Um gol contra
Globo perde
audiência ao ignorar Mundial de Clubes
No campo, Vasco da Gama
e Corinthians foram os destaques do Campeonato Mundial de
Clubes promovido pela Fifa nas últimas duas semanas.
Nos bastidores, ocorreu um embate igualmente disputado,
envolvendo as emissoras Globo e Bandeirantes. Por 45 milhões
de dólares, o canal paulista comprou os direitos
de transmissão do evento. Para esvaziar a concorrente,
a Globo resolveu noticiar com parcimônia o torneio.
Apenas os resultados eram dados, com discrição,
no Jornal Nacional, enquanto os gols eram exibidos
no Jornal da Globo, diluídos em meio aos de
um campeonato de juniores. A estratégia deu errado.
Mesmo sem a cobertura da emissora carioca, o torneio foi
um sucesso. Na sexta-feira 7, a Bandeirantes conseguiu bater
o Jornal Nacional, com a transmissão do jogo
entre Corinthians e Real Madrid. Ao longo da semana passada,
a emissora paulista continuou roubando preciosos pontos
da concorrente no horário nobre. Diante das sucessivas
derrotas no campo minado do Ibope, a Globo se rendeu às
evidências e passou a noticiar o torneio com algum
destaque em seu principal telejornal. Chegou a tentar comprar
os direitos de transmissão da final, mas já
era tarde. "Omitir informações sobre assuntos
que afetam a vida das pessoas e a sociedade, como saúde,
educação e segurança, é mau
jornalismo", desculpa-se Luiz Fernando Lima, diretor de
esportes da Globo. "No entanto, restringir informações
esportivas ao resultado não pode ser colocado na
mesma balança."
A verdade é
que, na queda-de-braço, a Globo parece ter superestimado
seu poder. Faz tempo que a emissora do Jardim Botânico
dá as cartas no futebol brasileiro. Por ter comprado
os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro
de Futebol, a Globo determina, a seu bel-prazer, o horário
dos jogos, de acordo com sua grade de programação.
Por pressão do canal, a final do campeonato do ano
passado, entre Corinthians e Atlético Mineiro, foi
marcada para as 4 horas da tarde de um dia útil.
O horário esdrúxulo foi mudado graças
à intervenção do prefeito de São
Paulo, Celso Pitta. Uma das razões de a emissora
não ter comprado os direitos do Mundial de Clubes
foi o fato de ela não poder mudar o horário
dos jogos, também vendidos para televisões
européias. De acordo com a tabela, as partidas coincidiriam
com as telenovelas da Globo. A emissora achou que se não
noticiasse o campeonato poderia preservar sua audiência
no horário nobre. Errou na avaliação.
O esporte é, cada vez mais, um chamariz de telespectadores.
Estima-se que 20% do faturamento dos canais venha desse
segmento. Para se ter uma idéia, em 1997 a Globo
colocou no ar 234 eventos esportivos. No ano passado, esse
número pulou para 329. No caso do Mundial de Clubes,
os diretores globais marcaram um gol contra.