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Internacional
Daqui ninguém me tira
A vitória de Prodi foi tão apertada
que
Berlusconi reluta em entregar o poder
Giulio Napolitano/AFP
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| Vale tudo para não entregar o cargo:
Silvio Berlusconi quer recontar os votos e governo de coalizão
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A Itália juntou-se ao grupo de países em que o eleitorado
não sabe o que quer. Em meio a 38 milhões de eleitores,
a vontade de 25 000 pessoas é estatisticamente insignificante,
apenas 0,07% do total. Foi essa quantidade de votos que deu a vitória
a Romano Prodi para a Câmara dos Deputados nas eleições
italianas de domingo 9 e segunda-feira 10. No Senado, a vitória
foi por apenas uma cadeira. Resultados eleitorais apertados como
esse aconteceram na Alemanha, no ano passado, e nos Estados Unidos,
em 2000. Todos têm em comum as diferenças sutis entre
as propostas dos candidatos, o desinteresse crescente da população
por política, o fim da divisão clara entre esquerda
e direita e a padronização das técnicas de
propaganda eleitoral. A conseqüência natural dessas eleições
apertadas são governos fracos e com legitimidade duvidosa
para pelo menos metade dos eleitores. Aproveitando-se justamente
da fragilidade da vitória da centro-esquerda de Prodi, Silvio
Berlusconi, primeiro-ministro desde 2001, não se conformou
com a derrota e pediu a recontagem dos votos. Em seguida, disse
que o resultado exigia uma coalizão entre a centro-direita,
que ele representa, e a centro-esquerda. Prodi rejeitou a proposta,
mas a verdade é que seu governo terá dificuldade para
aprovar seja lá o que for no Parlamento. Sobretudo no assunto
mais quente, as reformas necessárias para sacudir a pasmaceira
econômica do país.
O governo da França e o da Alemanha enfrentam
problemas semelhantes. O presidente Jacques Chirac foi obrigado
a recuar diante dos protestos de estudantes. A coalizão de
partidos que dá sustentação à chefe
de governo alemã Angela Merkel enfrenta divisões internas.
Em comum, esses três países necessitam de reformas
estruturais, tarefa dificultada pela fragilidade de sua base de
sustentação política. Os europeus estão
relutantes entre a necessidade e a coragem para fazer essas reformas,
que incluem flexibilizar as leis trabalhistas e reduzir os gastos
do Estado com benefícios sociais. Na Alemanha, essa indecisão
se refletiu nas urnas: nas eleições do ano passado,
os alemães deram uma quantidade virtualmente igual de votos
ao chanceler Gerhard Schroeder, social-democrata que enrolou durante
sete anos e não fez reforma alguma, e à candidata
democrata-cristã Angela Merkel, que prometia ser mais agressiva
nesse quesito. Na essência das propostas em jogo na campanha
eleitoral na Alemanha assim como nos Estados Unidos em 2000
e na Itália neste ano não havia grandes disparidades,
apenas uma variação de ênfase.
Chris Helgren/Reuters
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| Prodi: preferido dos italianos, por uma margem
de 0,07% |
No caso dos países europeus, parte da explicação
está no fato de que muitas decisões de poder foram
transferidas para a União Européia: a obrigação
de controlar o déficit público é um exemplo.
Os candidatos não podem fugir muito dessas exigências.
"A semelhança entre as propostas se explica também
pela tendência de os partidos se desvencilharem da divisão
entre esquerda e direita e de confluírem para o centro",
diz Paulo Vizentini, professor do curso de relações
internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O objetivo da campanha eleitoral é conseguir os votos da
massa de eleitores que já não se interessam mais por
questões ideológicas.
Na Itália, a disputa acirrada teve um fato
inédito: os eleitores que vivem no exterior foram decisivos.
Esses oriundi representam uma considerável fatia de
6% do total de eleitores italianos. A maioria dos expatriados votou
na oposição, inclusive no Brasil. Dono das três
maiores emissoras de TV da Itália e o homem mais rico do
país, Berlusconi passou boa parte do mandato tentando se
livrar dos doze processos judiciais que enfrenta por evasão
de divisas, suborno, fraude fiscal e negócios com a Máfia.
Sobraram pouco tempo e pouca disposição para fazer
as reformas de que a Itália precisa para deixar de ser o
país com o menor crescimento econômico da União
Européia. Ciao, Berlusconi.
Fotos Ron Edmonds/AP, Markus Gillir/AFP,
Giulio Napolitano/AFPe Chris Helgren/Reuters
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