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Realeza
Todas querem ser rainhas
Dois
príncipes se casam com duas
plebéias.
E, por instantes, o
mundo fica cor-de-rosa

Lizia
Bydlowski
Reuters
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NOIVA
DA TASMÂNIA
Frederik e Mary, o novo par real: onda de casamentos nobres
por motivo plebeu, o amor |
Em um momento de rara conjunção de más notícias,
em todos os cenários, nada como um casamento real
ou, melhor ainda, dois para aliviar corações
e olhos da plebéia audiência. Em Copenhague, na tarde
de sexta-feira, casaram-se em clima de euforia, para os padrões
nórdicos, o príncipe herdeiro Frederik, de quase encalhados
36 anos, e a advogada Mary Donaldson, 32, moça comum, sem
nada de relevante no currículo, fora a peculiaridade de vir
do outro lado do mundo, literalmente ela é da Tasmânia,
a exótica ilha pertencente à Austrália. Em
Madri, no próximo sábado, 22, casa-se o príncipe
herdeiro Felipe, da mesma idade que o amigo Frederik, com a jornalista
Letizia Ortiz, 31 ela, sim, cheia de histórias: ex-apresentadora
de TV, é famosa em seu país, foi casada e, pelo menos
até o noivado, declarava-se agnóstica. Desde que os
dois casamentos foram anunciados (o de Frederik, em outubro; o de
Felipe, em janeiro), Dinamarca, Espanha e, por tabela, Austrália
acompanham cada passo das jovens sem título que um dia serão
rainhas, com o misto de admiração e afeição
que plebeus e, principalmente, plebéias costumam dedicar
às cinderelas que saem do nada para se instalar no mundo
de fantasia das casas reais. É nesses momentos que a arcaica
instituição da monarquia mostra o poder que tem nos
regimes democráticos onde sobrevive: o de evocar mitos recorrentes.
AP
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LOIRA
HOMENAGEM
Meninas com tiara comemoram o casamento do príncipe herdeiro:
eterno mito |
Ao
contrário do que ocorreu com a mais famosa noiva real da
história recente Diana, suavemente empurrada para
os braços pouco ansiosos de Charles em virtude de duas qualidades:
era virgem e vinha de cepa nobre , a atual onda de casamentos
coroados é toda fruto do mais plebeu dos motivos, o amor.
Mary, filha de imigrantes escoceses, morava em Sydney, trabalhava
com publicidade e divertia-se com amigos em um bar (o Slip Inn,
hoje atração turística) quando lá entraram
Frederik e Felipe de Espanha, que estavam na cidade para as Olimpíadas
de 2000. O namoro começou aí, mas foi mantido em total
segredo por mais de um ano. No fim de 2001, ela se mudou para Paris;
em 2003, instalou-se em um apartamento em Copenhague, foi trabalhar
na Motorola local e dedicou-se à árdua mas imprescindível
tarefa de aprender dinamarquês. Não era a nora que
a rainha Margrethe pediu a Deus, mas, no mínimo, soube sossegar
o irrequieto príncipe herdeiro esportista, festeiro,
tatuado, namorador de cantoras e modelos de lingerie e amante da
boa vida (certa vez foi flagrado nu à beira de uma piscina
na Riviera Francesa). E ainda podia ser mais complicado: Máxima,
casada com o herdeiro da Holanda, é argentina e filha de
um ministro da ditadura; Mette Marit, da Noruega, tem um filho com
um ex-traficante de drogas.
Reuters
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OS
PRÓXIMOS
Letizia e Felipe em noite de gala: ela tem passado, mas, melhor
ainda, muito futuro |
Dura e pouco à vontade no começo, Mary, que tem um
professor de protocolo e uma professora de moda e estilo, já
fala o idioma com alguma desenvoltura, melhorou consideravelmente
a postura e aprendeu a acenar como princesa e a usar aquelas roupas
estranhas da realeza, que de perto parecem feitas de cortina, mas
de longe causam grande efeito. Na única entrevista que concedeu
desde o noivado, citou (quem mais?) Kierkegaard: "Ele disse: 'Ousar
é perder o pé por um momento. Não ousar é
se perder'. Acho que a vida é exatamente assim". Na semana
do casamento, com uma maratona de compromissos públicos e
convidados importantes, os dinamarqueses entraram em clima de festa.
A mais encantadora foi a que reuniu uma multidão de crianças
que pareciam saídas de um livro de contos de fada, para ficar
no clichê obrigatório, todas vestidas de príncipe
e princesa. O desfile em carruagem aberta depois do casamento
em que Frederik chorou ao ver Mary entrar, de vestido tradicional
e enorme cauda, ao lado do pai, de kilt foi visto de perto
por 250.000 pessoas. Como é previsível nessas ocasiões,
o apoio à monarquia da Dinamarca disparou chegou a
82%.
A
empolgação popular deve se repetir nesta semana na
Espanha, embora lá a futura rainha provoque muito mais trepidação
do que a tépida Mary. Letizia é independente ("Me
deixe terminar", disparou, quando Felipe tentou conter sua verborragia
no dia do anúncio do noivado), segura de si e acostumada
aos holofotes. Tem ex-marido e ex-namorados, e a possibilidade de
que fotos e fatos de seu passado venham à tona provoca calafrios
na casa real o pintor cubano radicado no México Waldo
Saavedra, a quem Letizia conheceu quando passou um ano no país,
assinou um nu com o rosto dela, mas garante que é "só
o rosto". "Fomos amigos", disse. Instalada em palácio desde
janeiro, Letizia, que deixou o emprego no dia do noivado, empenha-se
no curso intensivo de princesa. Procura limitar suas falas públicas
a "Olá, como vai?" e "Até logo". Abandonou o hábito
de mexer no cabelo, considerado provocante. O guarda-roupa, antes
limitado a terninhos e terninhos (Armani, de preferência),
aprimora-se dia a dia no concerto em Copenhague, na véspera
do casamento real, brilhou de saia vermelha e top estampado, com
ombros de fora. Bonita, magra e de eterno salto alto para diminuir
a diferença entre ela e o noivo de mais de 2 metros, Letizia
é candidata a um dia alcançar o deslumbrante patamar
da elegância que Diana deixou vago. Seria praticamente um
desvio de comportamento na realeza da Espanha, onde as mulheres
costumam combinar com as roupas desenxabidas. E uma alegria para
um mundo que anda precisando de um pouco de diversão.
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