Edição 1807 . 18 de junho de 2003

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DVD


Divulgação
Cidade de Deus: atores saídos do morro


Cidade de Deus
(Brasil, 2002. Imagem) – Filme nacional mais comentado do ano passado, Cidade de Deus levou 3,2 milhões de espectadores às salas de exibição – e provou que é possível, sim, fazer cinema arrojado no Brasil. Em sua chegada ao formato de DVD, a adaptação do livro do carioca Paulo Lins para a tela ganhou uma apresentação à altura. O principal atrativo extra é um documentário a respeito da oficina de preparação dos atores que atuaram na fita. Quase todos eles são amadores e foram recrutados nos morros cariocas, como é o caso dos ótimos Alexandre Rodrigues e Leandro Firmino da Hora, que interpretam, respectivamente, o narrador Buscapé e o bandido Zé Pequeno. O DVD também inclui comentários do diretor Fernando Meirelles e do diretor de fotografia César Charlone.

 

LIVROS

Correntezas, de Penelope Fitzgerald (tradução de Roberto Argus; Bertrand Brasil; 160 páginas; 25 reais) – Penelope Fitzgerald é uma das vozes mais elegantes e originais da ficção inglesa recente. Só começou a escrever aos 60 anos, mas até sua morte, no começo de 2000, aos 84 anos, teve tempo para escrever doze livros em gêneros variados – da comédia de costumes ao romance histórico. Correntezas foi seu terceiro lançamento e garantiu-lhe, em 1979, o Booker Prize, o principal prêmio literário de seu país. Arquitetado com maestria e com um final surpreendente, o livro fala dos relacionamentos e ligações amorosas de um grupo de "alternativos" que vivem em barcos, subindo e descendo o Rio Tâmisa. A própria Penelope viveu de maneira semelhante com a família, nos anos 60.

O Ente Querido, de Evelyn Waugh (tradução de Cid Knipel; Globo; 154 páginas; 25 reais) – O inglês Evelyn Waugh (1903-1966) escreveu alguns dos mais brilhantes romances satíricos de seu tempo, como Declínio e Queda e Um Punhado de Pó. O Ente Querido, seu único livro ambientado nos Estados Unidos, resultou de uma curta passagem do autor por Hollywood. Na obra, que estava fora de catálogo havia algum tempo, ele lança um olhar para lá de cáustico sobre a meca do cinema. A história gira em torno de um bizarro triângulo amoroso. Ele envolve um embalsamador e uma maquiadora de defuntos que se apaixonam no local de trabalho – que vem a ser um cemitério onde são enterradas celebridades de Hollywood. O terceiro vértice da história é um poeta inglês que luta para fazer carreira no cinema, mas acaba arrumando um emprego temporário num cemitério de animais. Leia trechos do livro.

Leonardo da Vinci, de Kenneth Clark (tradução de Thaís R. Manzano; Ediouro; 334 páginas; 47 reais) – Kenneth Clark (1903-1983) foi uma figura importante no meio intelectual inglês. Dirigiu a National Gallery, de Londres, apresentou séries de TV sobre cultura, como a célebre Civilização, e redigiu alguns livros importantes sobre arte clássica, como O Nu. Publicado originalmente em 1939, Leonardo da Vinci é um dos melhores estudos a respeito do gênio renascentista. Ancorado em sólida erudição e num material excelente (Clark teve acesso, enquanto escrevia, a desenhos de Leonardo que pouca gente havia manuseado), o livro é escrito num estilo vivo e tem pontos de vista curiosos, defendidos com graça e convicção. A edição brasileira baseia-se numa edição inglesa recente. Traz uma introdução assinada pelo historiador da arte Martin Kemp e uma bibliografia atualizada.

 

DISCOS

May the Music Never End, Shirley Horn (Universal) – A cantora e pianista americana de 69 anos pertence àquela categoria de intérprete capaz de rejuvenescer uma canção, por mais batida que ela seja. Um bom exemplo disso está em Yesterday, o sucesso dos Beatles mais regravado de todos os tempos, que reaparece nesse álbum. Shirley modifica o arranjo original com seu dedilhado ao piano e troca a ordem dos versos da canção. Soa mais convincente do que as gravações atuais de seu autor, Paul McCartney. Outro trunfo de May the Music Never End está na banda de apoio, que inclui talentos da velha e da jovem guarda do jazz. O efebo Roy Hargrove dá sua contribuição em Take Love Easy, de Duke Ellington, enquanto as faixas Maybe September e This Is All I Ask contam com solos do pianista veterano Ahmad Jamal.

 

Ernesto Nazareth – Volumes 1 & 2, Maria Teresa Madeira (Sonhos e Sons) – A pianista carioca traz no currículo uma participação na minissérie Chiquinha Gonzaga, da Rede Globo, além de ter sido premiada diversas vezes pelos temas que criou para peças infantis. O melhor do seu trabalho está no resgate de compositores brasileiros do início do século passado. Depois de um CD dedicado às obras de Chiquinha, Maria Teresa lança dois discos com as composições de Ernesto Nazareth (1863-1934). Músico de formação erudita, Nazareth adicionou acordes de chorinhos e lundus às harmonias clássicas e definiu suas criações como "tangos lentos". Composições como Odeon (letrada pelo poeta Vinícius de Moraes), Brejeiro e Apanhei-te, Cavaquinho viraram standards da MPB. As versões de Maria Teresa primam pela fidelidade ao tema original.

 
Divulgação/Universal
Lou Reed: panorâmica da carreira  

NYC Man, Lou Reed (BMG Brasil) – Para quem deseja conhecer a carreira do cantor e compositor americano, esse CD duplo é excelente. Lou Reed foi integrante do Velvet Underground, uma das principais bandas alternativas dos anos 60, e nas décadas seguintes reafirmou seu talento ao retratar em suas letras os tipos bizarros que pululam no cenário underground de Nova York. NYC Man funciona como um filtro da carreira de Reed. Pinça as melhores obras do Velvet, os rocks e as canções palatáveis que ele criou nos anos 70, e as gemas escondidas nos discos medianos que ele gravou nas últimas três décadas. Clássicos como Satellite of Love, Pale Blue Eyes e I'm Waiting for the Man vêm acompanhados no encarte por pequenos comentários de Lou Reed sobre seu processo de criação. Outros sucessos do cantor.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.

 

 
 
 
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