Edição 1854 . 19 de maio de 2004

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São Paulo
Serra diz sim

E a sua entrada na disputa pela prefeitura de São Paulo cria o cenário que o PT mais temia


Felipe Patury e Sandra Brasil



Roberto Castro/AE
Agliberto Lima/AE
José Serra: terceiro turno contra o PT depois de seis meses de indecisão Marta Suplicy: alvo de ataque no programa do PSDB

Foram quase seis meses de indecisão. Na quinta-feira passada, José Serra, cedendo à pressão de seu partido, o PSDB, anunciou a decisão de candidatar-se à prefeitura de São Paulo com a pompa de quem concorre à Presidência da República. Era tudo o que o PT mais temia. A entrada do presidente do PSDB na corrida municipal não só embolou o jogo para a atual prefeita e candidata à reeleição, Marta Suplicy, como colocou no centro da arena o governo federal. Tanto no evento que lançou sua candidatura em São Paulo como no programa do PSDB levado ao ar pela TV na mesma quinta-feira, os tucanos deixaram claro que pretendem transformar a sucessão paulistana em uma espécie de terceiro turno da eleição presidencial de 2002, em que o ex-ministro amargou fragorosa derrota para o presidente Lula. Na cerimônia de lançamento de seu nome, prestigiada pela nata do tucanato nacional (exceção feita ao ex-presidente Fernando Henrique), Serra declarou que "tirar a cidade de São Paulo do caminho errado é uma contribuição fundamental para o Brasil". À noite, o programa do PSDB mostrou uma fila de desempregados em São Paulo, "a cidade administrada pelo PT", seguida por comentários sobre o recorde nas taxas de desemprego alcançado pelo governo federal.

Os tucanos insistiram no nome de Serra por achar que ele seria o único capaz de converter a campanha paulistana em um "plebiscito" da administração Lula. O ex-ministro, por sua vez, resistiu à idéia quanto pôde porque pretendia juntar forças para concorrer à sucessão do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ou mesmo disputar a vaga de candidato à Presidência da República por seu partido nas eleições de 2006. Ele só decidiu ceder aos argumentos do partido quando se convenceu de que teria chance de vencer o PT. O desgaste do governo Lula foi fundamental nesse julgamento. O fato de Paulo Maluf sair combalido já na linha de largada, bombardeado pela divulgação da existência de contas milionárias suas em paraísos fiscais, também ajudou.

Na última pesquisa do Datafolha, divulgada no fim de março, Serra aparece em segundo lugar, com 22% das intenções de voto, seguido por Marta, com 17%. Maluf, ainda não atingido pelas revelações do Ministério Público, liderava a largada, com 24%. O PT tem motivos de sobra para enxergar em Serra a encarnação de um pesadelo. Embora tenha sido derrotado por Lula nas eleições presidenciais com 39% dos votos (contra 61% obtidos pelo petista), sua performance em São Paulo superou em muito a nacional: perdeu a disputa na cidade para Lula por apenas 1 ponto porcentual. A pesquisa do Datafolha mostra ainda que, na eventualidade de um segundo turno entre Serra e Marta, o primeiro teria facilidade em "herdar" os votos de Maluf.

Nas próximas semanas, a tarefa de Serra será convencer um dos candidatos de outros partidos a ingressar em sua chapa. Seus aliados preferenciais são o PFL, que já lançou o deputado federal José Aristodemo Pinotti, e o PMDB, que entra na disputa com seu presidente, Michel Temer. Por enquanto, nenhum dos dois admite desistir da chapa própria. Serra entregou ao governador Geraldo Alckmin a tarefa de encontrar um vice que lhe renda alguns minutos a mais no horário político.

 
 
 
 
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