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Comportamento
Bebê
com hora marcada
Por
comodidade, as mulheres optam cada
vez mais pela cesariana programada

Rosana
Zakabi
Caras
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| Caroline
Ribeiro, com João Felipe: "Preferi não arriscar"
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Houve um tempo em que as operações cesarianas eram
realizadas apenas quando o parto normal representava risco para
o bebê ou para a mãe. Mau posicionamento da criança
no útero, cordão umbilical enrolado em seu pescoço,
gestante hipertensa esses são exemplos clássicos
de problemas que fazem com que o médico recomende a ação
do bisturi. Nos últimos tempos, a essas justificativas para
a cirurgia se juntaram outras bem menos convencionais. Cada vez
mais mulheres, por comodidade, para evitar o sofrimento físico
ou mesmo para satisfazer caprichos, têm optado pela cesariana
programada. Com a anuência do médico, mas sem necessidade
real do ponto de vista fisiológico, elas marcam dia e hora
para o rebento vir ao mundo.
Ao
optarem pelo parto agendado, os pais podem escolher o dia mais adequado
para a visita de amigos e familiares e evitam adiar compromissos
de trabalho. Há quem prefira o agendamento simplesmente porque
simpatiza com a data escolhida. "Queríamos que o João
Victor nascesse no dia 9 de setembro de 1999 (9/9/99)", diz a publicitária
paulistana Roberta Lima, mulher do jogador de vôlei Maurício
Lima, da seleção brasileira. "Mas, como o nenê
ainda não estava pronto para nascer, remarcamos para o dia
19 (19/9/99)", ela conta. O nascimento da segunda filha do casal,
Maria Eduarda, foi programado para o dia 30 de junho de 2002, um
domingo coincidindo com a final da Copa do Mundo. "Assistimos
ao jogo na própria maternidade e, depois que o Cafu levantou
a taça, fui para a sala de cirurgia", diz Roberta. "Foi uma
data especial, em que todo o país estava com boas energias",
acredita.
Eduardo Pozella
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A modelo baiana Carolina Magalhães, neta do senador Antonio
Carlos Magalhães, antecipou o parto em uma semana porque
se previa que seu filho, Luiz Eduardo, hoje com 3 anos, nasceria
justamente na semana em que sua irmã iria se casar. "Se eu
esperasse para fazer parto normal, meus parentes não viriam
me visitar, nem minha mãe poderia ficar no hospital comigo",
diz ela. Já a modelo paraense Caroline Ribeiro optou por
programar a cesariana após dois abortos seguidos. "O médico
disse que eu poderia esperar mais e tentar o parto normal, mas não
quis arriscar", diz ela, que teve seu primeiro filho, João
Felipe, no fim de fevereiro.
O
aumento no número de cesarianas é um fenômeno
internacional que preocupa até mesmo a Organização
Mundial de Saúde. O órgão estima em apenas
15% os partos que precisam de cesariana por razões médicas,
mas as cifras são bem maiores que isso. Chegam a 26% dos
nascimentos nos Estados Unidos e 22% na Inglaterra. No Brasil, 32%
das crianças vêm ao mundo por cesariana. Nas cidades
do Sul e do Sudeste com mais de 300.000 habitantes, esse índice
sobe para 60% e, nos hospitais particulares, chega a 90%. Ao contrário
do que ocorria antigamente, em metade dos casos quem opta pelo procedimento
é a própria mãe, e não mais o médico.
Renata Ursaia
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Caras
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| Roberta,
Maurício e a prole (à esq.) e Carolina: conveniência
na escolha da data |
Hoje,
a cesariana é um procedimento bem menos traumático
do que já foi. O corte na barriga não passa de 10
centímetros e os pontos são absorvidos pelo organismo.
O anestésico usado, além de ter menos efeitos colaterais,
é injetado com uma dose de morfina, o que permite à
mulher não sentir dor nas primeiras horas do pós-operatório.
Quando seu efeito passa, ela já se movimenta normalmente
e a dor residual é bem menor. Ainda assim, há riscos.
Em 2% dos casos, as cesarianas levam a infecções e
danificam outros órgãos da mãe durante a cirurgia.
Se a criança for retirada do útero antes do tempo,
pode sofrer infecções pulmonares. O procedimento não
é recomendado para mulheres que planejam ter mais de dois
filhos.
Pedro Rubens
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Evidentemente, o parto normal também oferece riscos. Quando
a mãe se esforça por mais de três horas, o bebê
pode sufocar ou sofrer danos cerebrais. Além disso, uma porcentagem
não desprezível de partos normais afeta o períneo
da mãe e causa posterior incontinência urinária.
Mas a maioria dos médicos continua a recomendar a cesariana
apenas quando há perigo à vista, o que não
impede que ela venha se tornando a opção preferida
entre as mulheres. Celebridades como a cantora americana Madonna,
a atriz inglesa Elizabeth Hurley e a ex-spice girl Victoria Beckham
programaram seus partos. A atriz fluminense Lizandra Souto, mulher
do jogador de vôlei Tande, fez duas cesarianas. A primeira
foi há quatro anos, por indicação médica
o cordão umbilical estava enrolado no pescoço
do bebê , e a segunda, há oito meses, por opção
própria. "A médica insistiu para que eu fizesse o
parto normal porque eu e o bebê estávamos em boas condições,
mas eu preferi não enfrentá-lo", ela diz.
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