Telecomunicação
Alô, liberdade!
Entram no ar as novas empresas
telefônicas,
que trazem inovações em tecnologia e serviços
Um ano e meio depois da privatização das empresas brasileiras
de telecomunicações, ainda existem filas para comprar telefones
nas principais cidades do país e sobram queixas sobre a
qualidade do serviço. Parte desses problemas se deve à falta
de concorrência: quem quer um telefone celular já pode escolher
com qual operadora quer trabalhar, mas o usuário da telefonia
fixa continua refém de uma única operadora. Essa questão
já começou a ser resolvida em capitais como Macapá, Boa
Vista, Aracaju e Salvador. Em grandes cidades, como é o
caso de São Paulo, onde há 1,5 milhão de pessoas à espera
de um telefone, a concorrência entre fornecedoras de linhas
telefônicas fixas começa nesta semana. A Vésper São Paulo,
concorrente da Telefônica, já tem 250 pessoas trabalhando
em seu centro de atendimento, que receberá as ligações dos
candidatos à compra das primeiras 500.000
linhas.
Parece incrível que o Brasil, depois de uma década de abertura
de mercado e de cinco anos de estabilidade econômica, ainda
registre carências tão básicas como a de telefone. Acontece
que a privatização, nessa área, foi feita com muito cuidado,
lentamente, e a concorrência entre empresas, que é um fator
decisivo na melhoria dos serviços e na queda dos preços,
demorou um pouco a chegar. Até agora, a única companhia
telefônica sem origem nas estatais em operação é a Vésper,
uma recém-nascida. Tem apenas dez dias de trabalho e até
segunda-feira da próxima semana estará operando em 29 cidades.
Pode-se esperar muito dessa novidade. A empresa é comandada
pela Bell Canadá, que tem 12,5 milhões de clientes no Canadá
e 3 milhões em outros países. Todos satisfeitos. É uma potência
que também opera com TV a cabo e internet. Só na implantação
de suas primeiras redes de comunicação a Vésper está investindo
2 bilhões de dólares no Brasil. A outra companhia que entra
em operação nos próximos dias é a Intelig, que vai concorrer
com a Embratel nas ligações interurbanas e internacionais.
Além das vantagens óbvias que a competição entre as companhias
trará, as novas empresas de telefonia fixa têm pelo menos
outras duas boas novidades para o consumidor. Na área tecnológica,
elas oferecem o sistema de wireless local loop, WLL, um
sistema de telefonia sem fio semelhante ao dos celulares.
O cliente compra um aparelho mais ou menos do tamanho de
um rádio-relógio, com uma antena de um palmo de diâmetro.
Ligado à tomada de eletricidade, ele começa a funcionar
imediatamente como um telefone convencional. A novidade
na tarifação é o sistema pré-pago, semelhante ao que já
existe com os celulares. O cliente da Vésper poderá programar
seus gastos comprando cartões que valem determinado número
de horas de conversação.
Para enfrentar a guerra pela preferência dos consumidores
que já está se anunciando, a Telefónica de España, que opera
em São Paulo, já começou a se reestruturar. A empresa anunciou
que vai emitir ações e trocá-las por papéis de suas subsidiárias
no Brasil, Argentina e Peru. O objetivo declarado é assumir
o controle total de suas operadoras no continente e reduzir
gastos.