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Olimpíadas
A diferença no detalhe
Novas
tecnologias ajudam
atletas a lutar
pelos
centésimos de segundo
em Atenas
Fotos divulgação
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RÁPIDA
NO TÚNEL DE VENTO
A Swift Suit, da Nike, tem diferentes tecidos em cada parte
do
corpo para melhorar a aerodinâmica. Ganho previsto nos
100 metros rasos: 0,03 segundo
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O
velocista americano Tim Montgomery bateu o recorde mundial dos 100
metros rasos com a impressionante marca de 9,78 segundos, em 2002.
Significa que ele foi 0,01 segundo mais rápido do que o recordista
anterior. Num universo onde centésimos de segundo fazem tanta
diferença, o sucesso pode estar num detalhe na roupa
ou no calçado que o atleta usa, por exemplo. É isso
que dá sentido ao investimento feito pela Nike no desenvolvimento
de um traje capaz de tornar um corredor de elite três centésimos
de segundo mais rápido. Esse é o resultado aferido
nos testes realizados pela empresa em túneis de vento, similares
àqueles usados por equipes de Fórmula 1 para verificar
a aerodinâmica dos seus carros. Chamada de Swift Suit, a vestimenta
é uma das novidades tecnológicas que os fabricantes
de material esportivo planejam lançar nos Jogos Olímpicos
de Atenas, que começam em agosto.
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COM
JEITO DE PEIXE GRANDE
FastSkin, da Speedo, reduz em até 8% o atrito do corpo do nadador
com a água, fazendo-o deslizar mais rápido na piscina |
De
olho no cronômetro, as empresas passaram a convocar seus atletas
de ponta para palpitar nos novos produtos. O Projeto Swift da Nike,
um conjunto de roupas de alta performance para vários esportes,
contou com a participação de nomes de peso, como o
ciclista americano Lance Armstrong, dono de cinco títulos
da Volta da França, para chegar ao desenho final de seus
modelos. O macacão Swift pode dar até 39 segundos
de vantagem em 55 quilômetros de pedalagem. O segredo é
a aerodinâmica. Os designers mediram a velocidade do vento
em diferentes partes do corpo do atleta e, a partir daí,
escolheram tecidos com texturas apropriadas para cada região,
diminuindo a resistência do ar e da água. A busca pelo
detalhe levou a Nike a projetar uma sapatilha de salto alto, a Monsterfly.
Projetado para provas de 100 metros rasos, o calçado é
muito leve, com apenas 192,7 gramas. O salto alto decorre de estudos
que mostram que o cansaço nos últimos 30 metros da
prova faz o atleta tocar o calcanhar no chão, perdendo potência
e velocidade. A Monsterfly ajuda-o a correr na ponta dos pés
durante toda a corrida.
A
Adidas também recorreu ao know-how dos seus melhores esportistas
para preparar lançamentos. A empresa focou sua atenção
no bem-estar dos atletas durante as provas. Com assessoria do etíope
Haile Gebrselassie, recordista mundial da maratona de 10.000 metros,
o fabricante alemão criou um tecido térmico que elimina
com rapidez o suor do corpo. O resultado é uma roupa que
não só mantém o atleta seco, mas também
na temperatura ideal. É um detalhe importante, uma vez que
75% da energia do corpo é usada para regular sua temperatura.
Com isso, a força do atleta pode ser canalizada para melhorar
seu desempenho. A Speedo lançou a segunda versão da
FastSkin, roupa com textura de pele de tubarão que diminui
em 8% o atrito do corpo do atleta com a água e faz com que
ele deslize com mais facilidade. A fórmula, que torna desnecessário
que os atletas raspem os pêlos do corpo para facilitar o deslizamento,
foi testada por Michael Phelps, o americano mais jovem a disputar
as Olimpíadas. A Adidas, por sua vez, produziu uma roupa
de natação com miniplacas nas costas, que facilitam
a passagem da água. Chamada de Jet Concept, será usada
nas Olimpíadas de Atenas por Ian Thorpe, o nadador australiano
conhecido como Torpedo devido a seu desempenho na piscina.
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SAPATILHA
COM SALTO
A Monsterfly, da Nike, evita que o velocista toque o calcanhar
no chão e perca velocidade no final da prova |
Há
também soluções tecnológicas para problemas
imperceptíveis à maioria das pessoas. O bico por onde
se enche a bola de futebol é um fator de desequilíbrio.
Em teoria, pode ser o responsável por aquele gol que o atacante
perdeu de forma inexplicável. A Adidas acredita ter corrigido
esse inconveniente colocando lastros para compensar o peso do bico.
Colocados em diferentes pontos dentro da redonda, eles deixam a
bola balanceada e o chute do jogador, mais preciso. Além
de ajudar os atletas a conquistar melhores tempos, as novas tecnologias
atuam como importante fator psicológico. "O atleta sente
mais confiança e pode ter um rendimento melhor", afirma o
alemão Bernd Feldmann, da Adidas. Os Jogos Olímpicos
sempre foram o palco ideal para o lançamento de novidades.
Toda essa parafernália não significa que recordes
mundiais serão derrubados um atrás do outro só
porque o nadador está usando uma roupa que o faz parecer
com um peixe. O que decide uma prova ainda é a dedicação
aos treinos e o imponderável. "Se o café-da-manhã
no dia da prova não cair bem, o atleta não terá
um bom desempenho", observa o americano Jordan Wand, diretor do
Projeto Swift. São imponderáveis que podem pôr
a perder o trabalho desenvolvido pelo atleta durante anos, não
importa a qualidade da roupa ou do calçado que use.
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Com
motor e computador
O desenvolvimento de novas tecnologias esportivas é
sempre bem-vindo ainda que algumas delas levem
a pensar sobre quem, afinal, precisa disso. O Adidas
1, que começará a ser vendido em dezembro,
é um tênis equipado com um microprocessador
capaz de realizar 1 000 cálculos por segundo
e motor para ajustar o sistema de amortecimento em tempo
real. A cada passo, sensores medem a distância
entre o calcanhar do corredor e o chão. O computador
avalia também as condições do terreno
e até mesmo o estilo de corrida de quem usa o
calçado. Um pequeno painel luminoso indica qual
é o ajuste desejado mais duro ou mais
macio. É um luxo para quem não se importa
em pagar 1.000 reais por um calçado que não
será usado em competições pelos
melhores atletas. Com 400 gramas, o Adidas 1 é
muito pesado para competição, e nenhum
atleta vai usá-lo em Atenas.
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