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Edição 2065

18 de junho de 2008
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Cinema
Ele está nervoso. De novo

Ficar verde, rasgar as roupas, destruir: Hulk não tem tantas
habilidades que justifiquem duas versões em cinco anos


Isabela Boscov

Fotos Divulgação
Hulk reaparece, na favela da Rocinha: não exatamente o lugar ideal para um sujeito sensível

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Trailer do filme

Em comparação com outros super-heróis, que têm de salvar o mundo de uma variedade de perigos usando a inteligência e os superpoderes, as atribuições de Hulk são limitadas: ficar verde, estragar suas roupas e destruir muitas coisas. Ele nem sequer sabe que é o cientista Bruce Banner, e que só está assim grande e colorido porque algo o deixou nervoso. À parte então as considerações que os fãs do quadrinho da Marvel possam tecer sobre sua origem e seu destino, para o restante do público fica um pouquinho difícil entender que apelo é esse capaz de justificar duas adaptações em cinco anos, ambas envolvendo nomes graúdos – Eric Bana e o cineasta Ang Lee na primeira, e Edward Norton, Liv Tyler e o diretor Louis Leterrier neste O Incrível Hulk (The Incredible Hulk, Estados Unidos, 2008), desde sexta-feira em cartaz no país.

Norton, como Bruce Banner: do oval para o quadrado

Se é que serve de explicação, os dois Hulk divergem na levada. O de Ang Lee era existencial e deprimido. Este aqui favorece a ação. O experimento com radiação gama que transforma Banner em monstro é recapitulado durante os créditos iniciais, a fim de que imediatamente a seguir possamos apanhá-lo em seu exílio. Para alguém que não pode ficar alterado, o cientista escolhe um lugar que, por aqui, sabe-se não ser muito propício: a favela da Rocinha, onde ele conversa com um vira-lata, aprende a controlar as emoções com Rickson Gracie e trabalha numa fábrica de refrigerantes (cujos funcionários são dublados em um português atroz). Mas que ninguém subestime a obstinação do general Ross (William Hurt) em encontrá-lo e subjugá-lo. Para tanto, o militar se dispõe até a criar um outro monstro: Abominação, a versão deformada do soldado Emil Blonsky (Tim Roth, de muito longe a melhor coisa do filme).

Em sua primeira metade, Hulk segura a atenção, graças ao talento do francês Louis Leterrier, da série Carga Explosiva, para dar ritmo a perseguições. Quando Roth assume a forma de Abominação, o filme desanda. Em vez de tensão, o que se tem é pancadaria e, em vez de dois bons atores, dois bonecos de computação gráfica, que nem com muito esforço lembram os sujeitos dos quais se originaram. Ninguém (ou quase ninguém) espera uma experiência transformadora – sem trocadilho – de um filme como Hulk. Mas estará no seu direito quem estranhar que Norton, com aquele rosto perfeitamente oval, ganhe o queixo quadrado de Tarcísio Meira só porque está irritado.



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