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Sexo
Yes,
queremos ser sexy
Vender
o Brasil como a terra da
sensualidade ainda funciona:
os ingleses compram

Silvia
Rogar, de Londres
Fotos JLE
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JLE
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| Vanessa,
a Madame V da marca de lingerie (à dir.), dá
aula de sedução na Selfridges: promoção
brasileira em Londres tem biquíni, desfile de moda, réplica
de quarto de motel e bateria de escola de samba |
Os
ingleses, como todo mundo sabe e o cinema, o teatro, a literatura
e as séries cômicas da BBC não se cansam de
mostrar, são frios, pouco emotivos e menos ainda criativos
na cama. Os brasileiros, ao contrário, são quentes
como pimenta e andam com suas emoções constantemente
sambando à flor da pele cor de canela. Explorando como podem
esses dois estereótipos nacionais, profissionais brasileiros
de diversas extrações estão vendendo o seu
peixinho nas gélidas ilhas britânicas. Nenhum lugar-comum
lhes é estranho. O lema "é brasileiro, é sexy"
virou uma espécie de marketing para atividades variadas,
que vão de aulas de samba a venda de lingerie. Na franja
mais afastada estão os shows de strip-tease e os notórios
rapazes de programa brasileiros, capazes de provocar paixões
de abalar o reino. "A inglesa está querendo se comunicar
mais com o corpo. E quem pode dar melhores dicas do que as brasileiras?
Somos as mulheres mais sensuais do mundo, encaramos o assunto como
estilo de vida", gaba-se a mineira Vanessa Senem, 30 anos, dona
da marca de lingeries Madame V e uma espécie de líder
do movimento de sedução para inglês ver. As
calcinhas e os sutiãs Madame V são parte dos 800 tipos
de produtos do Brasil à venda neste mês na loja de
departamentos Selfridges, que, como faz habitualmente com outros
países, promove uma feira batizada de Brasil 40º, em
parceria com o governo brasileiro. Ao lado da obrigatória
combinação Havaianas-cachaça-biquíni,
comparecem marcas como Reinaldo Lourenço e Carlos Miele e
objetos com o design dos irmãos Campana. Foram convocadas
ainda profissionais de beleza para botar a mão na cera e
mostrar a depilação à brasileira. Ou simplesmente
brazilian, como é chamada lá fora, uma combinação
de técnica e estilo que impressiona particularmente pelas
intervenções, digamos, na área da virilha.
Vanessa
lançou seus produtos em Londres há oito meses e a
promoção da Selfridges caiu do céu. Lá,
ganhou um cantinho especial: uma réplica de quarto de motel,
com cama redonda e espelhos. Na inauguração, jornalistas
e curiosas lotaram as aulas de sedução oferecidas
por Vanessa em pessoa as quais, garante, já ministrou
(em particular e sem cobrar um centavo) para gente como a modelo
Kate Moss e a estilista Stella McCartney. O que explica o interesse
que vem despertando a decantada sensualidade brasileira? "O país
passa por um momento cármico internacional", filosofa Vanessa,
num discurso vagamente afinado com o do Itamaraty sob o governo
Lula. Nascida em Belo Horizonte, ela se mudou aos 21 anos para a
Europa. Foi compradora de moda e relações-públicas
antes de abrir negócio próprio. A arte da sedução,
proclama, é um dom inato. "Sou femme fatale desde
os 5 anos de idade", apregoa. A grife Madame V vende na Inglaterra,
na Espanha e nos Estados Unidos as 1.200
peças na maioria, bem-comportadas até
que produz por mês numa fábrica em Minas Gerais. O
campeão de vendas na Selfridges até agora é
um conjunto de calcinha e sutiã com estampa de cerejinhas.
Combina com um colar que tem a fruta como pingente. "Faço
esses kits para o parceiro lembrar dos momentos íntimos em
outras situações, quando olhar para a bijuteria",
explica.
Vanessa
abre suas aulas recomendando que todas aprendam a ter os cuidados
estéticos da mulher brasileira. "Ela vai à manicure,
pedicure e depiladora religiosamente, para se sentir bem. A brasileira
se acha o máximo", ensina. Depois, pede às alunas
que requebrem os quadris, olhando nos olhos umas das outras
momento em que todas as jornalistas inglesas aproveitaram para se
entregar à melhor de todas as especialidades locais, o humor
autodepreciativo. "Ela abre seu 'livrinho de receitas'; meus olhos
correm pela página e noto as palavras 'mel' e 'genitais'
perigosamente próximas", escreveu Hadley Freeman no The
Guardian. Sem medo de ser acusada de denegrir a reputação
nacional ou de participar de alguma sinistra conspiração
neocolonialista, ela ri do que viu e ouviu: "A aula é cheia
de estereótipos. Mas me diverti, principalmente aprendendo
a fazer o olhar sensual para a paquera".
A
inglesa de origem indiana Shahida Lorente, casada com um brasileiro,
explora a vertente da sensualidade tropical há dez anos,
quando lançou a grife Exotica Knickers from Brazil
("calcinhas do Brasil"), que tem duas lojas em Londres. "Quando
abrimos a loja, a inglesa era mais conservadora. Agora está
mais aberta e querendo ficar mais sexy", anota. A única manifestação
da sensualidade brasuca a causar certa polêmica é a
que envolve estrelas dos clubes de strip-tease. Em Londres, hoje,
as brasileiras são maioria entre elas, hegemonia que compreensivelmente
desperta certa rivalidade. "Algumas não falam uma palavra
de inglês, mas fazem sucesso porque têm o corpo perfeito
à base de silicone e cirurgia plástica", sibila uma
experiente stripper inglesa. Em tempo: na intimidade do casal, a
cartilha de Madame V é contra o strip-tease. "Se o homem
tiver menos de 30 anos, corre o risco de cair na gargalhada. Melhor
preparar um jantar afrodisíaco", aconselha, num raro momento
de realismo.
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