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Edição 2065

18 de junho de 2008
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Saúde
Má nutrição à porter

Índice de gordura acima do recomendado e falta de alimentos básicos: esse é o modelito nas passarelas, segundo uma pesquisa


Anna Paula Buchalla

Além de um rosto bonito, modelo que é modelo tem de ter ossos salientes, braços e pernas finos e quadris estreitos. Aos 13, 14 anos, as meninas candidatas à passarela descobrem que sem fechar a boca é difícil atingir as medidas exigidas pelas agências. Começa, então, a busca pela magreza. Uma pesquisa inédita sobre o perfil nutricional de modelos brasileiras mostra que, embora 73% delas estejam no peso ideal do ponto de vista da saúde, 30% fazem dieta para emagrecer. E da pior maneira possível. No levantamento, médicos e nutricionistas do Instituto de Metabolismo e Nutrição e do Hospital do Coração, de São Paulo, pesaram, mediram e avaliaram o gasto e o consumo calórico de 26 moças, de 14 a 24 anos. A grande maioria sofre de sérias deficiências nutricionais e, o que é paradoxal, metade apresenta uma quantidade de gordura corporal acima do recomendado. Culpa, sobretudo, dos regimes malucos para perder peso rapidamente – como jejuar num dia e se empanturrar de chocolate no outro. "Para essas meninas, é mais fácil passar fome do que mudar hábitos de vida", diz o cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni, coordenador do estudo. Trata-se, sem dúvida, de um comportamento de risco. A falta de critérios à mesa pode ser um passaporte para a obesidade no futuro (não tão distante quanto elas imaginam) ou para o surgimento de distúrbios alimentares como anorexia e bulimia.

Nas "repúblicas" onde vivem amontoadas, as modelos consomem basicamente carne grelhada com salada. "É um dos motivos que fazem com que a dieta delas tenha mais proteínas do que o recomendado diariamente", diz Magnoni (veja o quadro). Essas meninas também não comem frutas. Como tais alimentos tendem a ser calóricos, eles são abolidos do cardápio. As frutas, no entanto, são uma rica fonte de fibras. Quase a totalidade das garotas consome, no máximo, 20 gramas diários de fibras, quando o ideal seria ingerir de 25 a 35 gramas. Elas sofrem, ainda, de falta de cálcio, potássio, ferro e vitaminas do complexo B. Tamanha deficiência nutricional causa anemia e enfraquece os ossos, entre outros problemas.

Embora magras e altas, as modelos, assim como todas as mulheres, costumam dar aquela "roubadinha" no momento de revelar quanto pesam e medem. Os pesquisadores contam que as participantes do estudo declararam, em média, 2 quilos a menos e 2 centímetros a mais. Descontadas as mentirinhas, o peso médio real das moças ficou em 58 quilos e a altura, em 1,70 metro. Parece ótimo para você? Pois quase 80% delas gostariam de pesar até 10% menos. Hoje é assim: não basta ser magra; é preciso ser magérrima. Os médicos e nutricionistas do Hospital do Coração acompanharão as 26 modelos por um ano. Durante esse tempo, elas serão submetidas a cardápios equilibrados e programas de atividade física. A idéia é fazer com que mantenham o peso, mas ganhem músculos e percam gordura. Quem sabe as mais animadas não vão se dispor a incrementar a massa cinzenta?

 
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Fotos Fabio Rossi/Agência O Globo



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