Triiimmm no ar
Já é possível usar
o próprio celular
para fazer e receber ligações em vôo
Está com os dias contados um dos derradeiros locais
a salvo de telefones celulares: os aviões em vôo.
A companhia inglesa Virgin Atlantic já está
oferecendo aos passageiros a possibilidade de fazer e receber
ligações de dentro de suas aeronaves usando
o próprio número de celular. O sistema funciona
como o serviço de transferência de chamada,
conhecido como "siga-me", oferecido normalmente pelas empresas
de telefonia no Brasil. Ao entrar no avião, o passageiro
habilita o telefone de bordo há um para cada assento
nas aeronaves da Virgin usando um cartão magnético
fornecido por sua operadora de celular. Dali em diante,
todas as ligações feitas para seu número
de telefone poderão ser atendidas no aparelho do
avião. Para ligar para alguém no solo, o viajante
usa o mesmo equipamento, como se fosse seu celular. O sistema
pode ser utilizado em todo o vôo, exceto durante a
decolagem e o pouso.
A novidade une a telefonia móvel ao recurso dos
telefones de bordo, atualmente oferecido por diversas companhias
de aviação. A diferença é a
comodidade. O passageiro pode receber e fazer ligações
no número de seu celular. O preço é
similar ao do telefone aéreo convencional, em torno
de 10 dólares o minuto, dependendo evidentemente
do cobrado pela companhia de telefonia móvel. No
sistema da Virgin, o passageiro recebe a cobrança
em sua conta e, como nos serviços de roaming,
que permitem fazer e receber ligações
fora da área de cobertura local, arca com os custos
da transferência para o avião. Quem faz a chamada
paga a tarifa normal. Ligações para o celular
em vôo são transferidas pela operadora para
uma central da empresa aérea que as retransmite,
via satélite, para a aeronave. Chamadas originadas
no avião seguem o caminho inverso. O procedimento
não oferece riscos ao vôo, ao contrário
de aparelhos eletrônicos, como computadores e o próprio
celular. Esses equipamentos geram um campo eletromagnético
que pode interferir nos sensores das aeronaves. "As interferências
podem provocar o desligamento do piloto automático,
atrapalhar a leitura de informações na cabine
e até levar o avião a fazer curvas não
programadas", explica o piloto Marco Aurélio Rocha,
da TAM. Os telefones de bordo utilizam ondas de rádio
e têm a freqüência monitorada para evitar
perturbações nas comunicações
entre as aeronaves e a torre de controle.
A solução do problema do celular no avião
é mais uma ferramenta na acirrada competição
das companhias aéreas por clientes. A American Airlines,
maior empresa do ramo nos Estados Unidos, está investindo
400 milhões de dólares na reforma de suas
aeronaves para oferecer mais espaço aos passageiros.
A brasileira TAM está se equipando com Airbus A-319
em que a poltrona do meio é 4 centímetros
mais larga que as demais. É um alívio para
o pesadelo de viajar espremido entre dois estranhos. A British
Airways incluiu entre os comissários de suas rotas
internacionais os "embaixadores do bem-estar", uma equipe
treinada para lidar com os efeitos negativos da diferença
de fuso horário. Eles dão dicas sobre quando
e o que comer, os melhores horários para uma soneca
e dizem qual o momento ideal para acertar o relógio
com a hora do país de destino. Há três
meses, a Varig vem aliviando a ansiedade dos fumantes oferecendo
chicletes de nicotina aos passageiros internacionais. Viciados,
seja em celular, seja em cigarros, já podem viajar
tranqüilos.