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Brasil
A lenta arrancada de Alckmin
O candidato tucano custa a deslanchar
nas pesquisas de intenção de voto

Camila Pereira e Fábio Portela
Ilustração Baptistão
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O ex-governador paulista Geraldo
Alckmin esperava que seu desempenho nas pesquisas eleitorais melhorasse
tão logo ele fosse indicado pelo PSDB como candidato à
sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mas ele ainda não conseguiu arrancar. Pesquisas eleitorais
divulgadas na semana passada pelos institutos Datafolha e Sensus
mostram que o tucano está custando a sair do lugar. Alckmin
continua com cerca de 20% das intenções de voto, metade
do índice de Lula. Os especialistas em pesquisas eleitorais
afirmam que ele precisa conquistar mais de 30% dos votos no primeiro
turno para chegar ao segundo com chances reais de vencer a eleição.
Em termos quantitativos, isso significa ganhar mais 12 milhões
de eleitores, quase uma Minas Gerais inteira (o estado é
o segundo maior colégio eleitoral do país). A tarefa
não é impossível, mas está longe de
ser fácil.
A dimensão do esforço
que Alckmin terá de fazer pode ser avaliada por outras eleições
presidenciais. Desde a redemocratização, houve quatro.
Nelas, só uma vez o segundo colocado ultrapassou quem liderava
as pesquisas nesta época do ano. A exceção
aconteceu em 1994, em uma eleição atípica.
Na ocasião, Fernando Henrique Cardoso, embalado pelos primeiros
resultados do Plano Real, conseguiu superar Lula. O comando da campanha
do PSDB e de seu aliado PFL contava com a crise do mensalão
para reproduzir o efeito do Real. Mas, até agora, isso não
ocorreu. E, mesmo se vier a acontecer, não se pode garantir
que os votos migrem de Lula para Alckmin numa velocidade suficiente
para garantir a eleição do tucano. O único
dado positivo para Alckmin que emerge da análise das eleições
anteriores é o fato de que é muito raro que um presidente
seja eleito sem ganhar o pleito em São Paulo. A última
vez que isso aconteceu foi há cinqüenta anos, com Juscelino
Kubitschek. Depois de um governo bem avaliado, Alckmin leva vantagem
sobre Lula no estado que tem o maior colégio eleitoral e
é o mais rico do país.
Até
o início da campanha, o patrimônio eleitoral de Alckmin
em São Paulo parecia intocável. A imagem ética
de sua gestão era seu maior trunfo. O PT alardeia, no entanto,
que ele só passou incólume por seis anos de governo
porque conseguiu impedir que a Assembléia Legislativa instalasse
67 CPIs contra o seu governo. É uma denúncia vazia.
Mais da metade dessas CPIs deveriam investigar assuntos que nada
têm a ver com a gestão Alckmin, como crimes de pedofilia
e a poluição em São Paulo. Só 27 propunham
investigar a administração tucana, e destas não
mais que dez apresentavam algum dado objetivo para justificar as
suspeitas. As acusações que atingiram a reputação
do ex-governador nada têm a ver com as CPIs abortadas, mas
com reportagens publicadas recentemente nos jornais. Nas últimas
semanas, descobriu-se que sua mulher, Lu Alckmin, entupiu o guarda-roupa
de vestidos caros "doados" por um estilista amigo. Alckmin também
foi espetado com outra denúncia. Seu governo teria pago uma
temporada de meditação no spa do acupunturista Jou
Eel Jia para professores da rede estadual. O doutor Jia atende Alckmin
e sua filha é sócia de Thomaz, o caçula do
governador. Eles têm uma microempresa que fornece produtos
ao spa do doutor Jia. Ou seja, o dinheiro usado para pagar a meditação
dos professores pode ter caído na conta do filho do tucano.
Nenhum dos aliados de Alckmin
está satisfeito com seu desempenho nas pesquisas. O candidato
reconhece que não conseguiu impor sua agenda na campanha.
"É inevitável que denúncias ganhem essa repercussão
até o início da campanha na TV. Isso mudará
quando começar o horário eleitoral", diz Alckmin.
Para reverter o quadro, ele tem uma estratégia baseada na
organização de seminários para divulgar seu
plano de governo e um corpo-a-corpo no Nordeste, onde tem apenas
9% da preferência dos eleitores. O tucano acredita que essa
agenda será suficiente para melhorar seu desempenho nas pesquisas
até que ele possa usar o que considera seu grande trunfo:
os programas eleitorais e comerciais do PSDB e do PFL que vão
ao ar em junho. Até lá, Alckmin tem de correr.
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