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Economia e Negócios Não
há segredo Estados Unidos e Europa ainda são
os melhores parceiros comerciais do Brasil Antonio
Milena
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de montagem da Embraer: americanos compram 70% dos aviões |
Está
virando um hábito. O dólar caiu de novo e os exportadores brasileiros
voltaram a pedir, em tom dramático, uma intervenção do governo
no câmbio, para elevar a competitividade dos produtos brasileiros e preservar
os bons resultados da balança comercial. Na semana passada, o dólar
chegou a atingir 2,45 reais, a menor cotação em três anos.
Como nas vezes anteriores, o governo sabiamente não cedeu às pressões.
Até mesmo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, Luiz Fernando Furlan, um dos mais sensíveis às reclamações
dos exportadores, se manteve controlado. Segundo ele, mesmo com a queda do valor
do dólar, a meta de exportações para este ano, de 112 bilhões
de dólares, não será alterada. "Estamos mantendo a nossa
meta apesar da valorização do real", disse.
Longe
de ser um recurso retórico, a opinião de Furlan na verdade,
do Ministério da Fazenda e do Banco Central tem respaldo em todos
os números do comércio exterior brasileiro. Um estudo minucioso
dos valores e destinos das exportações nacionais revela que, entre
2003 e 2004, enquanto os exportadores vislumbravam o apocalipse porque o dólar
caíra abaixo de 3 reais, as vendas externas brasileiras não pararam
de subir. Um dos motivos é que, embora o dólar baixo prejudique
as exportações nos setores de maior valor agregado, esse prejuízo
é sempre compensado pelo aumento dos preços no mercado externo de
outros segmentos, como o siderúrgico. Mas
os números mostram mais. Depois de esforços enormes para priorizar
a conquista de mercados praticamente inexplorados, como o Oriente Médio
e a África, a diplomacia brasileira ainda não mudou a realidade
comercial que vigorava em janeiro de 2003, início da gestão do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. Europa, Estados Unidos e América Latina
continuam sendo os mercados que mais demandam produtos brasileiros e são
os responsáveis por quase todas as boas notícias no comércio.
Centrados nesses três blocos e não na África, na Ásia
ou no Oriente Médio , os esforços brasileiros tendem a colher
resultados estupendos. Mesmo que Lula não tenha feito à Europa uma
visita com o alarde e a propaganda que exibiu ao visitar a África, por
exemplo, as exportações para a União Européia aumentaram
30% entre 2003 e 2004, saltando de 18,5 bilhões para 24 bilhões
de dólares. Hoje, a UE representa 23,76% de todas as exportações
brasileiras (veja quadro abaixo). Outro parceiro
de peso, os EUA também compraram mais do Brasil, mesmo com o dólar
em queda. Somente entre janeiro e março de 2005, os Estados Unidos importaram
mais de 200 milhões de dólares do Brasil em relação
ao mesmo período do ano passado. Os americanos representam 21,69% das vendas
do Brasil ao exterior. Juntos, portanto, EUA e UE compram quase a metade das exportações
brasileiras e continuam, assim, sendo os principais parceiros comerciais do Brasil.
Para os especialistas em comércio exterior,
esses números mostram que o governo deveria centrar-se nos velhos e bons
mercados europeu e americano. Segundo Marcos Jank, presidente do Instituto de
Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone),
faltam ao Brasil foco e coordenação na política comercial.
"O Brasil não pode criar blocos comerciais com o mundo todo. É preciso
ter foco e coordenação. É preciso focar os países
com os quais as relações comerciais serão mais eficientes."
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