como as próteses são instaladas acima
da área usada para sentar, passada a dor inicial,
elas não interferem em nada. Pode-se fazer qualquer
tipo de ginástica, nadar ou andar de bicicleta normalmente,
garantem os médicos.
Ao contrário dos seios siliconados, que quem tem
faz questão de exibir, a cirurgia de nádegas
é ultra-sigilosa há mulheres que não
contam nem para a família. "Não queria ninguém
olhando, passando a mão", desconversa uma das que
aderiram à operação secreta. Quem,
no entanto, abre a guarda e se dispõe a falar sobre
o assunto só tem elogios a fazer. "Meu marido dizia
que meu bumbum era feio. Fiz a cirurgia e ficou uma coisa
do outro mundo", comemora a empresária paulista Salete
Aparecida, de 36 anos, que colocou 270 mililitros de silicone
de cada lado. "Adorei o resultado. Tive um pouquinho de
dor, mas nada insuportável", diz a modelo baiana
Nana Cabral, de 26 anos, que notou um aumento no número
de cantadas que recebe quando passa na rua depois que implantou
a calipígica quantidade de 300 mililitros de silicone
em cada nádega. "Brasileiro é fanático
por bumbum", constata, feliz da vida.
Injeções proibidas A cirurgia
é feita em hospital, com anestesia peridural. Dura
de uma a três horas e normalmente a paciente fica
internada dois dias. O pós-operatório pode
ser bastante dolorido, mas o incômodo maior passa
em três dias. Em duas semanas já se pode dormir
em qualquer posição e trabalhar. Sentar confortavelmente,
esparramada na poltrona, só um mês depois.
"Há duas semanas andei a cavalo e não senti
nada", conta a endocrinologista Rosana Elisa Regatieri,
de 30 anos, que fez a cirurgia há pouco mais de dois
meses e colocou 240 mililitros de silicone de cada lado.
Um cuidado peculiar que as pacientes devem tomar depois
de colocar a prótese é com as injeções.
Na nádega, não é recomendado. Dependendo
de onde for feita a aplicação, a agulha pode
perfurar a prótese. Vazar, o fabricante garante que
o silicone não vaza. Mas o remédio também
não fará efeito, já que ficará
confinado dentro da bolsa.