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Cinema
O filme-extremo
No sensacional coreano Oldboy,
violência e razão nunca andam juntas

Isabela Boscov
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| Christensen: carreira em risco Min-sik: quinze
anos em busca de um porquê |
Oh Dae-su (o astro coreano, e
excelente ator, Min-sik Choi) é bêbado e inconveniente,
mas isso não é motivo para que alguém seja
encarcerado, durante quinze anos, no que parece ser um quarto de
hotel de quinta categoria. Deve haver, então, outra razão
e é ela que Dae-su vai procurar sem trégua
a partir do momento em que é libertado, no feroz Oldboy
(Coréia do Sul, 2004), em cartaz no país desde sexta-feira.
Seguem-se cenas em que um personagem contribui com a língua
ou os dentes e o outro com um par de tesouras ou um martelo; uma
briga num corredor em que a vítima, com um machado cravado
nas costas, causa dor intensa a seus agressores; e uma seqüência
já célebre na qual Dae-su devora um polvo vivo, que
tenta escapar da garganta do protagonista agarrando-se a seu rosto.
Oldboy, portanto, é tido como mais uma criação
do chamado cinema-extremo (do qual Irreversível, do
francês Gaspar Noé, é outro exemplo), e descartado
por boa parte da crítica como uma demonstração
de virtuosismo e de sadismo mal-e-mal disfarçado por um pretexto
moral. Tanto quanto seja possível afirmar que uma opinião
é correta e outra, equivocada, erra quem avaliar Oldboy
de forma tão superficial. O diretor Chanwook Park é
de fato um virtuose e um dos condutores do movimento que tem feito
do cinema sul-coreano a nova grande atração dos festivais.
Mas possui também uma moralidade que não é
falsa nem rasa.
A vingança, argumenta
Oldboy, é uma causa sem causa: quem se enfronha nela
não pode parar, porque atingi-la só traria o vazio.
E a violência é, por conseguinte, apenas outro tipo
de prisão, tão insensata quanto o quarto de hotel
de Dae-su mas sem perspectiva de liberdade eventual. A tese
do diretor Park já foi defendida, com resultados menos polêmicos,
pelo Francis Ford Coppola de Apocalypse Now ou pelo Clint
Eastwood de Sobre Meninos e Lobos. Talvez o coreano assuste
é por sua afinidade com outro cineasta implacável,
o americano Stanley Kubrick (com quem compartilha o dom de comprimir
o máximo de tensão em cada enquadramento): como Laranja
Mecânica, Oldboy mostra o ser humano tendendo naturalmente
à desrazão e ao caos.
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