Edição 1905 . 18 de maio de 2005

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Economia e Negócios
Não há segredo

Estados Unidos e Europa ainda são os
melhores parceiros comerciais do Brasil

 

Antonio Milena
Linha de montagem da Embraer: americanos compram 70% dos aviões

Está virando um hábito. O dólar caiu de novo e os exportadores brasileiros voltaram a pedir, em tom dramático, uma intervenção do governo no câmbio, para elevar a competitividade dos produtos brasileiros e preservar os bons resultados da balança comercial. Na semana passada, o dólar chegou a atingir 2,45 reais, a menor cotação em três anos. Como nas vezes anteriores, o governo sabiamente não cedeu às pressões. Até mesmo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, um dos mais sensíveis às reclamações dos exportadores, se manteve controlado. Segundo ele, mesmo com a queda do valor do dólar, a meta de exportações para este ano, de 112 bilhões de dólares, não será alterada. "Estamos mantendo a nossa meta apesar da valorização do real", disse.

Longe de ser um recurso retórico, a opinião de Furlan – na verdade, do Ministério da Fazenda e do Banco Central – tem respaldo em todos os números do comércio exterior brasileiro. Um estudo minucioso dos valores e destinos das exportações nacionais revela que, entre 2003 e 2004, enquanto os exportadores vislumbravam o apocalipse porque o dólar caíra abaixo de 3 reais, as vendas externas brasileiras não pararam de subir. Um dos motivos é que, embora o dólar baixo prejudique as exportações nos setores de maior valor agregado, esse prejuízo é sempre compensado pelo aumento dos preços no mercado externo de outros segmentos, como o siderúrgico.

Mas os números mostram mais. Depois de esforços enormes para priorizar a conquista de mercados praticamente inexplorados, como o Oriente Médio e a África, a diplomacia brasileira ainda não mudou a realidade comercial que vigorava em janeiro de 2003, início da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Europa, Estados Unidos e América Latina continuam sendo os mercados que mais demandam produtos brasileiros e são os responsáveis por quase todas as boas notícias no comércio. Centrados nesses três blocos – e não na África, na Ásia ou no Oriente Médio –, os esforços brasileiros tendem a colher resultados estupendos. Mesmo que Lula não tenha feito à Europa uma visita com o alarde e a propaganda que exibiu ao visitar a África, por exemplo, as exportações para a União Européia aumentaram 30% entre 2003 e 2004, saltando de 18,5 bilhões para 24 bilhões de dólares. Hoje, a UE representa 23,76% de todas as exportações brasileiras (veja quadro abaixo). Outro parceiro de peso, os EUA também compraram mais do Brasil, mesmo com o dólar em queda. Somente entre janeiro e março de 2005, os Estados Unidos importaram mais de 200 milhões de dólares do Brasil em relação ao mesmo período do ano passado. Os americanos representam 21,69% das vendas do Brasil ao exterior. Juntos, portanto, EUA e UE compram quase a metade das exportações brasileiras e continuam, assim, sendo os principais parceiros comerciais do Brasil.

Para os especialistas em comércio exterior, esses números mostram que o governo deveria centrar-se nos velhos e bons mercados europeu e americano. Segundo Marcos Jank, presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), faltam ao Brasil foco e coordenação na política comercial. "O Brasil não pode criar blocos comerciais com o mundo todo. É preciso ter foco e coordenação. É preciso focar os países com os quais as relações comerciais serão mais eficientes."

 

 

 
 
 
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