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Guia | Especial
Montagem
com fotos de Edson Russo  |
VEJA ouviu 35 médicos de catorze especialidades
sobre um novo tipo de paciente: ele chega ao consultório bem informado
sobre a sua saúde 
Paula Neiva, Giuliana Bergamo e Camila Antunes
Da internet surgiu um novo tipo de
paciente: ele chega ao consultório médico cada vez mais informado
sobre sua saúde e os progressos da medicina. Segundo levantamento da consultoria
americana Pew Internet & American Life Project, oito de cada dez usuários
da rede já recorreram a sites especializados em saúde. No Brasil,
estima-se que 10 milhões de pessoas corram para o computador em busca de
ajuda para problemas médicos. Os melhores conhecedores dos caminhos da
rede conseguem acesso a trabalhos acadêmicos, imagens e até vídeos
profissionais detalhando cirurgias complexas. Grupos de usuários da internet
dão relatos de seus tratamentos, trocam impressões sobre remédios,
informam-se sobre drogas que estão em diferentes estágios de aprovação
pelas autoridades de saúde. Com tanta informação, um paciente
com algum conhecimento geral pode chegar diante de um médico especialista
com uma carga de informações até maior do que a do profissional.
Isso ajuda? Muitos médicos acham que não. Saber demais na teoria
pode aumentar a ansiedade do paciente e levá-lo a se autodiagnosticar e
a se automedicar. Mas, por outro lado, saber mais sobre os limites da medicina
pode ajudar o paciente a dialogar melhor com seu médico. Diz Antônio
Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica,
com base na experiência dos últimos trinta anos: "O acesso à
informação médica na internet criou pacientes mais questionadores
e gabaritados para expor suas dúvidas".
Há pelo menos dois desdobramentos desse fenômeno. O primeiro deles
é que o paciente participa mais ativamente das decisões sobre sua
própria saúde e pode pesar, junto com o médico, os riscos
e os benefícios dos tratamentos. A situação é positiva
sobretudo quando a decisão a ser tomada é de natureza delicada –
e arriscada – como uma intervenção cirúrgica.
Um segundo resultado benéfico para o paciente bem informado é que
ele tem mais condições de avaliar a qualidade de uma consulta e,
portanto, de exigir do médico que conheça – e fale – sobre as descobertas
mais recentes de sua especialidade. Com pacientes mais curiosos, o tempo de um
atendimento típico num consultório particular aumentou. Estimam
os especialistas que cerca da metade do tempo das consultas passou a ser gasto
com o esclarecimento de dúvidas trazidas pelo próprio paciente.
Isso força os médicos a se atualizarem. Em menos de uma década,
o número de novos profissionais de saúde que se tornaram usuários
da maior biblioteca virtual científica da América Latina, a Bireme,
quase triplicou. Por essas razões, os especialistas apostam que o aumento
da utilização dos recursos médicos on-line vai levar a uma
melhora constante no relacionamento do médico com os pacientes, em benefício
de ambos.
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O outro lado do mesmo fenômeno
preocupa os médicos. O excesso de informações circulando
na rede abre caminho para a automedicação – adversária de
um bom tratamento médico. Pior ainda: quando isso ocorre, é freqüente
que as pessoas tomem suas próprias decisões clínicas, como
passar a tomar um novo medicamento, baseadas nos resultados de pesquisas conduzidas
por instituições de reputação duvidosa ou a partir
de blogs produzidos por leigos, que nada entendem sobre o que apregoam na rede.
Um outro efeito colateral comum da abundância de dados na rede, segundo
os médicos, é que alguns pacientes ficam tão confiantes que
passam a se sentir mais especialistas que o especialista – e desconfiam de toda
e qualquer orientação médica que não esteja de acordo
com a informação que colheram como autodidatas. É o tipo
de paciente que olhará o médico com ceticismo apenas pelo fato de
ele não ter prescrito uma droga recém-chegada ao mercado – situação
que na maioria das vezes não é resultado da ignorância médica,
mas sim da avaliação de que o tal remédio pode não
funcionar para o caso em questão. Adverte o cardiologista Otávio
Rizzi Coelho, professor da Universidade de Campinas: "O paciente tende a se informar
por dados gerais e isso pode criar resistência em entender que, na medicina,
cada caso requer um determinado procedimento".
O ponto ideal para uma boa consulta, portanto, é aquele em que o paciente
usa as informações que colheu para fazer as perguntas certeiras
– aquelas cuja resposta do médico leve ao melhor tratamento possível.
Para cada doença, existe um conjunto de questões consideradas prioritárias.
Depois de entrevistar 35 profissionais de quinze diferentes áreas da medicina,
VEJA produziu uma lista com as perguntas que, feitas no consultório, têm
grande repercussão positiva na precisão do diagnóstico e
do próprio tratamento. A resposta para elas pode levar à melhora
da qualidade de vida e, em alguns casos, salvar vidas. As perguntas dizem respeito
às dez doenças que mais comprometem a saúde dos brasileiros
– como a dor de cabeça e as alergias – ou as que ocupam as primeiras posições
no ranking das grandes causas de morte no Brasil, como o câncer e as doenças
cardiovasculares. O resultado está nas catorze páginas a seguir.
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