Edição 1 632 -19/1/2000

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Trinados digitais

O neo-romântico Leonardo é o primeiro
artista brasileiro a entrar na era do DVD

 
Claudio Rossi
Leonardo: produção tímida,
se comparada à dos discos
estrangeiros

O cantor neo-romântico Leonardo lançou o primeiro disco de vídeo digital produzido no país. O DVD é aquele CD que substitui com vantagens as fitas de vídeo: comporta até oito horas de gravação de filme e tem qualidade de som e imagem muito superior. Leonardo ao Vivo traz o registro de um show recente do artista. Além disso, acionando-se o cardápio que aparece na tela, podem-se ver clipes e fotos de Leonardo e conhecer os bastidores do espetáculo. No mercado desde dezembro, o DVD do cantor vendeu até agora 7.000 cópias, um número bem razoável. Apesar do relativo sucesso, o vídeo digital de Leonardo é uma produção tímida. As imagens do show parecem feitas por um cinegrafista amador. Falta uma entrevista com o ídolo, item obrigatório nos similares internacionais. E a quem interessa ver um grupo de operários montando o palco para o espetáculo?

Nos Estados Unidos, onde os DVDs musicais oferecem diversão muito mais completa ao espectador, a nova tecnologia caminha a passos largos para substituir o videocassete. Só no ano passado foram vendidos 3,9 milhões de aparelhos que executam o sistema. No Brasil, estima-se que 60.000 lares já estejam equipados com ele, contra 18 milhões que têm videocassete. "A nossa expectativa é de que, no Brasil, o DVD substitua as fitas de vídeo em oito anos", diz Omar Jundi, diretor-geral da Warner Vídeo. Por enquanto, o único empecilho para a popularização do DVD no mercado brasileiro é o preço. Um aparelho custa em torno de 1.000 reais, mais que o dobro de um videocassete. Em compensação, não é preciso gastar muito para adquirir um disco: um filme custa entre 30 e 40 reais. Uma aparente desvantagem do DVD em relação ao vídeo é que seus discos não são feitos para rodar em qualquer aparelho, por causa de um esquema antipirataria criado pelas empresas produtoras de filmes e equipamentos. Teoricamente, DVDs comercializados nos Estados Unidos não poderiam ser executados numa máquina fabricada no Brasil. Os brasileiros, no entanto, já encontraram uma solução para esse problema. Técnicos em eletrônica vêm sendo pagos para fazer com que as máquinas nacionais rodem todo tipo de vídeo digital.