Edição 1 632 -19/1/2000

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Fuga da capital

Qualidade de vida e imóveis baratos
atraem moradores para o subúrbio

José Edward

Renata Ursaia
Condomínio em Barueri: luxo


Há uma nova onda migratória em curso no Brasil. As grandes capitais que, década após década, incharam com a chegada de exércitos de pessoas pararam de crescer. Em compensação, as cidades que ficam na periferia dessas metrópoles estão enfrentando uma explosão populacional nunca vista. Nos últimos oito anos, mais gente saiu do município de São Paulo do que chegou. "A capital paulista só não está encolhendo por causa do crescimento vegetativo e da migração nordestina, que ainda é elevada", afirma a socióloga Rosana Baeninger, do Núcleo de Estudos da População da Universidade Estadual de Campinas. Enquanto isso, Barueri, um dos municípios do cinturão metropolitano de São Paulo, cresce inacreditáveis 21% ao ano. O mesmo acontece na região metropolitana de Belo Horizonte, na qual o município-sede tem praticamente a mesma população há quatro anos, enquanto seus vizinhos Betim e Ribeirão das Neves registram crescimento anual acima de 5%.

Essa mudança está acontecendo por duas razões. A primeira é que o crescimento acelerado das grandes cidades fez subir o preço dos imóveis nas áreas centrais, elevando também outros gastos, como mensalidades escolares e impostos. Quem vai para a periferia está encontrando conforto a preço mais em conta. Além disso, a chegada de grandes indústrias a essas cidades-satélites vem trazendo investimentos em serviços e infra-estrutura. É o caso de São José dos Pinhais, município colado a Curitiba, que ganhou duas montadoras de automóveis, teve o aeroporto ampliado e agora recebe dois hotéis cinco-estrelas. Para completar, novos corredores de transporte nas metrópoles, como vias expressas e linhas de trem e metrô, facilitam o vai-e-vem de quem opta por morar longe do centro. De quebra, essas pessoas descobrem que é possível viver em lugares com menos trânsito, mais segurança e opções de lazer que algum tempo atrás só se encontravam nas capitais. Betim, por exemplo, ganhou o primeiro shopping em 1998. "Escolhemos a cidade ao descobrir que seu crescimento havia gerado uma classe média ávida por consumir", diz Tarcísio Villela, superintendente do shopping, que recebe 200.000 pessoas por mês.

Mesmo gente que sempre morou em capitais está buscando outros ares. Há seis anos, o urologista Mauro Resende Filho resolveu trocar São Paulo por uma cidade no ABC paulista. Ele morava em uma quitinete no bairro paulistano de Perdizes. Levava uma vida corrida. Trabalhava na periferia e dava plantão, à noite, na capital. No final de 1993, mudou-se com a família para Santo André e conseguiu comprar um apartamento bem maior numa das áreas mais nobres da cidade. Fica a duas quadras do ABC Plaza Shopping, um dos maiores da região, e em frente do Parque Duque de Caxias, com área verde, lago artificial e playground, onde Mauro leva o filho Mateus, de 2 anos, para passear. "Sair de São Paulo foi decisivo para o impulso de minha carreira profissional", afirma. "Santo André nos oferece uma qualidade de vida infinitamente superior."