Edição 1952 . 19 de abril de 2006

Índice
Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Guia | Especial
Montagem com fotos de Edson Russo

VEJA ouviu 35 médicos de catorze
especialidades sobre um novo tipo
de paciente: ele chega ao consultório
bem informado sobre a sua saúde


Paula Neiva, Giuliana Bergamo e Camila Antunes

 
EXCLUSIVO ON-LINE
Pergunte ao médico

Da internet surgiu um novo tipo de paciente: ele chega ao consultório médico cada vez mais informado sobre sua saúde e os progressos da medicina. Segundo levantamento da consultoria americana Pew Internet & American Life Project, oito de cada dez usuários da rede já recorreram a sites especializados em saúde. No Brasil, estima-se que 10 milhões de pessoas corram para o computador em busca de ajuda para problemas médicos. Os melhores conhecedores dos caminhos da rede conseguem acesso a trabalhos acadêmicos, imagens e até vídeos profissionais detalhando cirurgias complexas. Grupos de usuários da internet dão relatos de seus tratamentos, trocam impressões sobre remédios, informam-se sobre drogas que estão em diferentes estágios de aprovação pelas autoridades de saúde. Com tanta informação, um paciente com algum conhecimento geral pode chegar diante de um médico especialista com uma carga de informações até maior do que a do profissional. Isso ajuda? Muitos médicos acham que não. Saber demais na teoria pode aumentar a ansiedade do paciente e levá-lo a se autodiagnosticar e a se automedicar. Mas, por outro lado, saber mais sobre os limites da medicina pode ajudar o paciente a dialogar melhor com seu médico. Diz Antônio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, com base na experiência dos últimos trinta anos: "O acesso à informação médica na internet criou pacientes mais questionadores e gabaritados para expor suas dúvidas".

Há pelo menos dois desdobramentos desse fenômeno. O primeiro deles é que o paciente participa mais ativamente das decisões sobre sua própria saúde e pode pesar, junto com o médico, os riscos e os benefícios dos tratamentos. A situação é positiva sobretudo quando a decisão a ser tomada é de natureza delicada – e arriscada – como uma intervenção cirúrgica.

Um segundo resultado benéfico para o paciente bem informado é que ele tem mais condições de avaliar a qualidade de uma consulta e, portanto, de exigir do médico que conheça – e fale – sobre as descobertas mais recentes de sua especialidade. Com pacientes mais curiosos, o tempo de um atendimento típico num consultório particular aumentou. Estimam os especialistas que cerca da metade do tempo das consultas passou a ser gasto com o esclarecimento de dúvidas trazidas pelo próprio paciente. Isso força os médicos a se atualizarem. Em menos de uma década, o número de novos profissionais de saúde que se tornaram usuários da maior biblioteca virtual científica da América Latina, a Bireme, quase triplicou. Por essas razões, os especialistas apostam que o aumento da utilização dos recursos médicos on-line vai levar a uma melhora constante no relacionamento do médico com os pacientes, em benefício de ambos.

Brand X Pictures


O outro lado do mesmo fenômeno preocupa os médicos. O excesso de informações circulando na rede abre caminho para a automedicação – adversária de um bom tratamento médico. Pior ainda: quando isso ocorre, é freqüente que as pessoas tomem suas próprias decisões clínicas, como passar a tomar um novo medicamento, baseadas nos resultados de pesquisas conduzidas por instituições de reputação duvidosa ou a partir de blogs produzidos por leigos, que nada entendem sobre o que apregoam na rede. Um outro efeito colateral comum da abundância de dados na rede, segundo os médicos, é que alguns pacientes ficam tão confiantes que passam a se sentir mais especialistas que o especialista – e desconfiam de toda e qualquer orientação médica que não esteja de acordo com a informação que colheram como autodidatas. É o tipo de paciente que olhará o médico com ceticismo apenas pelo fato de ele não ter prescrito uma droga recém-chegada ao mercado – situação que na maioria das vezes não é resultado da ignorância médica, mas sim da avaliação de que o tal remédio pode não funcionar para o caso em questão. Adverte o cardiologista Otávio Rizzi Coelho, professor da Universidade de Campinas: "O paciente tende a se informar por dados gerais e isso pode criar resistência em entender que, na medicina, cada caso requer um determinado procedimento".

O ponto ideal para uma boa consulta, portanto, é aquele em que o paciente usa as informações que colheu para fazer as perguntas certeiras – aquelas cuja resposta do médico leve ao melhor tratamento possível. Para cada doença, existe um conjunto de questões consideradas prioritárias. Depois de entrevistar 35 profissionais de quinze diferentes áreas da medicina, VEJA produziu uma lista com as perguntas que, feitas no consultório, têm grande repercussão positiva na precisão do diagnóstico e do próprio tratamento. A resposta para elas pode levar à melhora da qualidade de vida e, em alguns casos, salvar vidas. As perguntas dizem respeito às dez doenças que mais comprometem a saúde dos brasileiros – como a dor de cabeça e as alergias – ou as que ocupam as primeiras posições no ranking das grandes causas de morte no Brasil, como o câncer e as doenças cardiovasculares. O resultado está nas catorze páginas a seguir.

 
NESTA REPORTAGEM
Doenças virais sexualmente transmissíveis
Diabetes
Transtornos do humor
Obesidade
Distúrbios cardiovasculares
Câncer
Doenças cerebrais degenerativas
Doenças pulmonares
Dor de cabeça crônica
Alergias

 
 
 
 
topovoltar