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Edição 1978 . 18 de outubro de 2006

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Economia
O Youtube faz a alegria
do Google

Ao comprar o site de vídeos, a empresa
deixa para trás o Yahoo!, a Microsoft
e Rupert Murdoch


Marcelo Marthe

 

Tony Avelar/AP
Chen e Hurley (acima), os donos do Google (abaixo) e a notícia no site: na vanguarda do mercado
Fotos Jeff J. Mitchell/Getty Images e divulgação

Na semana passada, o Google, o serviço de busca mais popular do mundo, desembolsou 1,65 bilhão de dólares para adquirir o site de vídeos YouTube. A compra é significativa por dois motivos. Primeiro, por dar uma medida da importância que a busca e a exibição de vídeos terão, daqui para a frente, na internet. Hoje, 200 milhões de vídeos são vistos diariamente na rede, metade deles no YouTube, mas projeções indicam que esse mercado crescerá dez vezes até 2010. A compra também foi a ação de mercado mais agressiva do Google desde que suas ações passaram a ser negociadas no pregão da bolsa, dois anos atrás. A empresa já havia adquirido negócios menores, mas nunca um peixão (num reconhecimento implícito de que não tem o monopólio das boas idéias). Venceu concorrentes como o Yahoo! e a News Corp., do magnata Rupert Murdoch, que também cobiçavam o YouTube. Consolidou, ainda, uma vantagem em relação à Microsoft, que decidiu investir numa ferramenta própria e "mais avançada" de troca de vídeos. Ao comprar o YouTube, o Google não obteve só tecnologia: levou também uma marca forte e uma comunidade fiel de usuários.

Fundadores do YouTube, os americanos Chad Hurley e Steve Chen comemoraram a venda como convinha: veicularam no site um clipe em que agradecem aos usuários e caem no riso. Não à toa, claro. O YouTube foi criado há menos de dois anos. Até a semana passada, contava com 65 funcionários e tinha sede na sobreloja de um restaurante em San Bruno, na Califórnia. Nesse cenário modesto, gestou a explosão do vídeo na internet.

O Google não aposta no lucro imediato, pois o YouTube trabalha no vermelho. O site tem custos de operação altíssimos e sobrevivia graças aos 11,5 milhões de dólares injetados por um fundo de capital de risco. Mas não há dúvida de que o Google ganha muito com sua aquisição. Passa de um papel secundário (seu serviço similar, o Google Video, está bem atrás do YouTube) à condição de protagonista na área, credenciando-se como parceiro preferencial dos estúdios de cinema e das redes de TV americanas na corrida ao vídeo na internet.

A compra traz ainda outra vantagem. Com oito anos de idade, o Google já é um veterano para os padrões da internet. Ao unir-se ao YouTube, amplia sua sintonia com os usuários da "nova internet" (veja o quadro). O Google dá, por fim, um passo na direção do futuro de seu próprio negócio: a busca de imagens. Hoje, os buscadores localizam um vídeo na internet com base em textos que descrevem seu conteúdo. Tecnologias de reconhecimento de sons e expressões faciais deverão revolucionar isso. "Com o YouTube, o Google ganha um campo de testes de valor inestimável", diz o especialista Marcello Póvoa.

Para os céticos, o preço alcançado pelo YouTube é um sintoma de "exuberância irracional" na internet. De fato, o Google terá desafios para fazer valer seu investimento. Um deles é como faturar com o site sem melindrar usuários avessos à propaganda. O YouTube recentemente fechou acordos com as gravadoras Universal e Sony BMG, além da rede de TV americana CBS. Mas busca uma fórmula eficiente de veicular publicidade. Resta ainda outra interrogação: como respeitar direitos autorais num serviço calcado na informalidade? O Google será um alvo tentador para processos indenizatórios. Nada disso anula o fato de que o momento atual conspira a favor do YouTube. Anos atrás, a indústria do entretenimento reagiu com força bruta à troca de músicas na rede. Agora, na vez do vídeo, parece querer assumir uma atitude mais conciliadora: em vez de ver o meio como inimigo, busca aliar-se a ele. Sabe que é um caminho sem volta.

 

Questão de etiqueta

Comprado na semana passada pelo Google, o site YouTube representa uma nova cultura da internet. Eis os mandamentos dessa geração

1 NÃO TENTE COBRAR
A livre circulação de informação é um valor caro aos novos usuários da internet. Como eles debandam ao menor sinal de que o acesso não é gratuito, introduzir serviços pagos é uma tarefa inglória  

2 NÃO TENTE FAZER PROPAGANDA
São consumidores avessos à publicidade tradicional, por julgá-la intrusiva. Para atingi-los, as empresas apostam no marketing viral: as propagandas são calculadamente disfarçadas e se espalham na base do boca-a-boca  

3 NÃO IMPONHA REGRAS
A autogestão é sagrada. Os sites são, antes de tudo, ferramentas que permitem ao usuário acessar, armazenar e compartilhar o conteúdo de seu interesse quando e com quem quiser  

4 EVITE O TOM "OFICIAL"
Eles desconfiam das fontes de informação tradicionais. Ao investigar um assunto, o usuário típico preferirá um meio alternativo como a Wikipedia à Enciclopédia Britânica, por exemplo

 
 
 
 
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