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Edição 2065

18 de junho de 2008
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CINEMA

Romulus, Meu Pai (Romulus, My Father, Austrália, 2007. Estréia nesta sexta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro) – Nos confins da Austrália, o pequeno Raimond Gaita cresce puxado para lá e para cá pelo cabo-de-guerra entre seus pais. O romeno Romulus (Eric Bana) protege o menino e tenta fazer algo da vida em sua pequena fazenda; a alemã Christina (Franka Potente) aparece apenas de vez em quando, fazendo com que o marido e o filho se reapaixonem por ela, para então sumir novamente. Baseado nas trágicas memórias do filósofo Gaita, o filme perde pela estrutura episódica, que impede que o drama acumule a força que deveria ter. Mas ganha no retrato cuidadosamente anotado do interior australiano durante os anos 60 e nos ótimos desempenhos, entre os quais o do garoto Kodi Smit-McPhee.

 

LIVRO

A Eternidade e o Desejo, de Inês Pedrosa (Alfaguara Brasil; 184 páginas; 29,90 reais) – Inês Pedrosa é um dos maiores nomes da literatura contemporânea portuguesa. A especialidade dessa escritora de 46 anos é a criação de personagens femininas fortes, especialmente mulheres de meia-idade. A Eternidade e o Desejo é o primeiro romance de Inês que tem como cenário o Brasil. O livro conta a história de Clara, professora cega que volta à Bahia para refazer a trajetória do padre português Antonio Vieira (1608- 1697) – e desperta novamente para o amor ao conhecer o jovem Emanuel. O romance serve como pano de fundo para Inês discutir a relação entre Portugal e o Brasil e criar imagens de forte sincretismo religioso.

 

TELEVISÃO

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Reaper: um herói que leva uma vida dos diabos


Reaper – Um Trabalho Infernal
(Estréia nesta sexta, às 21h, no Universal Channel) – No primeiro episódio de Reaper, Sam Oliver (Bret Harrison) enfrenta um zumbi incendiário com uma arma inusitada: um miniaspirador de pó. Sam não é um herói normal – e também não faz esse tipo de coisa por uma boa causa. Empregado de uma loja de utensílios domésticos, ele descobre uma bomba ao completar 21 anos: antes de nascer, seus pais venderam sua alma ao Diabo. Esse último (interpretado pelo esquisitão Ray Wise, o pai de Laura Palmer na série Twin Peaks) o transforma num serviçal incumbido de resgatar fugitivos do inferno. Reaper mescla humor negro a uma atmosfera pop que lembra a dos filmes do diretor americano Kevin Smith (de O Balconista) – que, aliás, dirige o episódio inicial.

 

EXPOSIÇÃO

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Obra de Picasso: desenhos espanhóis


Desenhos Espanhóis do Século XX – Coleção Fundación Mapfre
(Em cartaz até 27 de julho no Museu de Arte de São Paulo, Masp) – Por meio dos 82 trabalhos dessa mostra, a diversidade das vanguardas da Espanha no século XX é captada por um ângulo singular: o desenho. Vindas da fundação que leva o nome de uma multinacional do país, sediada em Madri, as obras iluminam uma faceta menos conhecida de artistas que se consagraram com a pintura ou a escultura. De Pablo Picasso, pode-se ver tanto a representação tocante de uma figura materna, datada de 1902, quanto um desenho com traços francamente cubistas dos anos 20. O acervo inclui ainda artistas como Dalí, Miró, Juan Gris e Antoni Tàpies, além de estrangeiros que produziram na Espanha, como o uruguaio Torres-García.

 

DISCOS

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Coldplay: parceria com ex-produtor do U2

Viva la Vida or Death and All His Friends, Coldplay (EMI) – Quatro anos atrás, Chris Martin, vocalista e líder do Coldplay, conheceu o produtor Brian Eno – que estava hospedado na casa dos pais de sua mulher, a atriz Gwyneth Paltrow. Martin não apenas declarou ser fã de Eno como o convidou para trabalhar no próximo disco do Coldplay. O resultado da colaboração é Viva la Vida. Eno é famoso por operar mudanças radicais nas bandas com as quais trabalha. Fez isso com os Talking Heads, nos anos 70, e com o U2, na década seguinte. Mas aqui se contentou em polir os vocais chorosos de Martin e adicionar outras sonoridades ao pop bem construído do quinteto – a canção Strawberry Swing, por exemplo, tem uma guitarra africana. Violet Hill, primeira música de trabalho do álbum, é digna das melhores composições do grupo.

 

Robert Vos/AFP


Lang Lang: virtuose chinês do piano

The Art of Lang Lang, Lang Lang (Universal) – O pianista chinês de 26 anos divide opiniões. Os detratores o acusam de ser exibicionista e encher as obras-primas da música clássica de firulas. Já os fãs exaltam seu virtuosismo. O fato é que se trata de uma das maiores estrelas da música erudita atual – e dos poucos capazes de atrair o público jovem. Essa coletânea traz trechos de obras de compositores do período romântico, como Chopin e Tchaikovsky, e de artistas chineses – caso de Lü Wencheng, autor de Autumn Moon on a Calm Lake. A parceria de Lang Lang com o regente e pianista Daniel Barenboim no Concerto para Piano, de Tchaikovsky, é particularmente memorável.

 

 
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