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Livros Em Blackwater,
o jornalista Jeremy Scahill conta
Em 2004, às vésperas de deixar o seu cargo de administrador do Iraque, para o qual havia sido nomeado treze meses antes pelo presidente americano George W. Bush, Paul Bremer baixou uma lei chamada Ordem 17. No dia seguinte, transferiu o poder a um governo provisório formado por iraquianos. O derradeiro decreto de Bremer proibia a Justiça iraquiana de processar funcionários que estivessem trabalhando para os Estados Unidos no país. As conseqüências dessa regra e a promiscuidade entre governo americano e empresas de segurança privada no Iraque são os elementos que dão fôlego ao thriller jornalístico Blackwater A Ascensão do Exército Mercenário Mais Poderoso do Mundo (tradução de Claudio Carina e Ivan Weisz Kuck; Companhia das Letras; 552 páginas; 52 reais), a partir desta semana nas livrarias brasileiras. O autor é o jornalista americano Jeremy Scahill. Publicado no início de 2007 nos Estados Unidos, o livro foi atualizado neste ano para incluir a história e a repercussão do massacre cometido em Bagdá pelos capangas da empresa de segurança Blackwater, em setembro passado. Scahill não poupa nos detalhes mórbidos ao descrever o tiroteio que matou dezessete civis iraquianos em uma praça da capital.
Scahill erra, em uma rápida passagem do livro, ao tentar usar o exemplo da Blackwater para fazer uma crítica generalizada da privatização. O verdadeiro problema é outro: a falta de controles adequados sobre um serviço autônomo de segurança. O governo americano encontrou nos mercenários uma forma de reduzir os custos políticos da guerra. O recrutamento terceirizado incomoda menos a opinião pública e o Exército não precisa se responsabilizar pelas ações de funcionários privados. Quem perde com isso é a população iraquiana, que não tem garantias contra abusos cometidos pelos guarda-costas. Por essas e outras, Scahill não esconde, no livro, seu desprezo pela administração Bush. Mas ele é sincero ao avaliar que o papel dos mercenários na guerra apenas tende a aumentar em um eventual governo democrata. Afinal, o candidato Barack Obama promete retirar as tropas americanas do Iraque em dezesseis meses, se for eleito. Quem ficaria para trás para garantir a ordem? Empresas de segurança como a Blackwater, pagas pelos Estados Unidos.
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