Edição 1 632 -19/1/2000

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Um gol contra

Globo perde audiência ao ignorar Mundial de Clubes

No campo, Vasco da Gama e Corinthians foram os destaques do Campeonato Mundial de Clubes promovido pela Fifa nas últimas duas semanas. Nos bastidores, ocorreu um embate igualmente disputado, envolvendo as emissoras Globo e Bandeirantes. Por 45 milhões de dólares, o canal paulista comprou os direitos de transmissão do evento. Para esvaziar a concorrente, a Globo resolveu noticiar com parcimônia o torneio. Apenas os resultados eram dados, com discrição, no Jornal Nacional, enquanto os gols eram exibidos no Jornal da Globo, diluídos em meio aos de um campeonato de juniores. A estratégia deu errado. Mesmo sem a cobertura da emissora carioca, o torneio foi um sucesso. Na sexta-feira 7, a Bandeirantes conseguiu bater o Jornal Nacional, com a transmissão do jogo entre Corinthians e Real Madrid. Ao longo da semana passada, a emissora paulista continuou roubando preciosos pontos da concorrente no horário nobre. Diante das sucessivas derrotas no campo minado do Ibope, a Globo se rendeu às evidências e passou a noticiar o torneio com algum destaque em seu principal telejornal. Chegou a tentar comprar os direitos de transmissão da final, mas já era tarde. "Omitir informações sobre assuntos que afetam a vida das pessoas e a sociedade, como saúde, educação e segurança, é mau jornalismo", desculpa-se Luiz Fernando Lima, diretor de esportes da Globo. "No entanto, restringir informações esportivas ao resultado não pode ser colocado na mesma balança."

A verdade é que, na queda-de-braço, a Globo parece ter superestimado seu poder. Faz tempo que a emissora do Jardim Botânico dá as cartas no futebol brasileiro. Por ter comprado os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol, a Globo determina, a seu bel-prazer, o horário dos jogos, de acordo com sua grade de programação. Por pressão do canal, a final do campeonato do ano passado, entre Corinthians e Atlético Mineiro, foi marcada para as 4 horas da tarde de um dia útil. O horário esdrúxulo foi mudado graças à intervenção do prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Uma das razões de a emissora não ter comprado os direitos do Mundial de Clubes foi o fato de ela não poder mudar o horário dos jogos, também vendidos para televisões européias. De acordo com a tabela, as partidas coincidiriam com as telenovelas da Globo. A emissora achou que se não noticiasse o campeonato poderia preservar sua audiência no horário nobre. Errou na avaliação. O esporte é, cada vez mais, um chamariz de telespectadores. Estima-se que 20% do faturamento dos canais venha desse segmento. Para se ter uma idéia, em 1997 a Globo colocou no ar 234 eventos esportivos. No ano passado, esse número pulou para 329. No caso do Mundial de Clubes, os diretores globais marcaram um gol contra.