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Bancos O
maior banco do mundo Criado no Japão, o
Mitsubishi UFJ é dez vezes maiorque o Itaú, o BB e o Bradesco
juntos 
Carina Nucci
Na semana
passada, depois de mais de um mês de negociação, foi criado
o maior banco do mundo. O superbanco é japonês, chama-se Mitsubishi
UFJ Holdings e resulta da fusão do Mitsubishi Tokyo Financial Group (MTFG)
com o UFJ Holdings. Seu tamanho equivale a dez vezes os ativos do Bradesco, Banco
do Brasil e Itaú juntos. A nova instituição, que controlará
1,7 trilhão de dólares, 881 agências e mais de 77.000 funcionários,
desbancou o Mizuho Financial Group. Agora, o Japão ocupa os dois primeiros
lugares no ranking mundial do setor e o sistema bancário do país
vive um momento de recuperação histórico, depois do colapso
dos anos 90. Em 2003, o lucro dos 1.000 maiores bancos chegou a 417 bilhões
de dólares. Só para efeito de comparação, o setor
bancário brasileiro registrou lucro de 7 bilhões de dólares
no ano passado. O primeiro passo para a recuperação
do sistema foi dado pela Agência de Serviços Financeiros do Japão,
órgão regulador do setor bancário, que estabeleceu regras
mais rígidas para os empréstimos ao setor privado. Estancou-se,
assim, a sangria provocada pela inadimplência. Os bancos, por sua vez, passaram
a cobrar dos empresários um plano de saneamento das finanças, incluindo
corte de gastos e aumento de produtividade, antes de conceder novos créditos.
Mas os bancos japoneses ainda têm muito que fazer. A taxa de retorno sobre
o capital dos bancos japoneses é de apenas 5,2%. Na América Latina,
o porcentual é de 24% e nos Estados Unidos chega a 29%. Embora os números
tenham melhorado, a lucratividade das instituições financeiras ainda
é baixa. O juro próximo de zero adotado pelo governo para tentar
tirar a economia do marasmo e a alta incidência de empréstimos podres
não ajudam. Se a economia voltar a crescer, como alguns sinais indicam,
o mercado de pequenas e médias empresas, no qual o UFJ é forte,
terá ótimas perspectivas. Aliar
forças por meio de fusões e aquisições também
foi uma das saídas encontradas pelo setor financeiro para sanear os créditos
bancários. Uma estratégia, aliás, adotada em todo o sistema
financeiro mundial. No Brasil, cerca de um terço das instituições
existentes em 1994 mudou de controle ou deixou de existir. De 246 instituições
naquela época, o mercado ficou apenas com 164 em 2003. Foi a saída
para enfrentar a queda da inflação, que sustentava boa parte de
seus lucros. O Bradesco, o maior banco do país, se fortaleceu com a compra
do Mercantil em janeiro de 2002. Foi assim também com o Itaú, que
adquiriu o Sudameris em dezembro de 2001 e no ano passado registrou o maior lucro
do setor imponentes 928 milhões de dólares. A
conclusão da fusão do Mitsubishi com o UFJ só se dará
em outubro do ano que vem. Até lá, as duas instituições
terão de lidar com diferenças tão grandes que fizeram a fusão
ficar conhecida entre os analistas econômicos como a operação
Jekyll e Hyde. Trata-se de uma alusão à obra de R.L. Stevenson,
em que o personagem principal tinha dupla personalidade, ora um médico,
ora um monstro. Enquanto o Mitsubishi foi o primeiro banco a reembolsar a ajuda
do governo obtida nos anos 90 durante o colapso do sistema financeiro, o UFJ ainda
deve 12,8 milhões de dólares. O Mitsubishi é lucrativo, o
UFJ teve prejuízo de 3,6 bilhões de dólares no ano passado.
O Mitsubishi foi o primeiro banco a declarar que havia superado os problemas com
o dinheiro emprestado aos clientes na década passada e que não havia
sido pago. O UFJ ainda tem 35 milhões de dólares em créditos
duvidosos. As perspectivas, no entanto, são
promissoras. O maior banco do mundo terá raízes no meio-oeste do
Japão. É lá, entre as cidades de Osaka e Nagoya, que estão
as grandes indústrias de eletroeletrônicos, como a Panasonic, e de
automóveis, como a Toyota. É lá, também, que se concentram
62% dos negócios do UFJ Holdings. O Mitsubishi estava de olho nesse mercado.
Com a fusão, concordou em injetar 4,5 bilhões de dólares
no caixa do parceiro japonês como contrapartida para a transação.
"Nosso objetivo é conquistar uma base sólida de clientes na
parte oeste e central do país", afirmou a VEJA Kohei Tsushime, chefe
do departamento de comunicação corporativa do MTFG. O dinheiro servirá
para reforçar as reservas do UFJ. Por sua vez, o UFJ vai ganhar acesso
aos grandes clientes empresariais de Tóquio e ao mercado externo. |