Edição 1 632 -19/1/2000

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Telecomunicação

Alô, liberdade!

Entram no ar as novas empresas telefônicas,
que trazem inovações em tecnologia e serviços

Um ano e meio depois da privatização das empresas brasileiras de telecomunicações, ainda existem filas para comprar telefones nas principais cidades do país e sobram queixas sobre a qualidade do serviço. Parte desses problemas se deve à falta de concorrência: quem quer um telefone celular já pode escolher com qual operadora quer trabalhar, mas o usuário da telefonia fixa continua refém de uma única operadora. Essa questão já começou a ser resolvida em capitais como Macapá, Boa Vista, Aracaju e Salvador. Em grandes cidades, como é o caso de São Paulo, onde há 1,5 milhão de pessoas à espera de um telefone, a concorrência entre fornecedoras de linhas telefônicas fixas começa nesta semana. A Vésper São Paulo, concorrente da Telefônica, já tem 250 pessoas trabalhando em seu centro de atendimento, que receberá as ligações dos candidatos à compra das primeiras 500.000 linhas.

Parece incrível que o Brasil, depois de uma década de abertura de mercado e de cinco anos de estabilidade econômica, ainda registre carências tão básicas como a de telefone. Acontece que a privatização, nessa área, foi feita com muito cuidado, lentamente, e a concorrência entre empresas, que é um fator decisivo na melhoria dos serviços e na queda dos preços, demorou um pouco a chegar. Até agora, a única companhia telefônica sem origem nas estatais em operação é a Vésper, uma recém-nascida. Tem apenas dez dias de trabalho e até segunda-feira da próxima semana estará operando em 29 cidades. Pode-se esperar muito dessa novidade. A empresa é comandada pela Bell Canadá, que tem 12,5 milhões de clientes no Canadá e 3 milhões em outros países. Todos satisfeitos. É uma potência que também opera com TV a cabo e internet. Só na implantação de suas primeiras redes de comunicação a Vésper está investindo 2 bilhões de dólares no Brasil. A outra companhia que entra em operação nos próximos dias é a Intelig, que vai concorrer com a Embratel nas ligações interurbanas e internacionais.

Além das vantagens óbvias que a competição entre as companhias trará, as novas empresas de telefonia fixa têm pelo menos outras duas boas novidades para o consumidor. Na área tecnológica, elas oferecem o sistema de wireless local loop, WLL, um sistema de telefonia sem fio semelhante ao dos celulares. O cliente compra um aparelho mais ou menos do tamanho de um rádio-relógio, com uma antena de um palmo de diâmetro. Ligado à tomada de eletricidade, ele começa a funcionar imediatamente como um telefone convencional. A novidade na tarifação é o sistema pré-pago, semelhante ao que já existe com os celulares. O cliente da Vésper poderá programar seus gastos comprando cartões que valem determinado número de horas de conversação.

Para enfrentar a guerra pela preferência dos consumidores que já está se anunciando, a Telefónica de España, que opera em São Paulo, já começou a se reestruturar. A empresa anunciou que vai emitir ações e trocá-las por papéis de suas subsidiárias no Brasil, Argentina e Peru. O objetivo declarado é assumir o controle total de suas operadoras no continente e reduzir gastos.