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O
mercado nosso de cada dia
Gildo Lima/Ag. A Tarde/AE
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| O
discurso de Lula ainda não convenceu o mercado |
Uma
das idéias de Karl Marx (1818-1883) que sobreviveram ao desmanche
do comunismo real é a constatação de que as pessoas
e os países não são aquilo que julgam ser. O essencial
é como são percebidos pelos outros. Boa lição
para o PT de Luís Inácio Lula da Silva. Por mais que exista
um componente especulativo forte no enlouquecimento da economia nas últimas
semanas, é fato que Lula e seu partido ainda não convenceram
o mercado de que uma vez no governo terão o mesmo compromisso com
a estabilidade e a modernidade que marcam a atual administração.
Em suas manifestações a respeito do comportamento caótico
do mercado, Lula parece entender que seria viável tentar viver
sem ele. Não foi no passado. Não é agora. No campo
da normalidade não há outra saída a não ser
conviver com as forças econômicas globais, tirar delas algum
proveito e procurar não desafiá-las. Pelo menos enquanto
o Brasil for um país dependente do fluxo de capitais estrangeiros
para crescer, gerar empregos e fechar suas contas.
O melhor que o PT pode fazer em favor da estabilidade dos mercados, em
vez de esbravejar como tem feito, é sair logo da puberdade socialista
e mostrar, preto no branco, como pretende manter o país no rumo
da modernidade e da estabilidade. Com uma demonstração dessas,
sem rodeios, o candidato petista deixaria provavelmente de continuar fornecendo
combustível para as crises e para os adversários tucanos
que, segundo ele, se aproveitam delas e até estariam ajudando a
produzi-las. Ao incentivar o temor de que o Brasil possa virar uma Argentina
caso o presidente eleito neste ano não seja o candidato tucano,
o governo fez um jogo eleitoral. Certamente não quis gerar uma
crise real, mas pode ter trazido para dentro da vigência do mandato
de Fernando Henrique parte do caos que está prevendo para o governo
de um eventual sucessor de outra legenda, Lula. Crises financeiras são
como as reações em cadeia. É fácil induzi-las
e quase impossível controlá-las. Sabe-se como começam,
mas não como terminam. Veja
reportagem.
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