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Internacional
Rendição no grito
Acuado pelos protestos nas ruas,
governo
francês revoga a Lei Primeiro Emprego

Antonio Ribeiro, de Paris
Jena-Paul Pelissier/Reuters
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| Na faixa dos estudantes, em Marselha: "Vamos
completar o serviço" |
O governo do presidente francês
Jacques Chirac escreveu, na semana passada, mais uma página
na história das capitulações humilhantes. Desta
vez, nenhum exército estrangeiro foi responsável pela
debacle. Bastou a resistência de estudantes, sindicalistas
e funcionários públicos franceses. Durante nove semanas,
eles bloquearam colégios e universidades, fizeram greves
e marcharam em protesto nas ruas. No fim, conseguiram a rendição
no grito. Acuado, o governo engavetou a lei do Contrato Primeiro
Emprego, que havia sido aprovada pela Assembléia Nacional
e pelo Senado, respaldada pelo Conselho Constitucional, promulgada
pelo próprio Chirac e publicada no Diário Oficial.
Apresentada pelo primeiro-ministro Dominique de Villepin, a lei
tinha como objetivo incentivar as grandes empresas a contratar jovens
o índice de desemprego entre os jovens franceses é
de 23%, o segundo maior da Europa. O mecanismo de incentivo era
a possibilidade de demissão nos dois primeiros anos de contrato
sem que fosse preciso pagar as pesadas indenizações
previstas na legislação trabalhista francesa.
A flexibilização do mercado
de trabalho ajuda a gerar novos empregos da Inglaterra à
Eslováquia e da Espanha à Finlândia, mas é
repudiada com vigor pelo código genético dos sindicatos
franceses, acostumados a empregos vitalícios, e pelos estudantes
universitários, cujo projeto de vida, de acordo com as pesquisas,
é um emprego público no qual possam levar uma vida
profissional sem risco. A única reforma recente aceita pelos
sindicatos foi a redução da jornada de trabalho para
35 horas semanais, introduzida pelos socialistas. A idéia
era que seria preciso criar novas vagas para compensar o horário
mais folgado, mas isso não aconteceu. As empresas francesas
se retraíram ao perceber que a jornada curta só multiplicava
os pesados encargos sociais sem aumentar a produtividade. A França
precisa de 150.000 novos empregos por ano, mas só cria 80.000,
dos quais 55.000 recebem ajuda ou são oferecidos pelo governo.
Victor Tonelli/Reuters
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| Villepin: agora, uma fórmula que adia
a solução do problema do desemprego |
Abandonado pelos aliados e por Chirac, Villepin foi submetido à
humilhação pública. O primeiro-ministro viu-se
obrigado a substituir o Contrato Primeiro Emprego por uma fórmula
que só adia a busca de solução para o problema.
Na quinta-feira, o Senado aprovou a nova lei, que concede às
empresas um subsídio de 400 euros mensais no primeiro ano
e 200 no segundo para cada emprego concedido aos jovens "desqualificados
e moradores de zonas sensíveis". Leia-se, filhos e netos
de imigrantes que moram na periferia das grandes cidades, onde o
desemprego chega a 40%. Depois da derrota, o governo francês
perdeu a autoconfiança. A prova? Na semana passada, Chirac,
cuja popularidade despencou para 29%, achou prudente não
apresentar um projeto de lei que proíbe fumar em lugares
públicos. O presidente temia causar rebuliços.
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