Edição 1 632 -19/1/2000

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Itália

Ópera sem fim

Pavarotti é acusado de sonegar imposto de renda

Os famosos dós agudos do tenor italiano Luciano Pavarotti andam escasseando, mas suas dores de cabeça só aumentam. O cantor acaba de ganhar um ultimato do fisco italiano: ou prova de vez que não sonegou imposto de renda entre 1989 e 1991 – num valor estimado pelas autoridades em 6 milhões de dólares –, ou seu caso será enviado à Justiça. Pavarotti alega residir no principado de Mônaco, um paraíso fiscal, desde 1983. O governo italiano pensa diferente: como o tenor passaria mais da metade do ano em suas propriedades na Itália, precisaria pagar impostos em seu próprio país. Os advogados do cantor têm até meados de fevereiro para apresentar uma defesa convincente. Vão ter de trabalhar muito. Por causa de um processo semelhante, Sophia Loren, a maior estrela italiana, passou dezessete dias atrás das grades, em 1982.

O inferno astral de Pavarotti daria uma ópera. No início de 1998, ele cancelou sua turnê americana em razão de freqüentes crises de hipertensão. Poucos meses depois, passou por uma cirurgia no quadril. Há dez dias, simplesmente faltou a um recital na Espanha. Os puristas da ópera o acusam de não cuidar mais da voz como deveria e de flertar exageradamente com astros pop – de Roberto Carlos a Elton John e Spice Girls, ele hoje canta com qualquer um. O tenor enfrenta problemas também no terreno doméstico, desde que trocou sua mulher, Adua Veroni, pela secretária Nicoletta Mantovani, 34 anos mais jovem que ele. Adua, evidentemente, ficou tiririca e quer compensar o golpe em sua auto-estima com uma dinheirama. Para assinar os papéis do divórcio, ela exige nada mais, nada menos do que 75 milhões de dólares.