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Edição 1 756 - 19 de junho de 2002
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O mercado nosso de cada dia


Gildo Lima/Ag. A Tarde/AE
O discurso de Lula ainda não convenceu o mercado

Uma das idéias de Karl Marx (1818-1883) que sobreviveram ao desmanche do comunismo real é a constatação de que as pessoas e os países não são aquilo que julgam ser. O essencial é como são percebidos pelos outros. Boa lição para o PT de Luís Inácio Lula da Silva. Por mais que exista um componente especulativo forte no enlouquecimento da economia nas últimas semanas, é fato que Lula e seu partido ainda não convenceram o mercado de que uma vez no governo terão o mesmo compromisso com a estabilidade e a modernidade que marcam a atual administração. Em suas manifestações a respeito do comportamento caótico do mercado, Lula parece entender que seria viável tentar viver sem ele. Não foi no passado. Não é agora. No campo da normalidade não há outra saída a não ser conviver com as forças econômicas globais, tirar delas algum proveito e procurar não desafiá-las. Pelo menos enquanto o Brasil for um país dependente do fluxo de capitais estrangeiros para crescer, gerar empregos e fechar suas contas.

O melhor que o PT pode fazer em favor da estabilidade dos mercados, em vez de esbravejar como tem feito, é sair logo da puberdade socialista e mostrar, preto no branco, como pretende manter o país no rumo da modernidade e da estabilidade. Com uma demonstração dessas, sem rodeios, o candidato petista deixaria provavelmente de continuar fornecendo combustível para as crises e para os adversários tucanos que, segundo ele, se aproveitam delas e até estariam ajudando a produzi-las. Ao incentivar o temor de que o Brasil possa virar uma Argentina caso o presidente eleito neste ano não seja o candidato tucano, o governo fez um jogo eleitoral. Certamente não quis gerar uma crise real, mas pode ter trazido para dentro da vigência do mandato de Fernando Henrique parte do caos que está prevendo para o governo de um eventual sucessor de outra legenda, Lula. Crises financeiras são como as reações em cadeia. É fácil induzi-las e quase impossível controlá-las. Sabe-se como começam, mas não como terminam. Veja reportagem.

 
 
   
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