É a vovozinha!
A longa festa dos 100 anos da rainha-mãe,
a figura mais popular da realeza inglesa
AFP
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| Elizabeth: ela adora festas e bebidas
e está sempre sorridente |
A vovó mais querida da Inglaterra está completando
100 anos de vida. Nascida em 4 de agosto de 1900, Elizabeth
Angela Marguerite Bowes-Lyon, mãe da rainha Elizabeth
II, já começou a comemorar o centenário
com os súditos, que a consideram a figura mais simpática
da monarquia. Na terça-feira da semana passada, quatro
gerações da família real se encontraram
na Catedral de Saint Paul, em Londres, para uma missa de
ação de graças. Foi apenas o começo.
Nesta quarta-feira, bandas militares, um coral, uma orquestra,
milhares de pessoas, cães e até camelos vão
percorrer as ruas londrinas num megadesfile em homenagem
à mamãe rainha, seu apelido mais carinhoso.
Até o dia 4, a aniversariante receberá congratulações
por seu maior feito: ter se mantido viva por um século.
O carisma da boa velhinha foi construído em cima
de sua figura de pessoa mais atraente e inofensiva da família
real. Desde que perdeu o marido, o rei George VI, em 1952,
a rainha-mãe não faz outra coisa senão
sorrir, dar tchauzinho para quem lhe aparece pela frente
e organizar festas, de preferência as que varam a
madrugada. O namoro com a população remonta
à II Guerra Mundial, quando se recusou a buscar refúgio
nos Estados Unidos e costumava visitar os bairros de Londres
mais atingidos pelos bombardeios inimigos, conquistando
a simpatia local. O que ocorria do lado de dentro dos portões
de Buckingham, contudo, é menos conhecido. O pouco
que se sabe está longe de corresponder à imagem
de boa velhinha. O centenário é a ocasião
ideal para que os fofoqueiros da realeza exponham a roupa
suja.
O que se diz contra a rainha-mãe é que dava
palpites infelizes na política inglesa e tentou impedir
que Winston Churchill se tornasse primeiro-ministro. O pecado
é imperdoável do ponto de vista inglês,
pois a mulher do rei (ou, atualmente, o marido da rainha)
não tem o direito de se meter em assuntos de Estado.
Desgosto mesmo ela teve com a filha mais nova, Margaret,
a quem perseguiu implacavelmente por causa do amor da jovem
por um homem divorciado e plebeu. Sem remorsos, assistiu
ao definhamento psicológico da princesa, que acabou
neurótica. Nada disso abala o apreço dos ingleses,
povo que não considera a implicância um defeito.
Além do mais, tudo se perdoa a quem tem 100 anos.
Com a morte do rei, Elizabeth, a filha mais velha, subiu
ao trono, que ocupa até hoje. À viúva
coube assumir o papel de rainha-mãe. Deu-se bem.
As festas em seus palácios tornaram-se ainda mais
freqüentes e animadas. Todo mundo sabe que gosta de
uns goles de gim, com ou sem tônica. Perdulária,
estima-se que sua conta bancária apresente um rombo
de mais de 6 milhões de dólares. "Se houvesse
dois gastadores como ela na realeza, os cofres já
estariam vazios", ironiza um amigo. É servida em
seu castelo por mais de quarenta empregados. Sua saúde
está ótima, só não se deve perguntar.
Ela detesta comentários a respeito e nunca se queixa
de dores. A vista está cansada, mas se nega a usar
óculos. Também não gosta das duas bengalas
que passou a empunhar depois de se submeter a duas cirurgias
nos quadris.
As celebrações seguem um protocolo estrito
ditado por ela. Proibiu o uso de perfumes fortes e loções
pós-barba, que não tolera. Aos asmáticos
pediu que não apareçam, já que podem
ser acometidos de crises respiratórias provocadas
por seus cães. Proprietária de cavalos e amante
das corridas e das apostas, recomendou que o tema faça
parte das conversas. Homens devem trajar terno e gravata,
mulheres, saias, jamais calças compridas. Na apresentação,
os convivas curvam-se em reverência e os apertos de
mão se limitam ao "mais breve dos toques". Fotografias
são permitidas, mas as câmaras devem permanecer
escondidas até que ela autorize o clique. Chatice?
A aniversariante tem direito.
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