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Aviação
O
maior avião da história
Airbus
lança aeronave com capacidade
para 800 passageiros e acirra a briga com
a Boeing, que aposta em modelos menores

Antonio
Ribeiro, de Toulouse, França
Fotos divulgação
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Na
semana passada, o novo hangar da Airbus, em Toulouse, na França,
converteu-se em teatro para a apresentação da maior
aeronave da história da aviação comercial.
O A380, que começará a operar em 2006, é um
avião de dimensões colossais. Pesa 590 toneladas,
mais que a Estação Espacial Internacional, e sua envergadura
é de 80 metros. A cabine, dupla, tem capacidade para abrigar
de 550 a 840 passageiros, bar, free shop e até chuveiros.
O investimento, de 12 bilhões de dólares, é
a mais ambiciosa aposta dos europeus desde o Concorde, o supersônico
que quase levou à falência as companhias aéreas
que apostaram nele. Trata-se de um lançamento estratégico,
que sintetiza a visão européia do futuro do mercado.
A aposta é que os trajetos entre os maiores aeroportos do
mundo serão feitos por verdadeiros transatlânticos
alados, capazes de transportar mais de 800 passageiros com tarifas
reduzidas.
É
exatamente o oposto da visão dos americanos. A Boeing acredita
que as pessoas querem embarcar em aviões rápidos,
que decolem do aeroporto mais próximo, e joga suas fichas
no 7E7 Dreamliner, um jato de capacidade inferior aos de sua categoria
em operação atualmente. Com estréia prevista
para 2008, a aeronave poderá transportar de 250 a 300 passageiros.
Concebida para voar mais longe, ser veloz e consumir pouco, será
a primeira com fuselagem inteiramente construída de fibra
de carbono e plástico. A Boeing promete que o Dreamliner
terá autonomia para percorrer 15.400 quilômetros, sem
escalas, a uma velocidade de 900 quilômetros por hora, gastando
20% menos combustível. Os computadores de bordo farão
um check-up permanente do funcionamento do avião, reportarão
as informações aos serviços de manutenção
no solo e controlarão até a entrada de luz na cabine.
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gigante A380, que deve começar a voar comercialmente em 2006,
tem cabine dupla, poltronas especiais com televisores individuais,
free shop, dormitórios e bar: na briga com a Boeing, as armas
da Airbus para vôos de longa distância são grandes aviões e
preço baixo |
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Nessa
disputa, talvez se esteja decidindo o futuro das duas companhias,
uma vez que, evidentemente, as duas visões de mercado não
podem estar corretas ao mesmo tempo. O vencedor ganhará a
supremacia dos vôos de longa distância, o que pode jogar
o concorrente na turbulência econômica. Ao decretar
o tipo de aeronave que fará os vôos mais longos, o
resultado da disputa determinará também a configuração
dos aeroportos. Nenhum deles hoje está capacitado para receber
de forma segura e confortável o mastodonte de asas da Airbus.
"Os aeroportos terão de fazer alguns ajustes, mas até
o fim de 2010 os trinta maiores estarão aptos", disse a VEJA
Charles Champion, vice-presidente executivo da Airbus. Não
é tão simples. O moderníssimo aeroporto parisiense
Charles de Gaulle está gastando 100 milhões de euros
para alargar os acostamentos das pistas, modificar a infra-estrutura
dos terminais e construir hangares. Outros terão de reforçar
o pavimento das pistas, senão os quatro trens de pouso do
avião poderão romper o piso. O A380 requer também
passarelas de dois andares para acessar sua cabine dupla e um esquema
especial de funcionamento de check-in, controles de imigração,
alfândega e triagem de bagagens.
Se
a decisão da disputa pudesse ser prevista pela reação
inicial das companhias aéreas, a Boeing teria bons motivos
para começar a se preocupar. Por enquanto, o Dreamliner só
conseguiu um comprador. Os japoneses da All Nipon Airways encomendaram
cinqüenta unidades. Já a Airbus, que para empatar o
investimento do A380 precisa vender 250 unidades, recebeu 129 pedidos
de onze empresas. A companhia Emirates foi responsável por
um terço deles. O consórcio europeu conseguiu até
um cliente americano. A Federal Express encomendou dez aviões
a mesma quantidade pedida pela Air France. Se nada mudar,
a Boeing vai demorar para superar suas dificuldades atuais. Após
um período no qual perdeu os dois principais executivos e
abandonou o projeto do Sonic Cruiser, um quase supersônico,
a Boeing luta para reverter uma teimosa tendência. As encomendas
à rival cresceram em 2003 pelo quarto ano consecutivo e,
pela primeira vez em 35 anos de reinado americano, a Airbus entregou
mais aviões do que a Boeing. Os europeus venceram por 305
a 281. "Quando anunciamos o projeto do A380, os americanos desconfiaram
que era blefe", diz Gérard Blanc, executivo da Airbus. "Agora,
eles estão petrificados."
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