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São
Paulo
O
imposto baixou
O
governo paulista reduz o ICMS e tem até
ganhos na arrecadação no setor de álcool

Maurício
Capela
Sebastião Moreira/AE
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| Fábrica
de calçados em Franca: o corte garantiu o nível de emprego na
região |
Estabelecer
uma boa relação entre imposto e arrecadação
é um tormento para dez de cada dez governantes. De um lado,
há o temor de que um aumento dos tributos tire votos na próxima
eleição. De outro, teme-se que uma diminuição
dos impostos prejudique a receita e comprometa a eficiência
e a capacidade de investimento do poder público. Na dúvida,
opta-se em geral pela criação de contribuições
provisórias que mais tarde se efetivam. No Estado de São
Paulo, já dá para fazer as contas de uma experiência
diferente, daquelas que podem virar exemplo para outros governos.
A unidade mais rica da federação, dona de mais de
30% do produto interno bruto, segundo os dados disponíveis
de 2001, baixou a alíquota de seu principal tributo para
mais de uma dezena de setores da economia. O imposto sobre circulação
de mercadorias e serviços (ICMS) representa 85% do total
da receita estadual, que no ano passado foi de 52 bilhões
de reais. Feitos os primeiros cálculos, percebe-se que a
redução não teve impacto na arrecadação.
"Além de não ter ocorrido queda, aconteceu, no caso
do álcool combustível, até mesmo um aumento
da receita", comemora o secretário da Fazenda do governo
Geraldo Alckmin, Eduardo Refinetti Guardia.
Desde
dezembro do ano passado, o Estado reduziu de 25% para 12% a alíquota
de ICMS sobre o álcool combustível. O alvo principal
era a sonegação, que ganhava corpo nas transações
interestaduais. Na venda de álcool para outros Estados, São
Paulo ficava com uma cota de imposto menor do que a praticada internamente.
Como o ICMS de alguns Estados compradores também era mais
baixo, compensava, para empresários inescrupulosos, a simulação
de operações de venda em que as notas fiscais eram
emitidas para outras regiões, num processo em que o álcool
acabava vendido localmente como se tivesse sido produzido fora de
São Paulo. Com a redução da alíquota,
a manobra perdeu o sentido. Reflexo disso foi um aumento da arrecadação,
cujo valor ainda não é revelado, além da queda
na informalidade no setor.
Epitácio Pessoa/AE
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| O
governador Alckmin: medidas contra a sonegação e a favor da
competitividade |
Nas
indústrias calçadista e têxtil, houve diminuição
de ICMS para melhorar o grau de competitividade dos produtos desses
setores. Nesses casos, a alíquota foi reduzida somente sobre
a etapa relativa à venda da fábrica para o comércio,
o que acabou significando uma queda de 6 pontos porcentuais na taxa
de imposto. Na ponta da cadeia, o tributo continua sendo de 18%.
Mesmo assim, a medida foi suficiente para pôr um fim na desvantagem
que os fabricantes paulistas de calçados e roupas tinham
ao vender seus produtos para as lojas concorrendo com empresas de
outros Estados. A decisão arrancou aplausos da Associação
Brasileira da Indústria Têxtil e do sindicato da indústria
de calçados de Franca, a qual responde por metade dos 41.000
empregos que o setor gera no Estado. "A queda da alíquota
foi fundamental para manter o nível da oferta de emprego
do setor na região", diz Elcio Jacometti, presidente do sindicato
dos calçadistas de Franca.
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