Edição 1854 . 19 de maio de 2004

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Música
Falcão é um gatão

Assim pensam as mulheres sobre o cantor
que
conquistou Deborah Secco


Sérgio Martins

 
Divulgação
Falcão e Deborah (em foto da revista Vizoo): declaração de amor no pé direito

Para ouvir: músicas do CD O Silêncio que Precede o Esporro

Quanto mais fazem sucesso, mais os novos ídolos do pop brasileiro se vêem enroscados num dilema: como manter-se fiéis às raízes e ao mesmo tempo habitar o mundo das celebridades? Ao contrário do que aconteceu com a primeira geração do rock nacional, cujo perfil era de classe média e classe média alta, as bandas que hoje mais entusiasmam a garotada, como Charlie Brown Jr., Planet Hemp ou O Rappa, têm integrantes que saíram de famílias pobres. Elas ganharam reconhecimento com atitudes de rebeldia, letras de denúncia social e discursos que exaltam sua "comunidade". Quando julgam que eles traíram as origens, os seus fãs mais radicais podem ser impiedosos. O Charlie Brown Jr. foi malhado por fazer propaganda de uma marca de refrigerante, e o cantor Marcelo D2, do Planet Hemp, por tocar numa butique grã-fina de São Paulo. Agora é o cantor carioca Marcelo Falcão, de 31 anos, que tem seus passos observados. Nos onze anos de existência de seu grupo, O Rappa, que já vendeu 1,3 milhão de discos e faz uma média de doze shows por mês, ele manteve um perfil discreto. Mas nos últimos meses foi empurrado para os holofotes pelas mãos macias de Deborah Secco, a mais espevitada das atrizes brasileiras. Enquanto o cantor relutava em tornar público um romance entre os dois, Deborah, de 24 anos, não poupou esforços para divulgá-lo: ela tatuou no pé direito os dizeres "Falcão – Amor verdadeiro – Amor eterno". Bem entendido, ninguém condena Falcão por namorar a beldade. "O fundamental é ele não se deslumbrar e continuar com o jeito simples dele", explica Joana Cardoso Lopes dos Santos, presidente do fã-clube FanRappa.

Não são apenas os fãs que temem que Falcão se deslumbre. Os outros integrantes de sua banda têm manifestado um certo incômodo com o novo tipo de celebridade alcançado pelo cantor. Mas a verdade é que, por enquanto, ele não deu motivos para preocupação. Não se cansa de reiterar, por exemplo, sua paixão por uma certa "sopa de veia" servida num boteco da zona portuária do Rio de Janeiro. Mantém firme seu engajamento na ONG Fase Solidariedade e Educação, que ajuda a fomentar a vocação artística entre jovens pobres. E é sempre bom lembrar que o assédio feminino não é exatamente uma novidade para ele. Falcão causa furor entre as meninas que vão aos seus shows. "Ele tem aquele visual largadão e um jeito de pegador. A mulherada adora", diz uma amiga. Há quem o compare, por causa das tranças rastafári, do tipo de música que canta e do "magnetismo animal" que transmite, ao criador do reggae, Bob Marley. Exagero, é claro, tanto do ponto de vista musical quanto do ponto de vista do comportamento. Marley costumava dizer: "Quero ter tantas mulheres quanto há conchas no mar". Falcão é um rapaz contido. Antes de Deborah Secco, ele namorou a sério com a modelo Diana Bouth, apresentadora de um programa de esportes radicais e enteada de Branco Mello, cantor dos Titãs, e foi casado com uma francesa, Lauriane Cindy, com quem teve o filho Kayon, de 1 ano e meio. O menino é o grande xodó do cantor.

 
 
 
 
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