Edição 1 658 - 19/7/2000

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Triiimmm no ar

Já é possível usar o próprio celular
para fazer e receber ligações em vôo

Está com os dias contados um dos derradeiros locais a salvo de telefones celulares: os aviões em vôo. A companhia inglesa Virgin Atlantic já está oferecendo aos passageiros a possibilidade de fazer e receber ligações de dentro de suas aeronaves usando o próprio número de celular. O sistema funciona como o serviço de transferência de chamada, conhecido como "siga-me", oferecido normalmente pelas empresas de telefonia no Brasil. Ao entrar no avião, o passageiro habilita o telefone de bordo – há um para cada assento nas aeronaves da Virgin – usando um cartão magnético fornecido por sua operadora de celular. Dali em diante, todas as ligações feitas para seu número de telefone poderão ser atendidas no aparelho do avião. Para ligar para alguém no solo, o viajante usa o mesmo equipamento, como se fosse seu celular. O sistema pode ser utilizado em todo o vôo, exceto durante a decolagem e o pouso.

A novidade une a telefonia móvel ao recurso dos telefones de bordo, atualmente oferecido por diversas companhias de aviação. A diferença é a comodidade. O passageiro pode receber e fazer ligações no número de seu celular. O preço é similar ao do telefone aéreo convencional, em torno de 10 dólares o minuto, dependendo evidentemente do cobrado pela companhia de telefonia móvel. No sistema da Virgin, o passageiro recebe a cobrança em sua conta e, como nos serviços de roaming, que permitem fazer e receber ligações fora da área de cobertura local, arca com os custos da transferência para o avião. Quem faz a chamada paga a tarifa normal. Ligações para o celular em vôo são transferidas pela operadora para uma central da empresa aérea que as retransmite, via satélite, para a aeronave. Chamadas originadas no avião seguem o caminho inverso. O procedimento não oferece riscos ao vôo, ao contrário de aparelhos eletrônicos, como computadores e o próprio celular. Esses equipamentos geram um campo eletromagnético que pode interferir nos sensores das aeronaves. "As interferências podem provocar o desligamento do piloto automático, atrapalhar a leitura de informações na cabine e até levar o avião a fazer curvas não programadas", explica o piloto Marco Aurélio Rocha, da TAM. Os telefones de bordo utilizam ondas de rádio e têm a freqüência monitorada para evitar perturbações nas comunicações entre as aeronaves e a torre de controle.

A solução do problema do celular no avião é mais uma ferramenta na acirrada competição das companhias aéreas por clientes. A American Airlines, maior empresa do ramo nos Estados Unidos, está investindo 400 milhões de dólares na reforma de suas aeronaves para oferecer mais espaço aos passageiros. A brasileira TAM está se equipando com Airbus A-319 em que a poltrona do meio é 4 centímetros mais larga que as demais. É um alívio para o pesadelo de viajar espremido entre dois estranhos. A British Airways incluiu entre os comissários de suas rotas internacionais os "embaixadores do bem-estar", uma equipe treinada para lidar com os efeitos negativos da diferença de fuso horário. Eles dão dicas sobre quando e o que comer, os melhores horários para uma soneca e dizem qual o momento ideal para acertar o relógio com a hora do país de destino. Há três meses, a Varig vem aliviando a ansiedade dos fumantes oferecendo chicletes de nicotina aos passageiros internacionais. Viciados, seja em celular, seja em cigarros, já podem viajar tranqüilos.

 


Fotos de Bia Parreias Boeing/TH Ledoux, Photo Disc