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Brasil
O terrorismo do PT
A campanha de Lula adota a tática de
usar boatos para prejudicar o adversário
Dida Sampaio/AE
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| O bin laden Marco Aurélio Garcia: missão de
espalhar o terror |
Inventar uma mentira sobre o adversário,
e divulgá-la à exaustão numa campanha eleitoral,
é um velho truque sujo do qual o próprio presidente
Lula já foi vítima. Em 1989, o então candidato
à Presidência pelo PRN, Fernando Collor, espalhou o
boato de que Lula, se eleito, confiscaria a poupança dos
brasileiros. Em 1994, a campanha de Fernando Henrique Cardoso divulgou
o "receio" de que o petista acabaria com o Plano Real. Agora Lula
está vendo seus partidários adotar o mesmo método
e até se engajou nele. No último dia 6, em um comício
na Bahia, o presidente declarou que seu adversário nas eleições,
Geraldo Alckmin, pretendia privatizar a Petrobras, os Correios,
a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. Mesmo tendo
sido desmentido pelo tucano, o candidato do PT e sua equipe continuaram
a alardear a falsa informação, numa operação
de terrorismo eleitoral que já havia incluído a difusão
de outras mentiras: a de que o tucano extinguiria o Bolsa Família,
acabaria com a Zona Franca de Manaus e demitiria funcionários
públicos. "É a mesma estratégia utilizada por
Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler: você repete
uma mentira muitas vezes para tentar transformá-la em verdade",
afirma Alberto Goldman (PSDB), vice-governador eleito de São
Paulo.
A nova tática eleitoral
do PT tem militantes como o marqueteiro João Santana, a ex-prefeita
Marta Suplicy e o ex-ministro e deputado federal eleito pelo PSB
Ciro Gomes. Na linha de frente da operação está
Marco Aurélio Garcia, coordenador-geral da campanha. Na semana
passada, Garcia aproveitou-se de uma declaração do
economista Yoshiaki Nakano, segundo a qual o governo faria um bem
ao país se efetuasse um corte de 60 bilhões de reais
no Orçamento, para divulgar uma nota dizendo que "Alckmin
quer levar o país à recessão e o governo federal
à inoperância". Não adiantou o fato de Nakano,
um dos coordenadores do programa econômico de Alckmin, ter
sido desautorizado pelo candidato a central de boatos do
PT cuidou de reverberar a mentira.
A tática é antiga,
como lembra o historiador Marco Antonio Villa. Em 1945, adversários
do brigadeiro Eduardo Gomes divulgaram que o então candidato
à Presidência pela UDN havia dito em um discurso que
não precisava do "voto dos marmiteiros", como eram conhecidos
os operários. A notícia era falsa, mas abalou a candidatura
de Gomes, que perdeu a Presidência para Eurico Gaspar Dutra.
Na semana passada, o PT decidiu refinar a estratégia: colocou
em seu site de campanha para logo em seguida retirar
uma nota que dizia: "Alguém poderia perguntar se ele (Alckmin)
sabia que sua filha era funcionária de uma empresa acusada
de contrabando, a Daslu, ou se tinha conhecimento de que sua esposa
ganhou de presente 400 vestidinhos chiques". Em seguida, membros
do governo "plantaram" nos jornais a notícia de que fora
Lula em pessoa quem, "indignado" com a divulgação
do texto, teria ordenado sua retirada do ar. Com isso, o PT conseguiu
trazer à tona episódios embaraçosos para Alckmin
e, ao mesmo tempo, lustrar a imagem do presidente apresentado
como candidato "preocupado com o vale-tudo" das eleições.
Mas o maior objetivo dos bin ladens petistas com a última
operação é pressionar os tucanos para que não
toquem no que é um dos mais sensíveis assuntos do
governo Lula: os negócios bem-sucedidos de Lulinha
como é conhecido Fábio Luís Lula da Silva,
filho do presidente e sócio de uma empresa de games que recebeu
15 milhões de reais da Telemar.
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