Edição 1 658 - 19/7/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
A Aids ameaça despovoar o continente
Os 100 anos da rainha-mãe
Um país com mania de manifestações
Governo italiano vende imóveis históricos

Geral
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Os mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


É a vovozinha!

A longa festa dos 100 anos da rainha-mãe,
a figura mais popular da realeza inglesa



AFP
Elizabeth: ela adora festas e bebidas e está sempre sorridente


A vovó mais querida da Inglaterra está completando 100 anos de vida. Nascida em 4 de agosto de 1900, Elizabeth Angela Marguerite Bowes-Lyon, mãe da rainha Elizabeth II, já começou a comemorar o centenário com os súditos, que a consideram a figura mais simpática da monarquia. Na terça-feira da semana passada, quatro gerações da família real se encontraram na Catedral de Saint Paul, em Londres, para uma missa de ação de graças. Foi apenas o começo. Nesta quarta-feira, bandas militares, um coral, uma orquestra, milhares de pessoas, cães e até camelos vão percorrer as ruas londrinas num megadesfile em homenagem à mamãe rainha, seu apelido mais carinhoso. Até o dia 4, a aniversariante receberá congratulações por seu maior feito: ter se mantido viva por um século.

O carisma da boa velhinha foi construído em cima de sua figura de pessoa mais atraente e inofensiva da família real. Desde que perdeu o marido, o rei George VI, em 1952, a rainha-mãe não faz outra coisa senão sorrir, dar tchauzinho para quem lhe aparece pela frente e organizar festas, de preferência as que varam a madrugada. O namoro com a população remonta à II Guerra Mundial, quando se recusou a buscar refúgio nos Estados Unidos e costumava visitar os bairros de Londres mais atingidos pelos bombardeios inimigos, conquistando a simpatia local. O que ocorria do lado de dentro dos portões de Buckingham, contudo, é menos conhecido. O pouco que se sabe está longe de corresponder à imagem de boa velhinha. O centenário é a ocasião ideal para que os fofoqueiros da realeza exponham a roupa suja.

O que se diz contra a rainha-mãe é que dava palpites infelizes na política inglesa e tentou impedir que Winston Churchill se tornasse primeiro-ministro. O pecado é imperdoável do ponto de vista inglês, pois a mulher do rei (ou, atualmente, o marido da rainha) não tem o direito de se meter em assuntos de Estado. Desgosto mesmo ela teve com a filha mais nova, Margaret, a quem perseguiu implacavelmente por causa do amor da jovem por um homem divorciado e plebeu. Sem remorsos, assistiu ao definhamento psicológico da princesa, que acabou neurótica. Nada disso abala o apreço dos ingleses, povo que não considera a implicância um defeito. Além do mais, tudo se perdoa a quem tem 100 anos.

Com a morte do rei, Elizabeth, a filha mais velha, subiu ao trono, que ocupa até hoje. À viúva coube assumir o papel de rainha-mãe. Deu-se bem. As festas em seus palácios tornaram-se ainda mais freqüentes e animadas. Todo mundo sabe que gosta de uns goles de gim, com ou sem tônica. Perdulária, estima-se que sua conta bancária apresente um rombo de mais de 6 milhões de dólares. "Se houvesse dois gastadores como ela na realeza, os cofres já estariam vazios", ironiza um amigo. É servida em seu castelo por mais de quarenta empregados. Sua saúde está ótima, só não se deve perguntar. Ela detesta comentários a respeito e nunca se queixa de dores. A vista está cansada, mas se nega a usar óculos. Também não gosta das duas bengalas que passou a empunhar depois de se submeter a duas cirurgias nos quadris.

As celebrações seguem um protocolo estrito ditado por ela. Proibiu o uso de perfumes fortes e loções pós-barba, que não tolera. Aos asmáticos pediu que não apareçam, já que podem ser acometidos de crises respiratórias provocadas por seus cães. Proprietária de cavalos e amante das corridas e das apostas, recomendou que o tema faça parte das conversas. Homens devem trajar terno e gravata, mulheres, saias, jamais calças compridas. Na apresentação, os convivas curvam-se em reverência e os apertos de mão se limitam ao "mais breve dos toques". Fotografias são permitidas, mas as câmaras devem permanecer escondidas até que ela autorize o clique. Chatice? A aniversariante tem direito.

 
Saiba mais
Dos arquivos de VEJA
  A coroa sobrevive