Inglaterra
É proibido rebolar
Governo Blair aceita o recrutamento
de gays,
mas impõe normas para evitar vexames
O Exército de sua majestade
finalmente se rendeu aos novos tempos. Na semana passada,
o governo inglês anunciou que daqui em diante será
permitida a presença de homossexuais nas fileiras
militares. A decisão já era esperada havia
tempo. Era notório o desconforto do governo trabalhista,
cujo pós-modernismo inclui a presença de ministros
gays, com o fato de o país manter uma das políticas
mais severas da União Européia em relação
ao tema. O primeiro-ministro Tony Blair já tomou
outras medidas polêmicas nessa área, como baixar
a idade mínima em que a prática sexual entre
pessoas do mesmo sexo deixa de ser crime. A maioria das
Forças Armadas do continente encontrou um jeito de
acomodar os gays. Outras, como as da Holanda, chegaram a
ponto de criar programas para ajudá-los a se integrar
no ambiente da caserna. Mesmo a Grécia, tão
conservadora que os militares relutam em raspar o tradicional
bigodão, pensa em rever as regras que impedem a presença
de gays nos quartéis e no serviço público.
Só falta a Inglaterra baixar a guarda.
O incentivo que faltava veio quatro
meses atrás, com uma espinafrada da Corte Européia
de Direitos Humanos. O organismo avaliou como interferência
indevida na vida privada a expulsão de quatro militares
homossexuais. O governo Blair congelou imediatamente todas
as investigações sobre conduta sexual nos
quartéis e ficou aguardando o melhor momento para
liberar geral. Ou, melhor, liberou com cuidado, para evitar
que a disciplina militar sofra uma súbita e desmoralizante
descontração. O novo Código de Conduta
Social pune as condutas consideradas inadequadas ou ofensivas
sexualmente e que ameacem as relações pessoais.
Dentro dessa classificação, tanto pode ser
castigado o coronel que usar a patente para assediar o recruta
quanto um soldado que tiver comportamento afetado.
A aceitação de homossexuais
assumidos nas Forças Armadas está longe de
se tornar universal. A controvérsia não se
prende apenas a preconceito mas também ao temor natural
da tensão que a presença de gays assumidos
pode causar no ambiente fechado dos quartéis. No
Exército brasileiro, que segue um código de
disciplina da época do duque de Caxias, um homossexual
recebe como punição a expulsão com
desonra, castigo igual ao que é imposto aos traidores.
Nos Estados Unidos, o assunto tornou-se um pesadelo político
para o governo do presidente Bill Clinton. Seis anos atrás,
acossado pelo vigor do lobby gay, ele adotou a fórmula
"não pergunte, não conte". Ou seja, não
mexeu na legislação que pune os gays com a
expulsão sumária das Forças Armadas.
Mas agora se faz vista grossa desde que eles mantenham a
discrição. Na atual campanha pela Casa Branca,
a questão é debatida como se o futuro do país
mais rico e poderoso do planeta fosse refém do comportamento
sexual de seus soldados.
O vice-presidente Al Gore, candidato
democrata à Presidência, já prometeu
escancarar as portas, se eleito. Candidato em 1992, Clinton
fez a mesma promessa, mas foi forçado a recuar diante
da oposição das Forças Armadas. A fórmula
atual está longe de funcionar. Os dados do Pentágono
mostram aumento no número de soldados expulsos por
homossexualismo. Depois de cair para 617 em 1994, quase
dobrou desde então. Charles Moskos, o professor que
inventou a fórmula "não pergunte, não
conte", suspeita que muitos recrutas insatisfeitos com a
vida no quartel estejam se declarando homossexuais só
para cair fora sem maior burocracia. Ele também é
autor de uma pesquisa segundo a qual, ao contrário
do que se imagina, o preconceito contra gays está
em queda entre a soldadesca americana. Como os militares
ingleses reagirão quando seus colegas de farda começarem
a se assumir publicamente? O governo aposta que vão
comportar-se com a habitual fleuma britânica.
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Gays
nos quartéis
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BRASIL
O regulamento militar proíbe
gays nas fileiras
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ESTADOS UNIDOS
Adota a política de "não
pergunte, não conte"
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ISRAEL
Aceita gays desde 1993, mas
proíbe sexo no quartel
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HOLANDA
Foi o primeiro país a
permitir militar gay, nos anos 70
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FRANÇA
O homossexual discreto é
tolerado na tropa
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DINAMARCA
Aceita recrutas gays desde 1978
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ITÁLIA
Gays são dispensados
do serviço militar obrigatório
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Fonte: Associated Press