Fuga da capital
Qualidade de vida e imóveis baratos
atraem moradores para o subúrbio
José Edward
Renata Ursaia
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| Condomínio em Barueri: luxo |
Há uma nova onda migratória em curso no Brasil.
As grandes capitais que, década após década,
incharam com a chegada de exércitos de pessoas pararam
de crescer. Em compensação, as cidades que
ficam na periferia dessas metrópoles estão
enfrentando uma explosão populacional nunca vista.
Nos últimos oito anos, mais gente saiu do município
de São Paulo do que chegou. "A capital paulista só
não está encolhendo por causa do crescimento
vegetativo e da migração nordestina, que ainda
é elevada", afirma a socióloga Rosana Baeninger,
do Núcleo de Estudos da População da
Universidade Estadual de Campinas. Enquanto isso, Barueri,
um dos municípios do cinturão metropolitano
de São Paulo, cresce inacreditáveis 21% ao
ano. O mesmo acontece na região metropolitana de
Belo Horizonte, na qual o município-sede tem praticamente
a mesma população há quatro anos, enquanto
seus vizinhos Betim e Ribeirão das Neves registram
crescimento anual acima de 5%.
Essa mudança está acontecendo por duas razões.
A primeira é que o crescimento acelerado das grandes
cidades fez subir o preço dos imóveis nas
áreas centrais, elevando também outros gastos,
como mensalidades escolares e impostos. Quem vai para a
periferia está encontrando conforto a preço
mais em conta. Além disso, a chegada de grandes indústrias
a essas cidades-satélites vem trazendo investimentos
em serviços e infra-estrutura. É o caso de
São José dos Pinhais, município colado
a Curitiba, que ganhou duas montadoras de automóveis,
teve o aeroporto ampliado e agora recebe dois hotéis
cinco-estrelas. Para completar, novos corredores de transporte
nas metrópoles, como vias expressas e linhas de trem
e metrô, facilitam o vai-e-vem de quem opta por morar
longe do centro. De quebra, essas pessoas descobrem que
é possível viver em lugares com menos trânsito,
mais segurança e opções de lazer que
algum tempo atrás só se encontravam nas capitais.
Betim, por exemplo, ganhou o primeiro shopping em 1998.
"Escolhemos a cidade ao descobrir que seu crescimento havia
gerado uma classe média ávida por consumir",
diz Tarcísio Villela, superintendente do shopping,
que recebe 200.000 pessoas por
mês.
Mesmo gente que sempre morou em capitais está buscando
outros ares. Há seis anos, o urologista Mauro Resende
Filho resolveu trocar São Paulo por uma cidade no
ABC paulista. Ele morava em uma quitinete no bairro paulistano
de Perdizes. Levava uma vida corrida. Trabalhava na periferia
e dava plantão, à noite, na capital. No final
de 1993, mudou-se com a família para Santo André
e conseguiu comprar um apartamento bem maior numa das áreas
mais nobres da cidade. Fica a duas quadras do ABC Plaza
Shopping, um dos maiores da região, e em frente do
Parque Duque de Caxias, com área verde, lago artificial
e playground, onde Mauro leva o filho Mateus, de 2 anos,
para passear. "Sair de São Paulo foi decisivo para
o impulso de minha carreira profissional", afirma. "Santo
André nos oferece uma qualidade de vida infinitamente
superior."