Edição 1854 . 19 de maio de 2004

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Televisão
Serviço bem-feito

Cláudia Rodrigues firma seu nome
de comediante no seriado A Diarista


Ricardo Valladares


Divulgação
Cláudia: a comédia como terapia

No começo dos anos 90, o irmão de Cláudia Rodrigues cometeu suicídio, seu pai morreu e sua mãe afundou na depressão. Com a família esfacelada, ela decidiu que a comédia ia ser sua terapia. "Diziam que eu era a palhaça da casa. Levei a idéia a sério", conta. Formada em educação física e professora de natação, Cláudia ingressou no teatro e, em 1996, foi descoberta pela Rede Globo, que a escalou para a novelinha Caça-Talentos, então um quadro no programa infantil de Angélica. Os sete anos seguintes foram de ascensão na emissora e culminaram, um mês atrás, na estréia do seriado A Diarista. Escrito por Glória Perez, o programa é inteiramente calcado na personagem de Cláudia, a empregada Marinete, e vai ao ar na terça-feira à noite, depois do Casseta & Planeta Urgente. Embora comece tarde, na seqüência de uma atração cômica já consagrada, A Diarista tem mantido uma boa média de audiência – 26 pontos – e confirmou Cláudia Rodrigues, de 32 anos, como um nome importante do novo humor brasileiro.

A empregada doméstica é uma antiqüíssima freqüentadora dos programas humorísticos. A própria Cláudia já havia desempenhado esse papel. Como a Sirene do extinto Sai de Baixo, popularizou o bordão "Sou pobre, mas sou limpinha". Tradicionalmente, as empregadas foram um bom veículo para a sátira por causa de sua posição peculiar nos lares brasileiros: alguém que trabalha para a família, mas em certo sentido também faz parte dela. A diarista de Cláudia, no entanto, é um pouco diferente disso: a cada programa está numa casa e, enquanto passa roupa ou varre a sala, conversa com as amigas pelo telefone celular, fazendo comentários ácidos ou absurdos. Com sua voz ardida e seu jeitão debochado, a atriz faz um humor de apelo bem popular – conforme a Globo já comprovou numa pesquisa. "Embora as classes A e B não rejeitem A Diarista, elas parecem ter uma certa vergonha de assistir ao programa. Estamos acrescentando personagens mais classudos à receita para segurar esse público", diz o diretor José Alvarenga. Cláudia, enquanto isso, continua à procura de lugares estranhos onde pendurar o celular de Marinete, como a alça do sutiã. E explica que mudou de penteado para compor a personagem. "Eu frisei os cabelos. É como se a Marinete tivesse feito um alisamento que não deu certo", diz ela.

 
 
 
 
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