Edição 1854 . 19 de maio de 2004

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Medicina
Ataque fulminante

Combinação de remédios é a arma
mais eficaz contra altos níveis de
colesterol ruim

VEJA Saúde

Combinar uma substância chamada ezetimibe com uma estatina significa dar um tiro no colesterol alto. Essa associação é capaz de reduzir em até 70% as taxas de LDL, o colesterol ruim. A combinação é tão promissora que o laboratório Merck Sharpe & Dhome resolveu lançar um remédio que junta, num só comprimido, a estatina sinvastatina (cuja marca mais famosa é a Zocor) e o ezetimibe (vendido sob o nome comercial de Ezetrol). A novidade começará a ser vendida no primeiro semestre de 2005 e deverá acirrar ainda mais a disputa pelo concorridíssimo mercado mundial de inibidores de colesterol. Esses medicamentos movimentam cerca de 20 bilhões de dólares por ano, no mundo inteiro. De todos os remédios anti-LDL, as estatinas são as mais comercializadas. Cem milhões de pessoas consomem os medicamentos que as têm como princípio ativo.

Surgidas em meados dos anos 80, as estatinas revolucionaram a prevenção e o tratamento do colesterol alto, um dos piores inimigos do coração. A mais nova e a mais potente delas é a rosuvastatina, vendida sob o nome de Crestor, do laboratório AstraZeneca. Há pouco mais de um mês nas farmácias, a rosuvastatina reduz em pouco mais de 60% a quantidade de LDL, quando administrada isoladamente. Até a chegada das estatinas, a única arma eficaz contra o problema era a combinação de dieta balanceada com exercícios físicos – uma receita que não funciona para todo mundo, já que a quantidade de colesterol no organismo tem um forte componente genético. Ao associar uma das estatinas com o ezetimibe, ataca-se o mal por duas frentes. As estatinas agem diretamente no fígado, diminuindo a produção de LDL. O ezetimibe atua no intestino, dificultando a absorção do colesterol ruim, proveniente sobretudo da alimentação.

Do total de colesterol circulante na corrente sanguínea, 70% são produzidos pelo próprio organismo, no fígado. Os 30% restantes vêm da alimentação. O fígado produz tanto o colesterol bom, o HDL, quanto o LDL. O bom funciona como uma espécie de lixeiro dos vasos sanguíneos, removendo as placas de gordura das paredes das artérias. O LDL serve de matéria-prima na produção de hormônios e vitamina D, além de ajudar na formação das membranas das células. O problema surge quando há excesso de LDL circulando pela corrente sanguínea. Nesses casos, ele se acumula na parede das artérias, o que pode levar ao seu entupimento e, conseqüentemente, a infartos e derrames. Grandes quantidades de LDL triplicam os riscos de doenças cardiovasculares.

 

 
 
 
 
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