Edição 1854 . 19 de maio de 2004

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Aviação
Era bom demais

Bilhete de 50 reais durou
apenas algumas horas

 
Elena Vettorazzo
Embarque no Aeroporto de Cumbica: o DAC teme uma guerra de preços

A companhia aérea Gol iniciou na semana passada uma promoção para vender viagens para 27 destinos no Brasil por 50 reais a passagem. O Departamento de Aviação Civil (DAC) fez a empresa suspender a liquidação poucas horas depois, para evitar que uma nova guerra de tarifas comprometesse ainda mais a instável saúde financeira das companhias brasileiras do setor. Tecnicamente, a Gol pretendia vender lugares abaixo do preço de custo, contrariando leis que regulam a concorrência. A companhia diz, por seu lado, que oferecia na promoção, em cada vôo, apenas os lugares correspondentes à quantidade de assentos que normalmente ficam vazios. Os 30.000 bilhetes promocionais vendidos serão usados normalmente.

Nas contas da Gol, a promoção não comprometeria sua rentabilidade, já que os custos das viagens, na média do mercado, estão pagos a partir do momento em que se vendem 60% dos lugares em cada vôo. Para o DAC, havia o risco de se repetirem episódios como o de 1996, quando passagens entre São Paulo e Buenos Aires chegaram a ser vendidas por preços inferiores aos cobrados por bilhetes para voar entre a capital paulista e Porto Alegre, resultado da concorrência da Vasp e da TransBrasil com a Varig em rotas internacionais. Na época, os preços se realinharam depressa. Os caixas dessas empresas não.

A Gol opera desde 2001 seguindo o modelo das companhias aéreas americanas de baixo custo, um negócio que parecia uma mina de ouro ao ser lançado. A estratégia consiste em ganhar mercado com aviões novos, com pouca necessidade de manutenção, e oferta de serviços de bordo bastante reduzida, além de rígido controle de custos. As companhias tradicionais reagiram com ofertas semelhantes. Hoje, a Gol ainda tem o melhor custo, à base de 15 centavos de real o quilômetro voado, por poltrona. A TAM, cuja estratégia já foi oposta, alcançou 20 centavos no ano passado. Trata-se de uma disputa que está apenas começando.

 

 
 
 
 
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