Itália
Ópera sem fim
Pavarotti é acusado de sonegar imposto
de renda
Os famosos dós agudos do tenor italiano Luciano Pavarotti
andam escasseando, mas suas dores de cabeça só aumentam.
O cantor acaba de ganhar um ultimato do fisco italiano:
ou prova de vez que não sonegou imposto de renda entre 1989
e 1991 num valor estimado pelas autoridades em 6 milhões
de dólares , ou seu caso será enviado à Justiça. Pavarotti
alega residir no principado de Mônaco, um paraíso fiscal,
desde 1983. O governo italiano pensa diferente: como o tenor
passaria mais da metade do ano em suas propriedades na Itália,
precisaria pagar impostos em seu próprio país. Os advogados
do cantor têm até meados de fevereiro para apresentar uma
defesa convincente. Vão ter de trabalhar muito. Por causa
de um processo semelhante, Sophia Loren, a maior estrela
italiana, passou dezessete dias atrás das grades, em 1982.
O inferno astral de Pavarotti daria uma ópera. No início
de 1998, ele cancelou sua turnê americana em razão de freqüentes
crises de hipertensão. Poucos meses depois, passou por uma
cirurgia no quadril. Há dez dias, simplesmente faltou a
um recital na Espanha. Os puristas da ópera o acusam de
não cuidar mais da voz como deveria e de flertar exageradamente
com astros pop de Roberto Carlos a Elton John e Spice
Girls, ele hoje canta com qualquer um. O tenor enfrenta
problemas também no terreno doméstico, desde que trocou
sua mulher, Adua Veroni, pela secretária Nicoletta Mantovani,
34 anos mais jovem que ele. Adua, evidentemente, ficou tiririca
e quer compensar o golpe em sua auto-estima com uma dinheirama.
Para assinar os papéis do divórcio, ela exige nada mais,
nada menos do que 75 milhões de dólares.