|
|
Cinema Não
é só sexo Brown Bunny
tem uma cena escandalosa e algo mais  Isabela
Boscov
Divulgação
 | | Gallo:
cineasta, pintor e chorão |
Poucas
vezes o Festival de Cannes assistiu a uma cena tão constrangedora quanto
a da exibição de The Brown Bunny, há dois anos: a
platéia odiou, a imprensa achacou o diretor e este, por sua vez, chorou.
The Brown Bunny (Estados Unidos, 2003), em cartaz em São Paulo e
Brasília e em breve no Rio de Janeiro, é de fato um filme heterodoxo.
Quase todo ele é tomado pela viagem do protagonista, Bud Clay, pelas estradas
americanas. Bud dirige, dirige e dirige. Às vezes pára para jantar,
ou se aproxima de desconhecidas e as repele sem dizer palavra. Chegando a Los
Angeles, Bud recebe a visita da mulher (Chloë Sevigny) em que pensara durante
todo esse tempo. Os dois trocam acusações e então ela faz
sexo oral nele. sexo totalmente explícito, o que motivou um considerável
escândalo e a sentença de que o filme não passa de um rompante
narcisístico do ator, roteirista, diretor, câmera, montador e compositor
Vincent Gallo. Aos 43 anos, Gallo é uma figura sui generis, que já
foi, entre várias outras coisas, dançarino de boate gay, modelo
de Calvin Klein e pintor festejado na Nova York dos anos 80. E é dessa
maneira que ele concebe The Brown Bunny: como um ato tão individual
quanto a pintura, e tão radicalmente introspectivo que só poderia
margear o narcisismo. A quem suportar o tédio e tolerar o escândalo,
porém, ele oferece algo mais: a companhia pesarosa de um homem que não
só vive suas obsessões como depende delas para continuar vivo. |