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Brasil Ficou
ainda pior Relatório do TCU diz
que dinheiro das cartilhas pode ter pago dívida do PT  Julia
Duailibi
Carlos
Humberto/Ag. BG Press
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e o amigo Gushiken: atuação na Secom marcada por denúncias
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Em sua edição
de 13 de setembro, VEJA revelou a justificativa dada pelo governo ao Tribunal
de Contas da União (TCU) para o desaparecimento de 2 milhões de
encartes e revistas de propaganda institucional pagos com dinheiro público.
O governo informou ao TCU que o material, sobre o qual não há registro
nas repartições oficiais, havia sido entregue diretamente pelas
gráficas ao Partido dos Trabalhadores. Segundo a Secretaria de Comunicação
da Presidência da República (Secom), responsável pela elaboração
da propaganda, isso ocorreu porque o PT se dispôs a distribuir os encartes
e revistas à população, com o objetivo de baratear os custos
para os cofres do Estado. Diante da explicação do governo, o ministro
Ubiratan Aguiar, relator do processo que investiga o caso, afirmou, em voto proferido
no mês passado, ter havido uma confusão inadmissível entre
os interesses do governo e os de um partido político. Ele determinou, ainda,
que o ex-ministro Luiz Gushiken, na ocasião à frente da Secom, e
outros nove funcionários devolvessem ao Erário o valor gasto com
o material supostamente entregue ao PT, além daquele despendido com outros
3 milhões de exemplares efetivamente distribuídos, mas produzidos
a preços superfaturados. O total do dinheiro a ser reembolsado alcança
11 milhões de reais. Na semana
passada, VEJA teve acesso às 32 páginas do relatório técnico
do TCU sobre o assunto e descobriu que o caso é bem complicado. Para os
auditores do tribunal, há a hipótese de que os 2 milhões
de encartes e revistas não tenham sido sequer produzidos e que o dinheiro
pago pela Secom às gráficas serviu, na verdade, para remunerar serviços
eleitorais feitos por elas ao próprio PT. A versão de que as cartilhas
foram entregues ao PT seria, portanto, apenas uma desculpa para encobrir o crime
de desvio de dinheiro público. Ao todo, dos 25 pontos fornecidos pela Secom
para tentar comprovar a existência do material gráfico e a sua conseqüente
distribuição, dezenove foram rechaçados pelos técnicos
do tribunal. Os outros seis são compostos apenas de dados acessórios.
A mixórdia de versões
da Secom é grande. De acordo com a secretaria, 1.000 exemplares foram entregues
diretamente ao escritório da Presidência da República em São
Paulo. Os técnicos do TCU, no entanto, não encontram uma prova consistente
disso. A nota fiscal emitida pela gráfica responsável pela confecção
desses exemplares estava em branco no campo destinado ao receptor. Há irregularidades
mais gritantes. Na suposta entrega para o PT de um lote de 48.000 unidades, a
nota fiscal traz valor distinto daquele pago pela Secom para a impressão
das cartilhas. A secretaria diz que pagou 2,49 reais por unidade, mas no documento
está 1,61 real. No afã de conseguir qualquer documento para comprovar
o envio das revistas, a Secom chegou a entregar ao TCU recibos que faziam referência
a um material editado em espanhol. Com relação a outros lotes, a
secretaria nem sequer se deu ao trabalho de explicar ou anexar documentos que
provassem sua confecção e distribuição.
As agências de publicidade responsáveis por produzir os encartes
e revistas têm relação antiga com o PT. Uma delas é
a Duda Mendonça & Associados, do marqueteiro próximo ao presidente
Lula. A outra é a Matisse, de Paulo de Tarso Santos, publicitário
amigo do presidente e marqueteiro das duas primeiras campanhas de Lula ao Planalto,
em 1989 e 1994. Não é novidade que, para o PT, não há
fronteira entre Estado e partido. Essa confusão foi atestada pelo próprio
ministro Ubiratan Aguiar em seu voto. Esperava-se apenas que, após os escândalos
que envolveram a Secom no ano passado, como os contratos superfaturados com as
empresas do lobista Marcos Valério, o governo promovesse uma limpa nos
quadros do órgão. Mas o que se viu foi um desligamento apenas formal
de Gushiken e de seu então braço-direito, Marcus Flora. Dos outros
oito servidores responsabilizados pelo TCU no caso dos encartes e revistas desaparecidos,
seis continuam na secretaria, firmes e fortes, mandando e desmandando. Esse é
o governo da companheirada.
O ESQUEMA-FANTASMA
O
TCU examinou notas fiscais e documentos apresentados pela Secretaria de Comunicação
da Presidência para justificar a confecção de milhões
de encartes e revistas com propaganda do governo Lula, supostamente distribuídos
pelo PT. Conclusão: boa parte do material nem chegou a ser produzida 
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