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São
Paulo
Serra
diz sim
E
a sua entrada na disputa pela prefeitura de São Paulo cria
o cenário que o PT mais temia

Felipe Patury e Sandra Brasil
Roberto Castro/AE
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Agliberto Lima/AE
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| José
Serra: terceiro turno contra o PT depois de seis meses de indecisão
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Marta
Suplicy: alvo de ataque no programa do PSDB |
Foram
quase seis meses de indecisão. Na quinta-feira passada, José
Serra, cedendo à pressão de seu partido, o PSDB, anunciou
a decisão de candidatar-se à prefeitura de São
Paulo com a pompa de quem concorre à Presidência da
República. Era tudo o que o PT mais temia. A entrada do presidente
do PSDB na corrida municipal não só embolou o jogo
para a atual prefeita e candidata à reeleição,
Marta Suplicy, como colocou no centro da arena o governo federal.
Tanto no evento que lançou sua candidatura em São
Paulo como no programa do PSDB levado ao ar pela TV na mesma quinta-feira,
os tucanos deixaram claro que pretendem transformar a sucessão
paulistana em uma espécie de terceiro turno da eleição
presidencial de 2002, em que o ex-ministro amargou fragorosa derrota
para o presidente Lula. Na cerimônia de lançamento
de seu nome, prestigiada pela nata do tucanato nacional (exceção
feita ao ex-presidente Fernando Henrique), Serra declarou que "tirar
a cidade de São Paulo do caminho errado é uma contribuição
fundamental para o Brasil". À noite, o programa do PSDB mostrou
uma fila de desempregados em São Paulo, "a cidade administrada
pelo PT", seguida por comentários sobre o recorde nas taxas
de desemprego alcançado pelo governo federal.
Os
tucanos insistiram no nome de Serra por achar que ele seria o único
capaz de converter a campanha paulistana em um "plebiscito" da administração
Lula. O ex-ministro, por sua vez, resistiu à idéia
quanto pôde porque pretendia juntar forças para concorrer
à sucessão do governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin, ou mesmo disputar a vaga de candidato à Presidência
da República por seu partido nas eleições de
2006. Ele só decidiu ceder aos argumentos do partido quando
se convenceu de que teria chance de vencer o PT. O desgaste do governo
Lula foi fundamental nesse julgamento. O fato de Paulo Maluf sair
combalido já na linha de largada, bombardeado pela divulgação
da existência de contas milionárias suas em paraísos
fiscais, também ajudou.
Na
última pesquisa do Datafolha, divulgada no fim de março,
Serra aparece em segundo lugar, com 22% das intenções
de voto, seguido por Marta, com 17%. Maluf, ainda não atingido
pelas revelações do Ministério Público,
liderava a largada, com 24%. O PT tem motivos de sobra para enxergar
em Serra a encarnação de um pesadelo. Embora tenha
sido derrotado por Lula nas eleições presidenciais
com 39% dos votos (contra 61% obtidos pelo petista), sua performance
em São Paulo superou em muito a nacional: perdeu a disputa
na cidade para Lula por apenas 1 ponto porcentual. A pesquisa do
Datafolha mostra ainda que, na eventualidade de um segundo turno
entre Serra e Marta, o primeiro teria facilidade em "herdar" os
votos de Maluf.
Nas
próximas semanas, a tarefa de Serra será convencer
um dos candidatos de outros partidos a ingressar em sua chapa. Seus
aliados preferenciais são o PFL, que já lançou
o deputado federal José Aristodemo Pinotti, e o PMDB, que
entra na disputa com seu presidente, Michel Temer. Por enquanto,
nenhum dos dois admite desistir da chapa própria. Serra entregou
ao governador Geraldo Alckmin a tarefa de encontrar um vice que
lhe renda alguns minutos a mais no horário político.
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