Edição 1 645 -19/4/2000

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Austrália

Sexo olímpico

Legalizado desde 1995, negócio de prostituição
em Sydney se prepara para faturar com os Jogos

Além de maior evento esportivo do mundo, as Olimpíadas são uma ótima oportunidade para quem quer fazer negócios. A multidão de turistas de todas as partes aportando na sede dos Jogos antes e durante as duas semanas de competições faz crescer a expectativa dos comerciantes locais de ver suas máquinas registradoras tilintando sem parar. A situação não poderia ser diferente para as praticantes da profissão mais antiga do mundo. Os bordéis da região de Sydney nunca viveram uma excitação tão grande. As casas de prostituição têm investido em propaganda, reforma e ampliação de espaços e contratação de novas funcionárias nacionais e estrangeiras, de olho nos esperados milhões de turistas olímpicos. Tudo sob o amparo da lei. Lá a prostituição é legalizada desde 1995.

Os serviços sexuais são o negócio que mais cresce atualmente na Austrália. No Estado de Nova Gales do Sul, onde se localiza Sydney, o setor emprega 10.000 pessoas e movimenta 20 milhões de dólares anualmente. Se a expectativa dos proprietários de bordéis se confirmar, esses números devem crescer vertiginosamente até o início dos Jogos, em setembro. "A indústria do sexo em Sydney nunca viveu um período tão agitado", diz Maria McMahon, diretora da organização Sex Workers Outreach Project, que orienta e dá apoio jurídico a prostitutas e proprietários de bordéis. A instituição está aproveitando o momento e lançando uma ofensiva de propaganda para orientar os turistas no sentido de usarem apenas os bordéis legalizados. "Queremos que eles aproveitem os serviços com segurança", justifica McMahon.

O crescimento da prostituição em Sydney pode ser medido pela quantidade de anúncios de bordéis e serviços de acompanhantes nas listas telefônicas. Em três anos, o número de páginas com esse tipo de serviço passou de três para 24. A cidade tem hoje cerca de 400 bordéis legalizados. O bairro de King's Cross ficou conhecido por abrigar a maioria dos inferninhos. Para receber o alvará de funcionamento, os prostíbulos precisam atender a uma série de requisitos básicos, que compreendem desde questões de higiene até a localização, fora das áreas residenciais. Cada conselho municipal tem o poder para conceder ou cassar os registros dos bordéis, que passam periodicamente por minuciosa fiscalização.

A cinco meses do início dos Jogos, a corrida por novos clientes já começou. Um bordel chamado Tokyo House está gastando 15.000 dólares por semana desde fevereiro para divulgar seu "pacote olímpico", que inclui um sushi erótico, servido sobre o corpo de mulheres nuas. Outra casa, localizada a menos de 1 quilômetro da Vila Olímpica, está ampliando seus domínios, construindo um luxuoso anexo com acesso para deficientes físicos, sala de ginástica, mesas de bilhar e, o mais importante, quinze novos quartos para juntar aos trinta já existentes. A imigração de profissionais também aumentou com a chegada de senhoritas dos principais países fornecedores de mão-de-obra especializada. Atento ao boom do mercado do sexo em Sydney, o órgão federal de saúde está distribuindo entre as prostitutas um vídeo com informações sobre seus direitos trabalhistas e orientação para evitar a contaminação por doenças sexualmente transmissíveis. Tudo no mais puro espírito olímpico.

 
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Da internet
  Official Site od the Sydney 2000 Olympic Games