Índia
Marajás do software
Centro de excelência em informática,
país
exporta mão-de-obra especializada
Reuters
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| Engenheiro numa filial de empresa
americana: Vale do Silício na Ásia |
A Alemanha anunciou recentemente que vai abrir suas fronteiras
para a contratação de 20.000
profissionais estrangeiros. Será o maior fluxo de
imigração do país desde a década
de 50. Na época, um exército de operários
turcos, sem especialização, foi recrutado
para preencher vagas criadas por um grande boom de desenvolvimento
econômico. Agora, chegou a vez dos indianos. Considerados
mão-de-obra barata e qualificada, eles devem ocupar
a maior parte das novas colocações, destinadas
a incrementar a produção da indústria
de informática alemã. A Índia é
a grande surpresa do mercado mundial de tecnologia. Mesmo
com índices de pobreza tão impressionantes
quanto sua população de 1 bilhão de
pessoas, o país tornou-se centro de excelência
em computação. Suas prestigiadas universidades
e escolas técnicas formam por ano 240.000
técnicos nessa área. Parte desses talentos
é exportada para países como Alemanha e Estados
Unidos. O restante é absorvido pelo mercado interno,
em permanente estado de expansão. Existem por lá
cerca de 600 empresas, a maioria do setor de produção
de programas de computação, que exporta atualmente
4 bilhões de dólares por ano. As previsões
são de que esse número deve saltar para a
casa dos 50 bilhões até 2008.
AFP
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| Propaganda em Calcutá: contraste
entre a miséria e a tecnologia |
O sucesso dos marajás do software é provocado
por uma feliz conjunção de fatores. Primeiro,
existe a herança do colonialismo inglês, que
criou no país um sistema educacional de qualidade,
cujas raízes se mantiveram firmes mesmo após
a declaração de independência da Índia,
em 1947. A cidade de Bangalore é um exemplo desse
tipo de investimento. Conhecida como o "novo Vale do Silício",
ela possui nada menos do que três universidades, catorze
faculdades de engenharia, 47 escolas politécnicas
e diversos institutos de pesquisas. Além da ótima
formação, os profissionais que saem desses
centros interessam ao mercado mundial porque dominam o inglês
e são baratos. Um programador experiente na Índia
recebe salário de 10.000
dólares por ano, equivalente a um quinto dos rendimentos
de seus colegas americanos. Não é à
toa, portanto, que as empresas americanas recrutam profissionais
indianos. Por fim, a abertura de mercado do país
às importações, ocorrida em 1991, possibilitou
a entrada de componentes eletrônicos numa escala suficiente
para permitir a decolagem da produção das
empresas locais.
A
indústria indiana de informática tornou-se
respeitada por dominar o desenvolvimento de sistemas complexos
de computador. São programas capazes de cuidar
do processamento de dados de satélites, resolução
de imagens de máquinas de ressonância magnética
e monitoramento de redes de comunicação,
entre outras funções. Alguns de seus principais
clientes são corporações americanas
do porte da Xerox, General Electric, Reebok e AT&T.
Além disso, as principais empresas dos Estados
Unidos montaram seus próprios centros de desenvolvimento
de softwares na Índia, casos da IBM e da Microsoft.
A estrela do "Vale do Silício" do sul da Ásia
é a Infosys, sediada em Bangalore. Ela possui 6.000
funcionários, faturamento anual de 122 milhões
de dólares e foi a pioneira na Índia a figurar
no índice Nasdaq, que mede a cotação
das empresas de alta tecnologia no mundo.
Apesar do sucesso e da evolução do mercado,
os marajás do software precisam driblar os problemas
estruturais da Índia. Como não podem depender
do caótico sistema de telefonia do país, as
corporações locais transmitem seus dados por
satélites. Elas precisam também ter sistemas
de energia alternativos, já que os colapsos de energia
na região são freqüentes. A Infosys,
por exemplo, mantém 13,5 toneladas de baterias de
reserva e estoques de 4.000 galões
de óleo diesel para se proteger contra os blecautes.
É o preço que se paga para manter um pólo
de tecnologia avançada num ambiente de desenvolvimento
de Terceiro Mundo.
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