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Governo
Afasta de mim esse cálice
Impulsividade
de Lula e assessores
tresloucados transformam uma questão
prosaica criada por reportagem do
New York Times em uma grande crise

Leandra
Peres
AP
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Na
semana passada, o governo conseguiu provar que é capaz de
transformar até seus melhores momentos em crises de grandes
proporções. Isso requer um certo esforço. Depois
que o jornal The New York Times, o diário mais influente
dos Estados Unidos, publicou reportagem de meia página, em
sua edição de domingo 9, dizendo que o consumo de
bebida alcoólica pelo presidente Lula virara "preocupação
nacional", o governo viveu um raro momento de unanimidade. Até
os adversários se levantaram em defesa do presidente. "Conheço
o Lula há trinta anos e não vejo nenhuma razão
para o jornal fazer tal suposição", afirmou o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, que classificou a reportagem de "leviana".
"O presidente tem nossa total solidariedade. A reportagem é
injusta e maldosa", disse o governador de São Paulo, o tucano
Geraldo Alckmin. Na terça-feira, quando o interesse pelo
assunto já estava minguando e quase ninguém mais parecia
interessado no mexerico, o Palácio do Planalto anunciou a
decisão de expulsar do país o autor da reportagem,
o jornalista Larry Rohter, 54 anos, que trabalha no Brasil desde
os anos 70.
Com
a reação autoritária e exagerada, o governo
virou o jogo contra si de forma espetacular. Até os aliados
reagiram mal. "Não foi a melhor resposta", disse o líder
do governo no Senado, Aloizio Mercadante, que, junto com outros
senadores, formou uma comitiva para apelar ao presidente para que
retrocedesse. Em vão. Numa cena que só a esquizofrenia
petista parece capaz de exibir, até o assessor de imprensa
de Lula, o jornalista Ricardo Kotscho, deu entrevista dizendo que,
por disciplina, acatava a decisão do governo, mas confessou
abertamente que não concordava com ela. Os principais jornais
do mundo ignoraram a peça de Rohter e não comentaram
os hábitos etílicos do presidente. Por obra e graça
da reação descabida do governo, o assunto acabou ganhando
dimensão planetária. Na terça-feira, segundo
um levantamento preparado pelo próprio Planalto, o assunto
saíra sem muito destaque em apenas sete jornais, a maioria
da América do Sul. Na quarta, após a decisão
de expulsar o jornalista, a notícia estava em 26 jornais.
Até no Khaleej Times, dos Emirados Árabes Unidos.
No dia seguinte, aparecia em 38 títulos, inclusive na Xinhua,
a agência de notícias da China, para onde Lula embarcará
nos próximos dias. Em todas as reportagens estrangeiras ouvia-se
o eco de uma indagação constrangedora e ela
não tinha nada a ver com a questão de quanto e com
que freqüência Lula bebe. A indagação era
bem pior: será que o Brasil retrocedera ao estágio
de uma republiqueta latino-americana dirigida por um ditadorzinho
caprichoso e impulsivo?
Joedson Alves/AE
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O
PORTA-DISPARATE
Singer, o porta-voz que defendeu o arreganho autoritário do
governo: ele enxerga miragens |
Sintomaticamente,
nenhum ministro veio a público defender o governo. José
Dirceu, que fala até do que não deve, silenciou. Antonio
Palocci ficou calado com receio de trair em público sua convicção
de que a medida foi absurda. O ministro Luiz Gushiken foi o mais
empolgado defensor da expulsão por ver, delirantemente, na
reportagem de Rohter a peça de uma vasta conspiração
da Casa Branca contra o Brasil e Lula. A análise de Gushiken
não é apenas lisérgica. Ela embute uma visão
de mundo em que não parece existir lugar para a imprensa
livre e independente. O New York Times seria o último
jornal americano a fazer algum tipo de dobradinha com o governo
de George Bush. O jornal faz oposição sistemática
e declarada ao ocupante da Casa Branca. Nos últimos meses,
em reportagens e artigos de seus colunistas, entre outros adjetivos
pejorativos, descreveu George W. Bush como "iletrado", "desorientado",
"maria-vai-com-as-outras", "bélico" e "o maior responsável
pela onda de antiamericanismo que se espalha pelo mundo". Gushiken
insistia na quarta-feira: "No Japão, se um jornalista ofendesse
o imperador também seria expulso". Outro defensor da expulsão
do jornalista foi o porta-voz da Presidência André
Singer. Na quinta-feira, em artigo publicado pelo jornal Folha
de S.Paulo, Singer teceu uma antologia de disparates e, como
quem acredita em miragem, disse que o governo tinha de restaurar
um "ambiente de responsabilidade" no país.
O
ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, em viagem
à Suíça, deu entrevista dizendo que só
falaria do caso quando voltasse ao Brasil e tomasse pé dos
detalhes. Era puro disfarce. Na verdade, desde o primeiro momento,
o ministro empenhou-se nos bastidores em negociar uma saída
honrosa para ambos os lados. Ao saber que o escritório de
advocacia Pinheiro Neto fora contratado pelo New York Times
para tratar do assunto, Thomaz Bastos entrou em ação.
De Berna, na Suíça, ligou para seus velhos colegas
do Pinheiro Neto e começou uma negociação que
duraria três dias. De início, combinou-se que os advogados
escreveriam uma petição ao Ministério da Justiça
solicitando a reconsideração do cancelamento do visto
do jornalista americano. A petição foi escrita em
São Paulo, submetida aos advogados do jornal em Nova York
e ao ministro em Berna. Nada menos que seis versões percorreram
o circuito São PauloNova YorkBerna. Na última
versão, o ponto que interessava ao governo era o item 7.
Celso Junior/AE
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O
JAPÃO NÃO É AQUI
Gushiken, o ministro que já deu lições à imprensa e defendeu
a expulsão do jornalista: ele acha que estamos todos no Japão
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Nesse
trecho, o jornalista Larry Rohter diz que "jamais teve a intenção
de ofender a honra" do presidente e reafirma seu "profundo respeito
pelas instituições democráticas brasileiras,
incluindo a Presidência da República". Em seguida,
a carta afirma que Rohter limitou-se a "veicular comentários"
e não fez "nenhum juízo de valor" sobre os hábitos
de Lula. Lamenta que a repercussão da reportagem tenha causado
constrangimento ao presidente e, como costuma acontecer nesses entreveros
internacionais, joga a culpa nos tradutores ao dizer que, na sua
opinião, a versão do texto para o português
não foi fidedigna "o que pode ter causado a ampliação
do mal-entendido". Na noite de sexta-feira, Lula decidiu aceitar
a carta do jornalista, concordou em rever sua decisão e deu
o assunto como encerrado. O desfecho do episódio mostra que,
felizmente, Lula não tem apenas assessores tresloucados a
aconselhá-lo. Márcio Thomaz Bastos esforçou-se
com sucesso para não manchar sua biografia de jurista e democrata
com a nódoa do banimento de um jornalista. O último
caso parecido ocorreu em 1970, no auge da ditadura, quando o general
Emílio Garrastazu Médici expulsou um correspondente
da agência de notícias France Presse que publicara
no exterior a lista dos presos políticos que um grupo guerrilheiro
queria libertar em troca da soltura do embaixador suíço
seqüestrado. Até a semana passada, nunca um governo
democrático no Brasil expulsara um jornalista.
A
decisão de Lula de considerar o assunto página virada
esvaziou o lado agudo da crise. Outras facetas do episódio,
porém, permanecem inalteradas. A principal é a de
que claramente os mecanismos de decisão do governo Lula têm
vários parafusos soltos. O governo conseguiu armar uma tempestade
em copo d'água a partir de uma questão que poderia
ter sido resolvida com elegância e até um pouco de
humor. Que tal terem convidado Rohter para tomar uns drinques na
Granja do Torto? Se fosse o caso de ser ferino, os assessores do
presidente poderiam ter dito ao correspondente americano que um
de seus ex-colegas, o notório Jayson Blair, também
seria bem-vindo. Como se sabe, Blair é o jornalista que durante
anos publicou matérias fantasiosas e inteiramente inventadas
no New York Times, o que o levou a ser demitido e o jornal
à maior crise de credibilidade da sua história. O
Planalto, porém, agiu como se a reportagem tivesse pinçado
um nervo exposto ao sugerir que a bebida interfere no discernimento
do presidente Lula e que isso é uma preocupação
nacional. Que não é preocupação nacional
é fato. Os brasileiros de maneira geral davam a esse tema
o mesmo grau de preocupação que destinam à
diminuição do tamanho dos biquínis nas praias.
Na elite, entre políticos e empresários, o assunto
sempre foi comentado em tom de mexerico, sem que aparecessem histórias
factuais que sustentassem essa versão. Também não
existe nenhuma evidência de que a bebida consumida por Lula
interfira na sua atuação como presidente.
Lula
chegou ao topo da carreira política sendo em todas as fases
uma pessoa que os brasileiros definem como "bom de copo". Para uma
imensa parcela da população brasileira, isso equivale
a um elogio tão formidável quanto "bom de cama". Como
presidente, Lula tem bebido menos do que sua média histórica,
que, como todos os seus companheiros e amigos sabem, ultrapassa
sensivelmente o que se convencionou chamar de "beber socialmente".
Além de beber bem menos agora, o presidente se preocupa com
sua imagem. "Não sou nenhum alcoólatra, todos sabem
que bebo prazerosamente. Bebo e fumo", comentou Lula na quinta-feira,
ao receber a comissão de senadores que lhe pediu para voltar
atrás na vendeta contra o jornalista americano. Em seguida,
Lula tocou no ponto central: "Ninguém pode dizer que tomei
uma decisão de governo porque bebi ou não bebi".
AP
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SOBRIEDADE?
ONDE?
Bush filho, tal como o pai, fez guerra no Iraque: ele venceu
o alcoolismo, mas até parece que bebe umas |
O
álcool se transforma em vício quando a pessoa não
consegue parar de beber no momento em que deseja. Quando quer, Lula
passa meses sem beber. Em outras ocasiões, bebe com mais
freqüência e intensidade. Há três meses,
durante um jantar na casa do presidente da Câmara, o deputado
João Paulo, onde foram comemorados o 24º aniversário
do PT e a posse da nova liderança do partido, Lula bebeu
com gosto diversas doses de uísque com gelo. "O presidente
não estava ali para falar de política, e sim para
tomar cachaça e brincar", dizia o deputado Anselmo Abreu
a quem perguntava se o presidente se excedeu na bebida. Na saída
da festa, Lula foi fotografado dentro do Omega presidencial, já
entregue ao sono, antes mesmo que o carro partisse rumo à
residência oficial.
Um
dos sintomas de que Lula "está dando um tempo" na bebida,
como ele próprio diz, é seu apego aos exercícios
físicos, especialmente à esteira. Quando deixa de
se exercitar, é sinal de que passou a beber um pouco mais
que o habitual. Na longa viagem que fez a diversos países
da Europa no ano passado, Lula passou quase todo o tempo sem beber.
Nem vinho ele aceitava nas recepções oficiais. Em
todas as escalas mandou colocar uma esteira no quarto. Levantava
cedo para fazer suas corridas. A dois dias do término da
viagem, na última escala, na Espanha, o presidente abandonou
a esteira. Bebeu vinho e uísque e chegou a reclamar de ressaca.
Um senador do Nordeste conta que, durante a campanha presidencial,
viu Lula beber alegremente antes dos comícios. Em um deles,
excedeu-se na bebida e no entusiasmo. Sempre que se aproximava demais
da beirada do palanque, um dos seguranças o detinha pela
parte de trás do cinto, de modo que ele não corresse
o risco de cair. Diversas vezes, na campanha de 2002, depois de
recepções noturnas na casa de correligionários,
Lula voltava ao hotel alterado pela bebida. Em uma dessas ocasiões,
ele tirou os sapatos e se deitou em um sofá no hall do hotel.
"Hoje, o Lula bebe muito menos do que bebeu em toda a sua vida adulta.
Mas não precisa de ninguém para vigiá-lo ou
para lhe dizer que não se exceda nas doses. Ele tem autocontrole",
garante um dos mais antigos auxiliares do presidente.
A
bebida nunca foi estranha à vida de Lula. Sua avó
materna, dona Otília, tomava porres homéricos. Ficava
quatro ou cinco meses sem colocar uma gota de álcool na boca,
mas, de repente, punha-se a beber até cair. "Quantas vezes
meus irmãos tiveram de pegar ela dormindo no meio do mato,
na estrada, na beira do asfalto... Coitadinha. Não sei por
que razão ela bebia. Mas bebia muito, muito", contou Lula
em depoimento à jornalista Denise Paraná, autora do
livro Lula O Filho do Brasil, um retrato magistral
da trajetória política, pessoal e familiar do presidente.
O pai de Lula, Aristides, era abstêmio enquanto vivia no sertão
nordestino, mas depois que migrou para São Paulo passou a
beber de forma descontrolada. Batia nos filhos quando estava alcoolizado.
Em Lula O Filho do Brasil, um irmão do presidente,
Genival Inácio da Silva, o Vavá, diz o seguinte: "Meu
pai bebia sempre. Tomava pinga. Depois passou para o conhaque, que
era melhor. Depois passou para a cerveja, que era melhor. Se ele
pudesse beber cinqüenta pingas, ele bebia. Ele não tinha
controle. Chegava em casa de fogo". Jaime, outro irmão de
Lula, também teve problemas com alcoolismo.
Em
sua militância em São Bernardo do Campo, como o próprio
Lula já contou, a bebida também aparecia com freqüência.
No sindicato dos metalúrgicos, costumava receber os amigos
com "um cafezinho" ou "uma cachacinha". De tanto se falar em cachaça
ou pinga, produziu-se o equívoco de que Lula gosta de aguardente.
Não é verdade. Assim como o presidente Jacques Chirac,
um francês que não gosta de vinho, Lula é um
brasileiro que não é muito dado à cachaça.
Prefere uísque. Da marca Logan. Por coincidência, a
predileta do ex-presidente Fernando Collor. Quase todos os dias,
quando chega ao Palácio da Alvorada depois do trabalho, Lula
descarrega as tensões com uma ou duas doses de uísque.
Nas ocasiões em que bebe um pouco mais que o habitual, o
presidente fica mais emotivo do que em seu estado natural. Raramente,
porém, se deixa vencer pela bebida. "Não fui eleito
para santo", disse, ao tomar café-da-manhã na quarta-feira
com líderes da base aliada na Câmara. À noite,
em jantar com políticos do PL, partido do vice-presidente
José Alencar, bebericou uísque, mas não passou
da primeira dose.
Não
é de esperar que Lula tenha com a bebida a mesma conturbada
relação que teve com a garrafa seu colega americano.
George W. Bush foi alcoólatra. Recuperado, não belisca
um copo há vinte anos. "Se tivesse continuado a beber, a
essa hora estaria não aqui com vocês, no Salão
Oval da Casa Branca, mas em algum bar do Texas sem saber o que fazer
depois", disse Bush a um grupo de deputados que o visitou no fim
do ano passado. Lula teve mais sorte que Bush. Nunca foi alcoólatra
e chegou ao Palácio do Planalto sem ter de se tornar abstêmio.
O mais certo é que termine o mandato sem se ver forçado
a abandonar suas doses de uísque e suas cigarrilhas holandesas
que tanto conforto lhe dão. Que continue fazendo bom proveito.
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"Minhas
fontes foram Folha, Estado e Globo"
O
governo me chamou de "fonte sem confiabilidade". Foi
o maior elogio que já recebi. Vou emoldurar e
pendurar na parede. Imagine se eu fosse considerado
um "homem de confiança" do governo. Eu mudaria
de profissão. O único problema é
que não sou uma fonte do New York Times.
O correspondente do jornal não falou comigo.
Apenas citou um artigo que publiquei em VEJA
cerca de dois meses atrás.
Nesse artigo, eu mencionava algumas ocasiões
públicas em que Lula apareceu com um copo de
bebida na mão. Colhi as informações
nas páginas de Folha, Estado e Globo.
Esses jornais foram minhas fontes. Conseqüentemente,
foram também as fontes do New York Times.
Além
de pouco confiável, fui retratado como agitador
a soldo dos americanos. O Jornal Nacional mostrou
vinhetas de Chico Caruso em que apareço na redação
carioca do New York Times fabricando notícias
contra Lula para acobertar as torturas de Bush dos prisioneiros
no Iraque. Quando meus protetores americanos conquistarem
o país, minha primeira providência será
expulsar Chico Caruso.
Diogo
Mainardi
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Eles
também expulsaram jornalistas
"A imprensa é a vista da nação.
Por ela é que a nação acompanha
o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe
malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe
o que sonegam ou roubam, percebe onde lhe alvejam ou
nodoam, mede o que lhe cerceiam ou destroem, vela pelo
que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça."
A frase de Rui Barbosa explica por que faz parte do
manual básico dos ditadores cercear a liberdade
de expressão e de imprensa é dessa
forma que eles tentam tapar os olhos dos cidadãos.
E, quando não basta calar os jornalistas de seu
próprio país, os tiranos expulsam correspondentes
estrangeiros que reportam lá fora o que não
lhes interessa que o mundo saiba. Em 1970, por exemplo,
no governo do general Emílio Garrastazu Médici,
o jornalista francês François Pelou, que
chefiava a sucursal da agência France Presse no
Rio de Janeiro, viu-se obrigado a sair do Brasil por
ter noticiado as condições impostas pelos
seqüestradores esquerdistas do embaixador suíço
Giovanni Bucher. Médici figura ao lado do chileno
Augusto Pinochet e do aiatolá iraniano Khomeini,
entre as mais de duas dezenas de personalidades sinistras
que expulsaram jornalistas estrangeiros do território
de seu país nos últimos 35 anos.
Ditadores
também podem lançar mão de outros
métodos para livrar-se de correspondentes. É
o caso do cubano Fidel Castro, que costuma infernizar
a vida dos repórteres forasteiros que ousam incomodá-lo
além da conta. Em todas as ditaduras, não
importam a latitude ou a coloração política,
o argumento para expelir jornalistas estrangeiros é
sempre o mesmo: o profissional foi "irresponsável"
ao dar esta ou aquela notícia ou promoveu "um
ataque à soberania do país" ao descrever
de maneira pouco agradável o ditador em questão.
Infelizmente, as semelhanças com as palavras
dos comissários de Lula, para justificar a cassação
do visto do correspondente americano Larry Rohter, são
mais do que uma coincidência. Revelam um viés
autoritário de um governo eleito de forma democrática
viés que causou uma nódoa incancelável,
independentemente do desfecho do episódio.
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