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Economia
O Youtube faz a alegria do Google
Ao comprar o site de vídeos, a empresa deixa para trás o Yahoo!,
a Microsoft e Rupert Murdoch  Marcelo
Marthe Tony
Avelar/AP
 | | Chen
e Hurley (acima), os donos do Google (abaixo) e a notícia
no site: na vanguarda do mercado | Fotos
Jeff J. Mitchell/Getty Images e divulgação
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Na semana passada, o Google, o serviço de busca mais popular do mundo,
desembolsou 1,65 bilhão de dólares para adquirir o site de vídeos
YouTube. A compra é significativa por dois motivos. Primeiro, por dar uma
medida da importância que a busca e a exibição de vídeos
terão, daqui para a frente, na internet. Hoje, 200 milhões de vídeos
são vistos diariamente na rede, metade deles no YouTube, mas projeções
indicam que esse mercado crescerá dez vezes até 2010. A compra também
foi a ação de mercado mais agressiva do Google desde que suas ações
passaram a ser negociadas no pregão da bolsa, dois anos atrás. A
empresa já havia adquirido negócios menores, mas nunca um peixão
(num reconhecimento implícito de que não tem o monopólio
das boas idéias). Venceu concorrentes como o Yahoo! e a News Corp., do
magnata Rupert Murdoch, que também cobiçavam o YouTube. Consolidou,
ainda, uma vantagem em relação à Microsoft, que decidiu investir
numa ferramenta própria e "mais avançada" de troca de vídeos.
Ao comprar o YouTube, o Google não obteve só tecnologia: levou também
uma marca forte e uma comunidade fiel de usuários.
Fundadores do YouTube, os americanos Chad Hurley e Steve Chen comemoraram a venda
como convinha: veicularam no site um clipe em que agradecem aos usuários
e caem no riso. Não à toa, claro. O YouTube foi criado há
menos de dois anos. Até a semana passada, contava com 65 funcionários
e tinha sede na sobreloja de um restaurante em San Bruno, na Califórnia.
Nesse cenário modesto, gestou a explosão do vídeo na internet.
O Google não aposta no lucro
imediato, pois o YouTube trabalha no vermelho. O site tem custos de operação
altíssimos e sobrevivia graças aos 11,5 milhões de dólares
injetados por um fundo de capital de risco. Mas não há dúvida
de que o Google ganha muito com sua aquisição. Passa de um papel
secundário (seu serviço similar, o Google Video, está bem
atrás do YouTube) à condição de protagonista na área,
credenciando-se como parceiro preferencial dos estúdios de cinema e das
redes de TV americanas na corrida ao vídeo na internet.
A compra traz ainda outra vantagem. Com oito anos de idade, o Google já
é um veterano para os padrões da internet. Ao unir-se ao YouTube,
amplia sua sintonia com os usuários da "nova internet" (veja
o quadro). O Google dá, por fim, um passo na direção
do futuro de seu próprio negócio: a busca de imagens. Hoje, os buscadores
localizam um vídeo na internet com base em textos que descrevem seu conteúdo.
Tecnologias de reconhecimento de sons e expressões faciais deverão
revolucionar isso. "Com o YouTube, o Google ganha um campo de testes de valor
inestimável", diz o especialista Marcello Póvoa.
Para os céticos, o preço alcançado pelo YouTube é
um sintoma de "exuberância irracional" na internet. De fato, o Google terá
desafios para fazer valer seu investimento. Um deles é como faturar com
o site sem melindrar usuários avessos à propaganda. O YouTube recentemente
fechou acordos com as gravadoras Universal e Sony BMG, além da rede de
TV americana CBS. Mas busca uma fórmula eficiente de veicular publicidade.
Resta ainda outra interrogação: como respeitar direitos autorais
num serviço calcado na informalidade? O Google será um alvo tentador
para processos indenizatórios. Nada disso anula o fato de que o momento
atual conspira a favor do YouTube. Anos atrás, a indústria do entretenimento
reagiu com força bruta à troca de músicas na rede. Agora,
na vez do vídeo, parece querer assumir uma atitude mais conciliadora: em
vez de ver o meio como inimigo, busca aliar-se a ele. Sabe que é um caminho
sem volta.
Questão
de etiqueta Comprado na semana passada pelo
Google, o site YouTube representa uma nova cultura da internet. Eis os mandamentos
dessa geração 1 NÃO
TENTE COBRAR A livre circulação de informação
é um valor caro aos novos usuários da internet. Como eles debandam
ao menor sinal de que o acesso não é gratuito, introduzir serviços
pagos é uma tarefa inglória 2
NÃO TENTE FAZER PROPAGANDA São consumidores avessos à
publicidade tradicional, por julgá-la intrusiva. Para atingi-los, as empresas
apostam no marketing viral: as propagandas são calculadamente disfarçadas
e se espalham na base do boca-a-boca 3
NÃO IMPONHA REGRAS A autogestão é sagrada. Os sites
são, antes de tudo, ferramentas que permitem ao usuário acessar,
armazenar e compartilhar o conteúdo de seu interesse quando e com quem
quiser 4 EVITE O TOM "OFICIAL"
Eles desconfiam das fontes de informação tradicionais. Ao investigar
um assunto, o usuário típico preferirá um meio alternativo
como a Wikipedia à Enciclopédia Britânica, por exemplo
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