Austrália
Sexo olímpico
Legalizado desde 1995, negócio de
prostituição
em Sydney se prepara para faturar com os Jogos
Além de maior evento esportivo do mundo, as Olimpíadas
são uma ótima oportunidade para quem quer
fazer negócios. A multidão de turistas de
todas as partes aportando na sede dos Jogos antes e durante
as duas semanas de competições faz crescer
a expectativa dos comerciantes locais de ver suas máquinas
registradoras tilintando sem parar. A situação
não poderia ser diferente para as praticantes da
profissão mais antiga do mundo. Os bordéis
da região de Sydney nunca viveram uma excitação
tão grande. As casas de prostituição
têm investido em propaganda, reforma e ampliação
de espaços e contratação de novas funcionárias
nacionais e estrangeiras, de olho nos esperados milhões
de turistas olímpicos. Tudo sob o amparo da lei.
Lá a prostituição é legalizada
desde 1995.
Os serviços sexuais são o negócio
que mais cresce atualmente na Austrália. No Estado
de Nova Gales do Sul, onde se localiza Sydney, o setor emprega
10.000 pessoas e movimenta 20
milhões de dólares anualmente. Se a expectativa
dos proprietários de bordéis se confirmar,
esses números devem crescer vertiginosamente até
o início dos Jogos, em setembro. "A indústria
do sexo em Sydney nunca viveu um período tão
agitado", diz Maria McMahon, diretora da organização
Sex Workers Outreach Project, que orienta e dá apoio
jurídico a prostitutas e proprietários de
bordéis. A instituição está
aproveitando o momento e lançando uma ofensiva de
propaganda para orientar os turistas no sentido de usarem
apenas os bordéis legalizados. "Queremos que eles
aproveitem os serviços com segurança", justifica
McMahon.
O crescimento da prostituição em Sydney
pode ser medido pela quantidade de anúncios de bordéis
e serviços de acompanhantes nas listas telefônicas.
Em três anos, o número de páginas com
esse tipo de serviço passou de três para 24.
A cidade tem hoje cerca de 400 bordéis legalizados.
O bairro de King's Cross ficou conhecido por abrigar a maioria
dos inferninhos. Para receber o alvará de funcionamento,
os prostíbulos precisam atender a uma série
de requisitos básicos, que compreendem desde questões
de higiene até a localização, fora
das áreas residenciais. Cada conselho municipal tem
o poder para conceder ou cassar os registros dos bordéis,
que passam periodicamente por minuciosa fiscalização.
A cinco meses do início dos Jogos, a corrida por
novos clientes já começou. Um bordel chamado
Tokyo House está gastando 15.000
dólares por semana desde fevereiro para divulgar
seu "pacote olímpico", que inclui um sushi erótico,
servido sobre o corpo de mulheres nuas. Outra casa, localizada
a menos de 1 quilômetro da Vila Olímpica, está
ampliando seus domínios, construindo um luxuoso anexo
com acesso para deficientes físicos, sala de ginástica,
mesas de bilhar e, o mais importante, quinze novos quartos
para juntar aos trinta já existentes. A imigração
de profissionais também aumentou com a chegada de
senhoritas dos principais países fornecedores de
mão-de-obra especializada. Atento ao boom do mercado
do sexo em Sydney, o órgão federal de saúde
está distribuindo entre as prostitutas um vídeo
com informações sobre seus direitos trabalhistas
e orientação para evitar a contaminação
por doenças sexualmente transmissíveis. Tudo
no mais puro espírito olímpico.
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