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Edição 1 756 - 19 de junho de 2002
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Quanto se gasta para deixar
o apartamento novo em
condições de receber a mobília

Quem compra um apartamento sonha com o dia de pegar logo as chaves, para mudar o quanto antes. Entre um momento e outro, porém, há considerável soma a gastar. Só com muito sacrifício uma família consegue viver num local sem janela na área de serviço nem pisos adequados nos quartos, com lâmpadas nuas pendendo do teto, o sol atravessando as vidraças, a fumaça do fogão virando gordura pelas paredes e a água escorrendo fria de todas as torneiras. Por essa razão, antes de mudar, é preciso escolher, comprar e instalar um sem-número de peças e acabamentos – coisas que não estão incluídas na construção. Tudo isso vai dar um toque pessoal ao novo endereço, o que é bom, mas exige que se chegue a esse momento com boa reserva no banco. Quem pode contratar um profissional, arquiteto ou decorador, vai poupar trabalho e terá resultados quase garantidos sem bater perna atrás de lojas, eletricistas e marceneiros. Do contrário, paciência e calculadora serão dois ingredientes bastante úteis para começar a tarefa. "Dependendo do trabalho que será feito e do tipo de material, o custo pode chegar a um terço do valor pago pelo imóvel", diz o arquiteto Neto Porpino, de São Paulo.

Uma boa regra é folhear muitas revistas e visitar lojas de decoração e acabamentos antes de tomar qualquer decisão. Outra é levar em consideração o padrão do imóvel, conforme seu tamanho, a localização e a decoração das áreas comuns. Isso evitará que, da porta para dentro, o apartamento não combine com o exterior. A menos que você não tenha interesse em poder recuperar, um dia, o investimento, é bom desviar-se de luxos incompatíveis com o restante do condomínio. Em certos casos, nem é possível instalar aquela banheira de hidromassagem dentro do minúsculo espaço disponível ou simplesmente não vai fazer sentido colocar o lustre com pingentes num pé-direito tão baixo. Depois de se conformar com esse tipo de restrição, vale a pena conhecer pessoalmente os materiais, fazer orçamentos e entrevistar os vendedores e os amigos que já tenham utilizado peças como as que você deseja.

Enquanto isso, nenhum cheque deve ser preenchido. Lembre que é muito chato ter de trocar luminárias que exigiriam mais potência que a disponível na instalação de sua sala. Ou que pode ser pior ainda conviver, por anos, com metais de banheiro que não combinam com as maçanetas – coisa que só você vê, mas que realmente incomoda. Uma boa saída para chegar a médio prazo à decoração de seus sonhos é providenciar em definitivo apenas os elementos mais difíceis de trocar no futuro, como os armários e a coifa, e optar por descartáveis para detalhes que, depois, com mais folga, poderão ser refeitos. Para alguns itens, como o piso, também se podem procurar soluções mais simples que têm efeito muito parecido com o das sofisticadas. Um piso de madeira, por exemplo, tanto pode ser de tábua corrida, a 100 reais o metro quadrado, quanto de taco, por 20 reais. "Diferentemente de cortinas e lustres, que podem ser substituídos com facilidade, na hora de colocar pisos e armários é melhor não fazer nada provisório e optar logo pelas peças definitivas", diz a arquiteta paulista Brunete Fraccaroli.

 
Fotos Frederico Bush/Luis Gomes/Eduardo Pozella/Ricardo Correa/Jorge Butsuem

 

 
 
   
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